Marrocos figura entre as origens das importações de pêssego e nectarina da UE
O Foreign Agricultural Service (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê importações europeias de pêssego e nectarina de 50 mil toneladas em 2026/27, alta de 22,4% sobre cerca de 40.834 toneladas, e cita Marrocos entre as origens fornecedoras ao lado de África do Sul, Turquia e Chile. O avanço ocorre apesar de uma safra europeia 11,5% maior, de 3,49 milhões de toneladas.
A União Europeia deve importar 50 mil toneladas de pêssego e nectarina na safra 2026/27, alta de 22,4% sobre as cerca de 40.834 toneladas de 2025/26, segundo o relatório anual sobre frutas de caroço publicado pelo Foreign Agricultural Service (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Marrocos aparece entre as origens que abastecem esse volume.
A análise das compras europeias por origem até maio de 2026 identifica Marrocos ao lado de África do Sul, Turquia e Chile como fornecedores do mercado europeu. Os veículos marroquinos Telexpresse e Machahid24 noticiaram a inclusão na lista do FAS, apresentando-a como confirmação da posição de Marrocos entre os fornecedores de frutas de caroço do bloco.
Importações crescem mesmo com safra europeia maior
A previsão de compras mais altas coincide com uma colheita europeia mais volumosa. O FAS estima a produção comunitária de pêssego e nectarina em 3,49 milhões de toneladas em 2026/27, contra 3,13 milhões de toneladas na safra anterior, avanço de 11,5%.
O FAS atribui a maior dependência de importações a dois fatores: a demanda por fruta fora da estação europeia e a necessidade de variedades, calibres e classes de qualidade específicos que a oferta interna nem sempre cobre. Essa combinação mantém uma janela aberta para origens do hemisfério sul e do Mediterrâneo, mesmo em safras de oferta europeia abundante.
O consumo europeu está projetado em 3,40 milhões de toneladas em 2026/27, ante 3,03 milhões de toneladas um ano antes. O relatório associa o aumento à maior oferta europeia e à demanda sustentada durante as ondas de calor registradas no continente.
Espanha, Itália e Grécia sustentam a oferta
A produção europeia segue concentrada em Espanha, Itália, Grécia e França. A safra espanhola, a maior do bloco, deve crescer 6% na comparação anual e ficar 14% acima da média dos últimos cinco anos.
- Espanha: produção 6% maior que a do ano passado e 14% acima da média de cinco anos
- Itália: cerca de 926.410 toneladas, apoiada pela recuperação esperada na Emília-Romanha e no Vêneto
- Grécia: aproximadamente 750 mil toneladas
Essas três origens, somadas à França, respondem pela maior parte do volume que passará pelos packing houses e pelos programas de varejo europeus na próxima safra.
A UE segue exportadora líquida
Apesar do aumento das importações, a UE continua sendo grande exportadora de pêssego e nectarina. O FAS projeta embarques de 135 mil toneladas para mercados fora do bloco em 2026/27, ante 132.194 toneladas na safra anterior. Reino Unido, Suíça, Ucrânia e Noruega são os principais destinos extracomunitários. Com esses números, as exportações europeias equivalem a quase o triplo do volume importado.
A relação entre os dois fluxos define o alcance da posição marroquina. As 50 mil toneladas de importação total equivalem a cerca de 1,4% da própria safra europeia de 3,49 milhões de toneladas, e esse volume é dividido entre várias origens. O crescimento dos fornecedores extracomunitários depende, portanto, das janelas de início e fim de safra e do atendimento às exigências de variedade, calibre e qualidade apontadas pelo FAS, e não de disputa de preço com a fruta espanhola e italiana no auge da colheita europeia.
Para importadores e gerentes de categoria, os números do FAS indicam uma safra com fruta europeia abundante e um canal de importação complementar ainda em expansão, porém pequeno. Para os exportadores marroquinos, a questão prática é quanto das 50 mil toneladas conseguirão manter diante de África do Sul, Turquia e Chile, que atuam nas mesmas janelas de entressafra.