Milho sobe com menor oferta esperada nos EUA e demanda de etanol; trigo recua
Os futuros de milho e soja avançaram em Chicago em 23 de julho de 2026, enquanto o trigo recuou de uma máxima de vários anos. A expectativa de corte na área de milho dos EUA, a demanda de etanol e os riscos logísticos no Mar Negro sustentaram o mercado; o cereal também subiu na B3.
Área plantada e etanol sustentam o milho
Os futuros de milho encerraram a quinta-feira, 23 de julho, em alta em Chicago, sustentados pela expectativa de uma oferta mais restrita nos Estados Unidos e pelo crescimento do consumo interno dos produtores de etanol. O contrato de dezembro de 2026 fechou a US$ 4,87 por bushel, com ganho de 0,57%, enquanto setembro avançou 0,43%, para US$ 4,64. Março de 2027 terminou a US$ 5,03, alta de 0,55%, segundo o Notícias Agrícolas.
Gilberto Leal, head de commodities da Granel Corretora, disse à CNN Brasil que o mercado reagia principalmente ao corte esperado na área americana de milho e ao forte programa de processamento para etanol. Os riscos internacionais acrescentaram suporte, sobretudo as tensões envolvendo o corredor de grãos do Mar Negro. Uma interrupção logística poderia deslocar demanda para Estados Unidos, Brasil e Argentina.
Os dados de exportação dos EUA deram outro sinal relevante. O ZOL informou vendas de 332.679 toneladas de milho da safra antiga na semana encerrada em 16 de julho, incluindo 203.300 toneladas compradas pelo México e 152.000 toneladas por Taiwan. As vendas da nova safra chegaram a 701.505 toneladas, com 168.000 toneladas destinadas a compradores não identificados e 148.100 toneladas à Colômbia.
Futuros brasileiros avançam durante a colheita
Os futuros brasileiros de milho também subiram na B3, apesar de a colheita da segunda safra estar praticamente concluída em Mato Grosso. Setembro de 2026 avançou 0,96%, para R$ 70,78 por saca de 60 kg; janeiro de 2027 ganhou 0,99%, para R$ 77,34; março subiu 1,03%, para R$ 78,53; e maio teve alta de 1,25%, para R$ 77,78. Segundo o Notícias Agrícolas, os contratos de 2027 operaram nas máximas desde o início de suas negociações.
O dólar mais forte, a firmeza dos preços no mercado físico e o avanço do consumo para etanol de milho contribuíram para o movimento. Leal afirmou que o milho para embarque em setembro chegou a ser negociado perto de R$ 50-R$ 51 por saca em algumas regiões produtoras. A Agrinvest observou que o milho americano embarcado pelo noroeste do Pacífico estava menos competitivo que o brasileiro, abrindo espaço para o Brasil conquistar mais negócios de exportação ao longo do ciclo.
Compromissos de exportação impulsionam a soja
Os futuros de soja acompanharam a alta. O contrato de novembro fechou a US$ 12,43 por bushel, com valorização de 0,38%, apoiado pela procura pelo produto americano, pelo esmagamento robusto e pela demanda de óleo de soja para biodiesel. A CNN Brasil informou que mais de 6 milhões de toneladas da nova safra já estavam comprometidas, ante cerca de 2,6 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior, principalmente por causa da China.
O ZOL registrou vendas semanais de 1,537 milhão de toneladas de soja da nova safra, incluindo 1,006 milhão de toneladas adquiridas pelo México. O Departamento de Agricultura dos EUA também anunciou uma venda privada de 126.000 toneladas para um comprador não identificado. No Brasil, os prêmios da soja recuaram com a alta de Chicago, mas o produto disponível chegou perto de R$ 130 por saca em partes de Mato Grosso.
Trigo recua da máxima recente
O trigo seguiu na direção contrária. O contrato de setembro em Chicago caiu 1,35%, para US$ 6,96 por bushel, depois de alcançar US$ 7,102 durante o pregão, o maior nível desde 28 de maio de 2024. Apesar da queda na sessão, o trigo acumulava valorização de 18% desde o início de julho, segundo o ZOL.
O mercado continuou atento à oferta do Mar Negro após a Rússia restringir embarques noturnos em Novorossiysk em resposta a ataques ucranianos com drones. As vendas americanas de trigo somaram 290.016 toneladas na semana encerrada em 13 de julho, incluindo 137.600 toneladas para o México e 98.200 toneladas para Taiwan. Os riscos logísticos, a mudança nas expectativas para a oferta dos EUA e a concorrência entre origens americanas manterão os preços sensíveis ao clima e aos dados de exportação.