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Oferta do mar Negro e dos Bálcãs definirá os preços do milho na Grécia

Os preços do milho grego da nova safra poderão abrir em setembro a €0,22-0,24 por quilograma, mas dependerão fortemente do custo das importações. A capacidade exportadora da Ucrânia, a colheita e a logística da Romênia e as entregas rodoviárias competitivas da Bulgária determinarão a sustentação dessa faixa.

Oferta do mar Negro e dos Bálcãs definirá os preços do milho na Grécia

Produtores gregos se aproximam da colheita com expectativas mais firmes

O mercado grego de milho entra na fase final antes da colheita. Segundo estimativas de mercado citadas pela Thessalia Television, os preços ao produtor poderão começar setembro em torno de €0,22-0,24 por quilograma. A perspectiva é melhor do que os temores de alguns meses atrás, embora as cotações efetivas dependam de produtividade, umidade e qualidade.

O milho ganhou área sobre o algodão nesta temporada na planície da Tessália. Ainda assim, o tamanho da safra grega não definirá sozinho a rentabilidade. A demanda da pecuária e da avicultura, os custos de transporte e o preço final do milho importado influenciarão quanto comerciantes e consumidores de ração estarão dispostos a pagar.

Desde a primavera, os contratos de milho grego eram negociados por cerca de €0,20-0,23 por quilograma. Naquele momento, a nova safra ucraniana estava cotada perto de €188-190 por tonelada. A comparação mostra a principal questão para o produtor local: quanto o grão do mar Negro custará, com frete e movimentação, ao chegar a um porto grego ou a uma fábrica de ração.

Restrições às exportações ucranianas reduzem a pressão imediata

A Ucrânia historicamente forneceu grandes volumes capazes de impor um teto aos preços gregos. Os ataques à infraestrutura portuária ucraniana e as dificuldades persistentes nos embarques pelo mar Negro reduziram o fluxo de grãos, limitando a disponibilidade de milho importado barato na Europa.

Dados da Reuters citados pela Thessalia Television mostram que as exportações ucranianas de grãos caíram 75% no início de agosto. As dificuldades para escoar a nova safra sustentam o mercado grego ao restringir uma de suas principais fontes de concorrência importada. O efeito poderá se inverter se a Ucrânia restabelecer os fluxos e colocar grandes volumes a preços competitivos.

Para os compradores gregos, não importa apenas a produção ucraniana, mas sua capacidade efetiva de exportação. Uma carga que não consegue sair com eficiência exerce menos pressão sobre os preços na Grécia. A retomada das operações portuárias e o aumento dos embarques, por outro lado, recolocariam rapidamente a oferta ucraniana nos cálculos de comerciantes, processadores e empresas pecuárias.

Romênia e Bulgária oferecem canais distintos de abastecimento

A Romênia poderá compensar parte das perdas produtivas em outras regiões europeias. As chuvas melhoraram a perspectiva de rendimento, e estimativas mencionadas pela Reuters situam a safra em cerca de 8 milhões de toneladas. Porém, a seca de agosto e o nível muito baixo do Danúbio geram incerteza sobre a produção final e preocupação com os custos de transporte.

O milho romeno poderá, portanto, fornecer volumes relevantes sem ser necessariamente barato o suficiente para eliminar a pressão de alta na Grécia. O resultado dependerá do clima até a colheita e do custo e disponibilidade da logística fluvial e portuária.

A Bulgária exerce influência mais imediata porque seu milho pode chegar à Grécia por caminhão, com custo de transporte relativamente baixo. Uma oferta búlgara ampla e competitiva pressiona diretamente os produtores gregos. Uma colheita menor ou custos logísticos mais altos dariam maior espaço para a manutenção dos preços internos.

A Grécia importa milho da Ucrânia e da Romênia por seus portos, e da Bulgária por rodovia. Por isso, as condições nas três origens afetam diretamente o mercado. A proximidade búlgara confere importância especial ao país para o norte da Grécia e seus mercados regionais.

Produção menor na UE oferece sustentação

Calor e seca causaram danos em importantes regiões produtoras europeias. A Thessalia Television informou que a Comissão Europeia reduziu no fim de julho sua projeção para a produção de milho da UE em 2026/27 para 51,9 milhões de toneladas. Estimativas mais recentes citadas na reportagem mantêm aberta a possibilidade de queda para menos de 50 milhões de toneladas.

A produção francesa enfrenta forte pressão do calor e da seca, enquanto a Alemanha também deverá colher menos. Polônia e Romênia poderão compensar parte do déficit europeu, mas o quadro geral continua favorável à sustentação dos preços.

O mercado grego está, assim, entre duas forças opostas. A menor produção europeia e as restrições às exportações ucranianas apoiam os valores domésticos, enquanto grandes carregamentos competitivos da Ucrânia, Romênia ou Bulgária aumentariam a pressão importadora. A faixa inicial de €0,22-0,24 por quilograma é viável se as importações permanecerem limitadas e a Europa mantiver um déficit de oferta, mas não estará disponível para todos os produtores. Qualidade, umidade, demanda local e custo posto no destino das alternativas importadas definirão cada negócio.

Análise completa do mercado

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