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Nova safra de beterraba derruba os preços do açúcar na Rússia e atacado atinge mínima de cinco anos

No fim de setembro o açúcar custava em média 85,7 rublos por quilograma no varejo russo, 1,1% menos do que uma semana antes, com o início do processamento da nova safra de beterraba ampliando a oferta. No atacado o preço já caiu para 41,6 rublos por quilograma, o menor nível em cinco anos. O IKAR projeta produção de cerca de 6,3 milhões de toneladas em 2026/27.

Nova safra de beterraba derruba os preços do açúcar na Rússia e atacado atinge mínima de cinco anos

Os preços do açúcar no varejo russo começaram a cair no fim de setembro, à medida que o processamento da nova safra de beterraba ampliou a oferta, informa o Rossiyskaya Gazeta. O açúcar custava em média 85,7 rublos por quilograma no varejo, 1,1% menos do que uma semana antes, segundo cálculos do centro analítico do agronegócio AB-Centre. A queda tende a ficar mais visível: no início de outubro o preço pode recuar para cerca de 83 rublos por quilograma e, em novembro, aproximar-se de 75 rublos.

Atacado no menor nível em cinco anos

O mercado atacadista virou antes, ainda em agosto. No fim de julho o açúcar era negociado a 58,9 rublos por quilograma sem IVA, recorde dos últimos anos. Em 21 de setembro o preço havia caído para 41,6 rublos por quilograma, 17,3 rublos abaixo e o menor patamar em cinco anos, aponta o AB-Centre.

O varejo costuma reagir aos movimentos do atacado com atraso de cerca de um mês e meio. As lojas primeiro escoam os estoques comprados mais caro e, tradicionalmente, a queda chega ao consumidor final mais devagar do que a alta. É o que explica a baixa de 1,1% na gôndola em uma semana enquanto as cotações no atacado recuam desde agosto.

Sazonalidade e um balanço folgado

A queda sazonal não é, em si, algo incomum. Produção e consumo seguem sazonalidades diferentes: com o início do processamento da beterraba a oferta aumenta, de modo que os preços no atacado costumam cair de julho-agosto até novembro-fevereiro, invertendo o movimento no primeiro semestre. A cada safra somam-se a esse padrão os volumes de produção, as exportações, as importações e os estoques de passagem.

Nesta temporada a oferta também segue alta. Pela estimativa do Instituto de Estudos do Mercado Agrícola (IKAR), a área semeada de beterraba encolheu 4,4% em 2026, mas a produção de açúcar na safra 2026/27 ainda é esperada em patamar razoável, em torno de 6,3 milhões de toneladas. Com importações de cerca de 420 mil toneladas, estoques de passagem de 360 mil toneladas e consumo interno próximo de 5,6 milhões de toneladas, o excedente, que é também o potencial exportável, é calculado em aproximadamente 1,48 milhão de toneladas.

Um potencial de exportação nunca plenamente usado

A Rússia tradicionalmente não aproveita todo o seu potencial de exportação. Nas últimas dez safras nunca conseguiu embarcar o excedente inteiro. Na safra 2024/25, com potencial de até 1,42 milhão de toneladas, os embarques efetivos ficaram em cerca de 970 mil toneladas. Em 2025/26 o potencial foi estimado em 1,53 milhão de toneladas, contra exportações de 1,25 milhão.

A diferença entre o potencial e os embarques efetivos permanece no país e adiciona pressão ao mercado interno. Cada tonelada não exportada concorre com o açúcar da nova safra que as usinas despacham na campanha de outono, e o consumo interno de cerca de 5,6 milhões de toneladas não se amplia para absorvê-la.

Estoques e importações em alta

Os dados de armazenagem confirmam o quadro. No fim de julho de 2026 os estoques de açúcar nas usinas e no comércio atacadista somavam 608 mil toneladas, segundo o Rosstat. São 4 mil toneladas a mais do que um ano antes e 357 mil toneladas acima do nível do fim de julho de 2015, período anterior à atual fase de superprodução.

Um fator adicional é o avanço das importações, sobretudo da Belarus. Somado à produção interna elevada e ao escoamento limitado via exportação, isso mantém o balanço folgado às vésperas dos meses de pico do processamento, quando as usinas entregam o grosso do açúcar da safra e a pressão sobre as cotações no atacado costuma ser maior.

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