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Namíbia obtém acesso ao mercado chinês de uva de mesa

A Namíbia poderá exportar uva de mesa para a China após a assinatura de um protocolo fitossanitário bilateral. O acordo cria uma alternativa à Europa para um setor que exportou, em média, quase 45.400 toneladas por ano entre 2021 e 2025.

Namíbia obtém acesso ao mercado chinês de uva de mesa

Protocolo abre uma nova rota para a China

A Namíbia obteve acesso ao mercado chinês de uva de mesa depois que seu Ministério da Agricultura e a Administração Geral das Alfândegas da China assinaram um protocolo fitossanitário em 10 de julho. O documento define as condições sanitárias e operacionais que produtores, unidades de embalagem e exportadores terão de cumprir antes do embarque.

Segundo a Ecofin Agency, os carregamentos deverão estar livres de pragas quarentenárias e contaminação por solo. Vinhedos, unidades de embalagem e instalações de tratamento a frio precisarão ser registrados, enquanto os operadores deverão implantar sistemas de rastreabilidade e realizar inspeções antes do embarque. A autorização formal é apenas a primeira etapa: os exportadores também precisarão de infraestrutura, documentação e controle da cadeia de frio compatíveis com as exigências chinesas.

Europa ainda domina o comércio namibiano

A uva de mesa é o principal produto hortícola exportado pela Namíbia. Dados do Trade Map citados pela Ecofin Agency mostram que o país exportou, em média, quase 45.400 toneladas anuais entre 2021 e 2025. Os embarques atingiram o pico de 50.000 toneladas em 2022. No mesmo período, a receita cresceu quase 26,15%, de $65 milhões para $82 milhões.

Os mercados europeus absorvem a maior parte das exportações namibianas, com Países Baixos, Reino Unido e Alemanha entre os principais destinos. A China oferece agora uma oportunidade para diversificar as vendas além da base tradicional de compradores europeus. As fontes, porém, não apresentam previsões de volume, contratos ou preços esperados para a nova rota comercial.

Mercado grande e concorrentes estabelecidos

A China importou cerca de 117.000 toneladas de uva de mesa, avaliadas em aproximadamente $313 milhões, em 2025. Os fornecedores namibianos disputarão espaço com exportadores consolidados como Austrália, Chile, Peru, Uzbequistão e a vizinha África do Sul. O resultado dependerá da oferta de variedades adequadas, de preços competitivos e da preservação da qualidade ao longo de uma cadeia logística mais extensa.

A abertura coincide com a adoção, pela China, de tarifa zero para 100% das linhas tarifárias de importações originárias de 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com Pequim. A Namíbia está incluída, e a medida entrou em vigor em 1º de maio de 2026. O acesso sem tarifa pode melhorar a posição de preço, mas não elimina os custos de registro, controle de pragas, tratamento a frio, inspeção e transporte de longa distância.

Acesso pode estimular investimentos na fruticultura

Uma rota comercial efetiva pode incentivar investimentos em capacidade de embalagem, logística refrigerada e padrões de produção. A fruticultura namibiana ainda utiliza apenas parte do potencial identificado pelo Conselho Agronômico da Namíbia. Um estudo do órgão apontou quase 6.700 hectares adequados à produção de frutas, mas somente 17% dessa área havia sido desenvolvida até 2021.

A tarefa imediata do setor é transformar a aprovação regulatória em embarques comerciais recorrentes. Produtores e exportadores deverão registrar instalações, comprovar a rastreabilidade e cumprir os controles prévios, além de desenvolver relações com importadores chineses. O protocolo oferece um mercado adicional, mas os volumes dependerão dos custos de conformidade, da logística, da demanda e da capacidade de competir com fornecedores já estabelecidos.

Análise completa do mercado

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