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Montadoras da UE acumulam 14,4 bilhões de euros em dívida de CO2, Itália é a mais exposta

As montadoras europeias acumularam 14,4 bilhões de euros em passivos de CO2 contra 13 bilhões de euros em créditos, segundo relatório da Dataforce citado pelo Milano Finanza. A Itália tem o pior saldo, de 4,4 bilhões de euros, enquanto Tesla, BYD e Geely concentram os maiores créditos.

Montadoras da UE acumulam 14,4 bilhões de euros em dívida de CO2, Itália é a mais exposta

As montadoras europeias acumularam 14,4 bilhões de euros em passivos sob as regras da União Europeia para emissões de CO2 das frotas, diante de 13 bilhões de euros em créditos disponíveis no mercado, segundo o último relatório da Dataforce citado pelo Milano Finanza. A Itália é o mercado nacional mais exposto, com saldo negativo de 4,4 bilhões de euros, enquanto a França lidera a lista dos países superavitários. Os maiores beneficiários do mecanismo de troca são fabricantes sediados fora da UE.

Como funciona o mecanismo de multas

O marco de referência é o regime CAFE (Corporate Average Fuel Economy). Desde 2025 o limite médio de emissões de CO2 para carros novos está fixado em 93,6 gramas por quilômetro. Quem ultrapassa o teto paga 95 euros por grama excedente, multiplicados pelo número de veículos vendidos. A conta vence ao final do triênio 2025-2027, de modo que as posições acumuladas agora ainda são provisórias em termos contábeis, mas viram caixa no encerramento do ciclo.

As montadoras acima do limite podem evitar as multas comprando cotas de CO2 de quem está abaixo dele, o que deu origem a um mercado ativo de dívidas e créditos de emissões. No agregado, informa o Milano Finanza, a indústria automotiva europeia tem 14,4 bilhões de euros de dívida contra 13 bilhões de euros de crédito. A diferença terá de ser coberta por multas ou por compras junto a vendedores que, em boa parte, não são europeus.

Itália, Polônia e Alemanha concentram os déficits

O rombo italiano de 4,4 bilhões de euros reflete emissões médias de 111 g/km nos carros novos, 17,4 gramas acima da média da UE segundo a Dataforce. A Polônia aparece em segundo lugar, com 2,8 bilhões de euros em multas potenciais e emissões médias de 123,3 g/km. A Alemanha vem na sequência, com quase 2,4 bilhões de euros, apesar de uma média bem menor, de 99,1 g/km — sinal de que o volume, e não apenas a composição da frota, define o valor final.

No extremo oposto da tabela estão os credores líquidos:

  • França: 2,5 bilhões de euros em créditos, com emissões médias de 83,9 g/km
  • Países Baixos: 2,4 bilhões de euros em créditos
  • Noruega: 2,3 bilhões de euros em créditos

Dos três maiores mercados europeus — Alemanha, com quase 4,7 milhões de emplacamentos de automóveis; França, com 2,7 milhões; e Itália, com 2,68 milhões — apenas um está no azul.

Volkswagen tem a posição individual mais pesada

Entre os fabricantes, a maior exposição é a da Volkswagen. A Dataforce estima 2,7 bilhões de euros de dívida CAFE no fim de agosto de 2026, ante 2,3 bilhões em abril — piora de 400 milhões de euros em quatro meses para um grupo que acaba de lançar um amplo plano de reestruturação. A Stellantis vem em segundo, com cerca de 1,4 bilhão de euros em sanções previstas, à frente da Mercedes-Benz, com 969 milhões de euros. As três empresas superam 100 gramas de CO2 por quilômetro.

Tesla e grupos chineses do lado credor

O mecanismo de cotas premia quem está mais adiantado na eletrificação. A Tesla tem o melhor saldo do setor, com 3 bilhões de euros em créditos. Entre os grupos chineses, a BYD soma 2,2 bilhões de euros, a Geely 1,8 bilhão e a Leapmotor 832 milhões — pouco mais de 4,8 bilhões somados, acima da dívida acumulada de Volkswagen e Stellantis juntas.

Para compradores e vendedores de cotas, a consequência prática é a transferência de caixa dos grupos europeus tradicionais para concorrentes que lhes tomam participação nas mesmas concessionárias. Como a liquidação só ocorre no fim de 2027, as posições divulgadas pela Dataforce ainda vão se mover: cada ponto percentual de participação elétrica ganho até lá reduz a conta, e cada mês fraco de vendas elétricas a aumenta. A Itália, com a maior distância do teto de 93,6 g/km entre os grandes mercados, é quem tem mais terreno a recuperar.

Análise completa do mercado

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