Mix das importações russas de automóveis muda enquanto vendas recuam
A Rússia importou 80.600 automóveis de passageiros em agosto de 2026, com alta anual de 29% nos veículos novos e queda de 6% nos usados. A China dominou o fornecimento de carros novos, o Japão liderou o segmento de usados e o crédito caro pressionou as vendas internas.
Importações de carros novos e usados seguem direções opostas
A Rússia importou 80.600 automóveis de passageiros em agosto de 2026, segundo dados do diretor da Autostat, Sergei Tselikov, citados pela Pravda.ru. Os dois principais segmentos tiveram movimentos anuais distintos, embora ambos tenham recuado em relação a julho.
As importações de automóveis novos, definidos como veículos de até três anos, chegaram a 37.700 unidades. O volume ficou 29% acima do registrado em agosto de 2025, mas 15% abaixo do nível de julho. A demanda por modelos estrangeiros mais recentes permaneceu firme na comparação anual, apesar da perda de ritmo mensal.
As importações de veículos usados com mais de três anos caíram para 42.900 unidades, uma redução de 6% em um ano e de 15% ante julho. O especialista em logística Denis Krylov atribuiu a desaceleração mensal à saturação dos estoques e à maior complexidade das liquidações financeiras nas rotas de trânsito. A reportagem também relacionou a queda anual à elevada base de comparação, à saturação de veículos japoneses com volante à direita e às oscilações cambiais.
China lidera nos novos, enquanto Japão domina os usados
A China respondeu por 73% das importações de automóveis novos em agosto, assumindo uma posição amplamente dominante. O Quirguistão canalizou 16,2% dos veículos importados e continuou sendo uma rota relevante de entrada na Rússia. A especialista em desembaraço aduaneiro Elena Smirnova afirmou que a participação elevada do país mostra que os importadores ainda procuram formas de otimizar o pagamento de tarifas, apesar do controle mais rigoroso.
Nos veículos usados, a estrutura de fornecimento foi bem diferente. O Japão respondeu por 56% das importações, com predomínio dos modelos com volante à direita. Entre os usados com volante à esquerda, a China teve uma fatia de 29,1% e a Coreia do Sul, de 7,3%. O mercado russo continua dependente de redes separadas: produção chinesa para os carros novos e estoques japoneses para grande parte do mercado de segunda mão.
Fabricantes internacionais da Alemanha, do Japão e da Coreia do Sul representaram 14,9% do mercado de automóveis novos, com cerca de 17.000 veículos vendidos. Mazda, Toyota, Volkswagen e as três marcas alemãs de alto padrão ficaram entre as dez principais marcas fornecidas por canais alternativos. Segundo a Pravda.ru, marcas russas e veículos chineses importados oficialmente agora respondem pela maior parte das vendas de carros novos.
Crédito caro pressiona o mercado mais amplo
As vendas totais de automóveis novos de passageiros na Rússia caíram 6,5%, para 114.300 unidades. A família Lada Granta continuou na liderança, com 10.700 veículos vendidos, mas o custo elevado do crédito já começa, segundo a reportagem, a reduzir a procura até mesmo por modelos econômicos.
O analista Dmitry Nesterov associou a contração de 6,5% ao aumento do endividamento das famílias e ao encarecimento dos financiamentos de veículos. O custo financeiro mais alto torna a compra menos acessível ao consumidor de massa e impede que o crescimento da oferta de carros importados mais recentes se converta integralmente em aumento das vendas no varejo.
Os números de agosto mostram, portanto, um mercado dividido. As importações de veículos novos ficaram quase 30% acima do nível de um ano antes, indicando demanda contínua por modelos recentes que substituem marcas que reduziram ou encerraram sua presença direta. Ao mesmo tempo, os dois segmentos de importação recuaram ante julho, as entradas de usados diminuíram na comparação anual e as vendas totais de carros novos encolheram. Para fabricantes, concessionárias e empresas de logística, a gestão dos estoques e o acesso a financiamento barato continuarão centrais enquanto a China consolida sua posição e os usados japoneses preservam sua relevância.