Caju lidera as exportações agrícolas de Moçambique com 82,9 milhões de dólares no primeiro semestre
A castanha de caju bruta rendeu a Moçambique 82,9 milhões de dólares (70,9 milhões de euros) no primeiro semestre de 2026, mais de três quartos de todas as receitas de exportação agrícola, apesar de uma queda de 17,7% face ao ano anterior. O total exportado pelo setor agrícola ainda assim cresceu 5%, para 108,5 milhões de dólares, apoiado na macadâmia, no gergelim e em vendas de fibra de algodão que quase duplicaram.
O valor cai mais depressa do que o volume
As exportações moçambicanas de castanha de caju bruta renderam 82,9 milhões de dólares (70,9 milhões de euros) no primeiro semestre de 2026, mantendo a cultura à cabeça do cabaz agrícola exportador do país. Os números constam dos dados de execução do primeiro semestre do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas e foram divulgados pelo Jornal Económico. A receita ficou 17,7% abaixo dos 100,7 milhões de dólares (86,1 milhões de euros) registados no mesmo período de 2025.
O volume embarcado quase não se alterou. Entre janeiro e junho de 2026 saíram 73.391 toneladas, contra 74.664 toneladas um ano antes, uma descida de cerca de 1,7%. A distância entre uma quebra marginal em volume e uma perda de dois dígitos em valor aponta para preços mais fracos e não para falta de mercadoria: os dados publicados implicam um valor médio de exportação de cerca de 1.129 dólares por tonelada, face a aproximadamente 1.349 dólares por tonelada no primeiro semestre de 2025.
O Vietname e a Índia mantiveram-se como principais destinos da castanha bruta moçambicana, seguindo-se a África do Sul. Ambos os compradores asiáticos operam grandes indústrias de descasque e processamento que dependem de matéria-prima importada da África Ocidental e Oriental.
O resto do cabaz exportador
Apesar da quebra do caju, as exportações agrícolas totais de Moçambique atingiram 108,5 milhões de dólares (92,8 milhões de euros) nos primeiros seis meses, um crescimento de 5% face aos 103,2 milhões de dólares (88,3 milhões de euros) do mesmo período de 2025. Só a castanha bruta representou mais de três quartos dessas receitas, o que deixa os ganhos de exportação do setor dependentes de um único produto.
As restantes rubricas comunicadas pelo ministério foram:
- Macadâmia: 19 milhões de dólares (16,2 milhões de euros), segunda maior exportação agrícola, com o Vietname e a China como principais compradores.
- Gergelim: 16,8 milhões de dólares (14,4 milhões de euros), destinado sobretudo à China.
- Soja: 4,6 milhões de dólares (3,9 milhões de euros).
- Fibra de algodão: 4,2 milhões de dólares (3,6 milhões de euros), face a 2,5 milhões de dólares (2,1 milhões de euros), com o Bangladesh, o Dubai e a Suíça entre os principais destinos.
Novas regras para a cadeia de valor do caju
A 4 de agosto o Governo moçambicano aprovou um novo regulamento para a cadeia de valor do caju, que regulamenta a Lei do Caju de 2023 e revoga o regime em vigor desde 2018. Segundo o executivo, o texto estabelece regras específicas para o fomento, produção, secagem, embalagem, armazenamento, comercialização, transporte, processamento, exportação e importação de caju, procurando harmonizar e atualizar todo o enquadramento legal do setor.
O Governo defende que a revisão é necessária para responder aos desafios atuais da atividade e reforçar a competitividade nacional num mercado internacional cada vez mais exigente. A proposta de regulamento é, nas palavras do executivo, «pertinente e crucial para o reforço da competitividade da cadeia de valor do caju em toda a sua amplitude e do país no mercado global do caju».
Um programa de 374 milhões de dólares até 2034
O reforço da competitividade integra também o Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Caju 2025-2034, avaliado em 374 milhões de dólares (320 milhões de euros). O programa prevê elevar a produção anual das atuais 158 mil toneladas para 689 mil toneladas até 2034, aumentar o número de produtores assistidos de cerca de 230 mil para mais de 600 mil e alargar a capacidade de processamento de 40 mil para mais de 482 mil toneladas, a par de maior digitalização do setor.
Dados anteriormente divulgados pelo ministério indicam que a comercialização de castanha de caju na campanha 2024/2025 atingiu aproximadamente 195.400 toneladas, aproximando-se dos níveis históricos do período colonial. Em 1973 Moçambique ocupava o segundo lugar mundial na produção de caju processado, com cerca de 210 mil toneladas, atrás apenas da Índia. Após a independência, em 1975, a produção caiu para cerca de 15 mil a 20 mil toneladas anuais, recuperando progressivamente nas últimas décadas.