Moscou nega sanções às importações agrícolas da Armênia
A Rússia afirma que as restrições a diversos produtos agrícolas armênios são medidas fitossanitárias, não sanções. A Armênia pediu à Comissão Econômica Eurasiática que examine as barreiras aplicadas a frutas, hortaliças, flores, pescado, água mineral e outros produtos.
Moscou rejeita acusação de sanções
A Rússia negou ter imposto sanções a determinadas categorias de importações agrícolas da Armênia e classificou como enganosas as declarações de autoridades e veículos armênios. A disputa envolve restrições a uma ampla variedade de mercadorias, incluindo frutas e hortaliças frescas, flores, produtos da pesca e água mineral.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin, afirmou que as alegações de que Moscou usa as restrições como sanções “não têm nada a ver com a realidade”, segundo a Lenta.ru, que citou a RIA Novosti. Para ele, as medidas são apresentadas na Armênia como uma resposta política, enquanto as autoridades russas as consideram parte dos controles agrícolas já existentes.
Exigências focam origem e rastreabilidade
Galuzin disse que a Rússia sempre dedicou atenção especial à fiscalização fitossanitária. Ele apontou três exigências aplicáveis aos fornecedores armênios: uso de matérias-primas produzidas na Armênia, controle de pesticidas e rastreabilidade das remessas.
A referência a matérias-primas nacionais indica que a análise russa não se limita ao estado da mercadoria na fronteira. Os fornecedores também podem precisar comprovar a origem dos produtos ou insumos. As exigências de rastreabilidade afetam produtores, processadores, consolidadores e exportadores, pois os documentos devem ligar cada remessa ao seu histórico de produção e manuseio.
Sergei Dankvert, chefe do órgão russo de fiscalização agrícola Rosselkhoznadzor, já havia negado que o grande número de restrições estivesse relacionado à deterioração das relações entre Rússia e Armênia. Segundo a Lenta.ru, Dankvert classificou a coincidência temporal como mero acaso e afirmou que as medidas se baseavam em observações acumuladas ao longo de vários anos.
Restrições abrangem ampla lista de produtos
A lista inclui flores, tomates, pepinos, pimentões, ervas, morangos, ginjas, cerejas, damascos, ameixas, pêssegos, nectarinas, uvas, frutas secas, berinjelas e batatas da Armênia. Água mineral, pescado e produtos da pesca também estão incluídos. A possível interrupção, portanto, não se concentra em uma única cultura, mas alcança vários segmentos da agricultura e da indústria de alimentos armênias.
As fontes não informam volumes embarcados, valor do comércio afetado nem duração das restrições. Também não apontam uma proibição formal única para todos os produtos agrícolas armênios. A divergência está na interpretação das medidas aplicadas a categorias específicas: a Armênia questiona o tratamento dado às mercadorias, enquanto autoridades russas atribuem as restrições a controles técnicos, e não a sanções.
Armênia leva questão ao bloco eurasiático
Representantes armênios solicitaram à Comissão Econômica Eurasiática que examine as restrições russas a seus produtos. A iniciativa leva a disputa ao marco institucional da União Econômica Eurasiática, na qual os dois países participam de um mercado comum, embora mantenham sistemas de supervisão sanitária e fitossanitária.
Para os exportadores, a questão prática é saber se cada fornecedor poderá cumprir as exigências russas e retomar os embarques, independentemente da terminologia política. Produtores e comerciantes de bens perecíveis enfrentam a maior exposição imediata, pois atrasos ou cargas recusadas perdem valor comercial rapidamente. A análise da Comissão Econômica Eurasiática pode esclarecer a base, o alcance e a aplicação das medidas, mas as fontes não apresentam um cronograma.