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Mercosul deve superar EUA como principal fornecedor de milho da China em 2026/27

A China deverá importar pelo menos 6,0 milhões de toneladas de milho sul-americano em 2026/27, principalmente do Brasil e da Argentina. O Mercosul ultrapassaria os Estados Unidos apesar da política de Pequim de estimular a produção interna e conter importações.

Mercosul deve superar EUA como principal fornecedor de milho da China em 2026/27

Oferta sul-americana ganha espaço

O Mercosul deverá se tornar a principal origem do milho importado pela China no ciclo comercial 2026/27, superando os Estados Unidos à medida que Brasil e Argentina ampliam os embarques. Um resumo do Rosario Finanzas baseado em reportagem do Bichos de Campo cita projeções do escritório do USDA em Pequim. Segundo os dados, a China poderá comprar pelo menos 6,0 milhões de toneladas de milho sul-americano durante o ciclo.

O volume projetado compara-se a 4,0 milhões e 1,82 milhão de toneladas nas duas safras anteriores. O aumento reforçaria a posição da América do Sul na China, embora Pequim procure incentivar a produção doméstica de grãos e desestimular importações. De acordo com a publicação, o governo chinês utiliza subsídios e licitações com preços reduzidos para conter a inflação interna e apoiar a oferta local.

Os números indicam que a gestão chinesa da demanda importadora não está impedindo uma mudança na origem do milho que o país continua comprando. Exportadores sul-americanos ampliam sua presença, enquanto o milho norte-americano é descrito como menos competitivo mesmo antes de se considerar uma tarifa adicional de 10%.

Brasil lidera e abre o mercado de DDGS

O Brasil é o maior fornecedor estrangeiro de milho da China desde 2023 e permanece como o principal responsável pelo avanço do Mercosul. Os embarques brasileiros alcançaram 360.000 toneladas em setembro, enquanto mais de 710.000 toneladas eram esperadas para outubro, segundo a publicação.

O Brasil também começou a fornecer à China grãos secos de destilaria com solúveis, ou DDGS, coproduto do processamento de milho usado na alimentação animal. As importações chinesas de DDGS brasileiro chegaram a 265.141 toneladas até julho de 2026, com outras 170.000 toneladas previstas para outubro. A reportagem identifica o Brasil como o único fornecedor chinês desse produto.

Essa combinação dá aos exportadores brasileiros acesso a dois mercados relacionados: o milho em grão e um ingrediente para ração gerado pelo processamento do cereal. Também amplia o valor comercial da cadeia brasileira do milho enquanto a China tenta equilibrar as necessidades de alimentação da pecuária com políticas de proteção aos produtores domésticos de grãos.

Argentina entra no comércio chinês

A Argentina começou a exportar milho para a China em 2026 e rapidamente se tornou uma fornecedora relevante. A China importou 344.384 toneladas de milho argentino até julho, além de outras 200.000 toneladas entre agosto e setembro. A publicação coloca a Argentina como terceira maior fornecedora, atrás da Rússia.

As exportações russas de milho para a China cresceram 38% nos primeiros sete meses de 2026. A posição russa mostra que a mudança vai além de uma disputa direta entre o Mercosul e os Estados Unidos, embora o maior crescimento projetado venha do Brasil e da Argentina.

Para a Argentina, a demanda chinesa adicional tem impacto direto sobre Rosário, um dos principais polos agroexportadores do país. O aumento dos embarques pode oferecer a produtores, operadores de grãos e exportadores outro destino de grande porte, reduzindo a dependência dos mercados atuais. A continuidade das vendas dependerá da manutenção de preços competitivos e da qualidade do grão diante do crescimento da oferta sul-americana.

Efeitos sobre o mercado mundial

Uma presença sul-americana de 6,0 milhões de toneladas mudaria a composição dos fornecedores em um dos mercados de grãos mais acompanhados do mundo. O acesso consolidado do Brasil, a entrada da Argentina e a menor competitividade do milho norte-americano poderão redirecionar relações comerciais e fluxos logísticos, mesmo que a China continue pressionando politicamente o volume total importado.

A projeção não significa que a demanda chinesa crescerá sem limites. Subsídios, licitações com preços reduzidos e apoio à produção doméstica continuarão restringindo os fornecedores estrangeiros. Dentro desse mercado limitado, porém, o Mercosul parece em condições de conquistar uma fatia maior e fortalecer o papel de exportadores brasileiros e argentinos na definição das condições comerciais do milho entregue à China.

Análise completa do mercado

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