Importações de milho do México chegam a 17,1 milhões de toneladas em oito meses de 2026
O México importou 17,107 milhões de toneladas de milho entre janeiro e agosto de 2026, alta de 8,1% na comparação anual, sendo 16,406 milhões de toneladas de milho amarelo. As compras de milho branco caíram 24,3%, para 573.400 toneladas. Produtores de Sinaloa pedem cotas de importação.
O México importou 17,107 milhões de toneladas de milho entre janeiro e agosto de 2026, 8,1% a mais do que no mesmo período de 2025, segundo o relatório mais recente do Grupo Consultor de Mercados Agrícolas (GCMA), elaborado com dados aduaneiros e citado pelo Luz Noticias. O aumento ocorre no momento em que os produtores de Sinaloa definem a área que vão semear no próximo ciclo agrícola.
O milho amarelo concentra o volume
As compras de milho amarelo somaram 16,406 milhões de toneladas nos oito meses, 9,8% acima do nível de 2025. A variedade abastece sobretudo as indústrias pecuária, de amido e de alimentos processados, e responde pela maior parte do grão que entra no país.
O milho branco seguiu na direção oposta: as importações caíram 24,3%, para 573.400 toneladas. Essa variedade predomina em Sinaloa e destina-se principalmente ao consumo humano e à indústria da massa e da tortilla, o que torna seu volume importado a linha politicamente mais sensível das estatísticas de comércio.
Organizações rurais pedem controle das importações
Embora a maior parte do grão que chega seja amarelo, a alta geral das importações preocupa as organizações agrárias porque coincide com preços baixos, custos elevados e dificuldade de colocar as safras no mercado interno, informou o Luz Noticias. Baltazar Valdez Armentía, presidente da Campesinos Unidos de Sinaloa, afirmou que a abertura às importações prejudicou a rentabilidade dos grãos nacionais nos últimos três ciclos agrícolas.
A proposta apresentada ao governo federal prevê controles ou cotas para que a indústria compre primeiro a produção mexicana e importe apenas o volume necessário para cobrir a demanda restante. “Precisamos de apoio por meio de instrumentos como a Financiera Nacional de Desarrollo para o campo, como o controle de importações ou cotas, ou qualquer outro instrumento que nos permita comercializar primeiro a produção nacional; o que o mercado exigir além disso poderá ser importado depois”, declarou.
Segundo ele, os produtores mexicanos não conseguem competir em igualdade de condições com as safras de outros países, onde vigoram esquemas distintos de financiamento, subsídios e custos de produção. Acrescentou que os apoios entregues após a colheita não resolvem o problema de fundo, porque costumam ser insuficientes, chegam tarde e deixam produtores de fora. A Campesinos Unidos pretende incluir o controle das importações e a proteção da safra nacional em uma agenda a ser apresentada diretamente à presidente Claudia Sheinbaum.
Projeções do USDA colocam importações acima da produção
A Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural (SADER) informou que as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estimam importações mexicanas de 27 milhões de toneladas no ano comercial 2025-2026 e de 27,7 milhões de toneladas em 2026-2027.
Para os mesmos períodos, a produção nacional é calculada em 25 milhões e 24,6 milhões de toneladas, respectivamente. A SADER ressalvou que essas estimativas correspondem a anos comerciais e não devem ser comparadas diretamente com os números dos ciclos agrícolas ou do ano-calendário. Por esses dados, as importações superam a produção interna nos dois períodos, e a diferença se amplia de 2 milhões para 3,1 milhões de toneladas.
Sinaloa aguarda preços antes de semear
Valdez Armentía advertiu que a situação influenciará a decisão de plantio do próximo ciclo outono-inverno, em especial em Sinaloa, onde muitos agricultores ainda esperam conhecer o preço e os mecanismos de comercialização do milho, do trigo e de outros grãos.
O Luz Noticias também noticiou que a SADER propôs um esquema de compras antecipadas, chamado Compras Anticipadas, para garantir a venda total do milho de Sinaloa, e que as represas do estado atingiram 49,1% da capacidade de armazenamento, variável que definirá a área irrigada disponível no ciclo outono-inverno.