Milho recua em Chicago à espera dos resultados da colheita nos EUA e produtor segura oferta no Brasil
Os futuros do milho na CBOT recuaram na quarta-feira, 16 de setembro, com o contrato de dezembro de 2026 a US$ 5,34 por bushel, enquanto os operadores aguardavam os resultados da colheita norte-americana. Na B3, o fechamento foi misto, com janeiro de 2027 a R$ 80,15 por saca, e o físico segue travado pela resistência dos produtores.</p>
Os futuros do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) recuaram na quarta-feira, 16 de setembro, enquanto os operadores aguardavam os resultados das colheitas norte-americanas, informou a Reuters de Chicago, em reportagem de Tom Polansek. O mercado devolveu parte dos ganhos da sessão anterior: o contrato de dezembro de 2026 foi a US$ 5,34 por bushel e o de março a US$ 5,48, de acordo com o Notícias Agrícolas.
O movimento não se transferiu por completo ao Brasil. Na B3, os futuros do cereal operaram predominantemente no campo negativo, acompanhando parcialmente a pressão externa, mas o fechamento foi misto: janeiro de 2027 encerrou a R$ 80,15 por saca e março a R$ 81,15, segundo o Notícias Agrícolas. No mercado físico, o cenário segue marcado pela baixa liquidez e pela resistência dos produtores em ampliar as vendas.
Produção de etanol firme e estoques no maior nível desde maio
Entre os fundamentos acompanhados pelo mercado norte-americano estão os novos números da produção de etanol divulgados pela EIA (Administração de Informação de Energia). A produção ficou em 1,099 milhão de barris por dia, estável na comparação semanal e 44 mil barris por dia acima do mesmo período do ano passado. A produção firme mantém o setor de etanol como destino central do milho norte-americano.
- Produção de etanol: 1,099 milhão de barris por dia, estável na semana e 44 mil barris por dia acima do ano anterior.
- Estoques de etanol: 25,22 milhões de barris, alta de 33 mil barris na semana e de 2,618 milhões de barris na comparação anual.
- Exportações de etanol: seguem acima do ritmo recorde do ano anterior, segundo dados divulgados na quarta-feira.
O contrapeso vem do avanço dos estoques. Com 25,22 milhões de barris, o volume é o maior desde maio. Mesmo com o consumo consistente do cereal pela indústria, o nível elevado dos estoques limita parte do suporte às cotações. A demanda externa segue como o componente mais forte do quadro: os dados divulgados na quarta-feira apontam que as exportações norte-americanas de etanol continuam acima do ritmo recorde do ano anterior.
Queda do petróleo amplia a pressão
Além do setor de etanol, o mercado do milho foi pressionado pela queda do petróleo. Os futuros do brent fecharam a quarta-feira perdendo quase 3%, depois de recuar mais de 4% ao longo do dia, enquanto o WTI cedeu mais de 3%, informou o Notícias Agrícolas. O movimento foi atribuído à realização de lucros após os ganhos fortes dos últimos dias. Os preços da energia afetam diretamente a economia do etanol, e o complexo de grãos em Chicago acompanhou o recuo.
Físico brasileiro parado com produtor retendo
No Brasil, o mercado disponível de milho segue definido pela baixa liquidez e pela retração dos vendedores. Segundo informações da Agrinvest Commodities, algumas praças permanecem praticamente paradas, enquanto aparecem ofertas pontuais para setembro.
Em regiões de Mato Grosso, como Lucas do Rio Verde e Sorriso, as referências ficam próximas dos R$ 51,00 por saca, mas sem estimular uma presença mais intensa dos vendedores. Levantamentos de quarta-feira mostram o mercado disponível de Mato Grosso perto de R$ 49,00 por saca em Lucas do Rio Verde e acima de R$ 52,00 em outras importantes regiões produtoras do estado.
Os negócios continuam concentrados entre produtores que precisam liberar espaço de armazenagem, enquanto os demais permanecem mais retraídos. A diferença entre as pedidas dos produtores e as ofertas dos compradores segue como um dos principais entraves para novos negócios. Assim, a pressão das bolsas encontra resistência no físico brasileiro, onde a menor disposição de venda ajuda a limitar recuos mais expressivos.