Mercado brasileiro de algodão em pluma inicia julho com negociações travadas
O mercado brasileiro de algodão em pluma iniciou julho com baixa liquidez, com vendedores e compradores distantes no preço, segundo o Cepea. As cotações perderam sustentação e voltaram a cair, enquanto a paridade de exportação mais fraca e a demanda restrita da indústria dificultaram novos negócios.
O mercado brasileiro de algodão em pluma iniciou julho com baixa liquidez, reflexo do impasse entre vendedores e compradores, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Embora parte dos vendedores mantenha postura firme, as cotações perderam sustentação nos últimos dias e voltaram a registrar queda, deixando o mercado com pouco giro no início do mês.
Compradores e vendedores distantes no preço
Segundo o Cepea, alguns vendedores mantiveram postura firme, principalmente os mais capitalizados e com lotes de melhor qualidade. Ainda assim, os preços não se sustentaram. Os compradores ativos seguem oferecendo valores abaixo dos pedidos pelos vendedores, dificultando o fechamento de novos negócios e limitando o volume de operações.
Para importadores e indústrias que acompanham a oferta brasileira, o descompasso entre ofertas e pedidos é hoje a marca central do mercado. Os negócios só se concretizam onde os vendedores aceitam se aproximar dos níveis dos compradores, e não por uma recuperação ampla da demanda.
Paridade de exportação e estoques pressionam vendedores a ceder
Conforme o Cepea, alguns produtores passaram a flexibilizar os preços diante do enfraquecimento da paridade de exportação e da necessidade de comercializar os estoques remanescentes da safra 2024/25 para liberar espaço nos armazéns. Essa combinação começou a corroer a postura mais firme de parte dos vendedores e adicionou pressão baixista às cotações.
A dinâmica aponta para um mercado em que a logística e a competitividade internacional, mais do que um novo interesse comprador, impulsionam as concessões de preço. Vendedores com volumes remanescentes de 2024/25 têm incentivo para esvaziar estoques antes da movimentação da nova safra, enquanto a paridade de exportação mais fraca reduz o apelo para os compradores do exterior.
Demanda restrita da indústria limita a atividade
O Cepea apontou que a demanda da indústria interna continua restrita. As compras têm ocorrido de forma pontual, já que o algodão adquirido anteriormente, aliado aos estoques disponíveis, é suficiente para atender às necessidades de curto prazo. Com as indústrias bem abastecidas, não há urgência para retornar ao mercado em volume.
Os pesquisadores destacaram que o desempenho das vendas de produtos manufaturados também permanece no radar do setor. O ritmo de comercialização desses produtos influencia diretamente a reposição de matéria-prima pela indústria e, consequentemente, o comportamento do mercado de algodão nas próximas semanas. Se as vendas de manufaturados avançarem, a indústria precisará repor pluma com mais intensidade; se seguirem fracas, as compras restritas devem persistir.
O que acompanhar
- O descompasso entre as ofertas dos compradores e os pedidos dos vendedores, que hoje trava novos negócios.
- A paridade de exportação, cujo enfraquecimento já levou alguns produtores a reduzir preços.
- O escoamento dos estoques remanescentes da safra 2024/25 à medida que os produtores liberam espaço nos armazéns.
- As vendas de manufaturados, sinal-chave de quando a indústria precisará repor algodão.
Por ora, o mercado brasileiro de algodão em pluma segue marcado pela cautela dos dois lados. Enquanto a demanda da indústria não se firmar ou o descompasso de preços não diminuir, a liquidez deve permanecer reduzida e as cotações expostas a mais pressão.