Marrocos amplia compras de ração russa e pressiona fornecedores europeus
Marrocos recebeu mais de 23 mil toneladas de ração animal e aditivos da região russa de Voronezh entre o início de 2026 e 10 de julho. As compras mais amplas de produtos russos para alimentação animal, incluindo soja e sementes de girassol, chegaram a cerca de 87 mil toneladas entre janeiro e maio.
Embarques de Voronezh superam 23 mil toneladas
Marrocos aumentou fortemente as compras de ração animal e aditivos russos em 2026, ampliando o espaço dos fornecedores da Rússia em um mercado tradicionalmente abastecido pela Ucrânia e por países da União Europeia. Segundo a Febrayer, que cita o Serviço Federal russo de Supervisão Veterinária e Fitossanitária, apenas a região de Voronezh exportou mais de 23 mil toneladas desses produtos para Marrocos entre o início do ano e 10 de julho.
A autoridade russa apontou Marrocos e Belarus como destinos importantes dos embarques de Voronezh. O órgão afirmou que especialistas inspecionaram os produtos para verificar o cumprimento dos requisitos sanitários e técnicos marroquinos. Esses controles são essenciais porque a entrada de ração no mercado depende das normas veterinárias, fitossanitárias e de qualidade adotadas pelo país de destino.
Compras em categoria mais ampla chegam a 87 mil toneladas
Uma medição mais abrangente da Agroexport, centro de desenvolvimento das exportações agrícolas ligado ao Ministério da Agricultura da Rússia, indica que as compras marroquinas de produtos russos para alimentação animal alcançaram cerca de 87 mil toneladas entre janeiro e maio de 2026. A Febrayer informou que a categoria incluía soja e sementes de girassol e que o volume cresceu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A composição das compras também mudou de forma significativa. As aquisições marroquinas de soja russa aumentaram 5 vezes, enquanto a demanda por sementes de girassol avançou para cerca de 1,6 vez o nível anterior, segundo o centro russo. Além da ração composta e dos aditivos, as oleaginosas usadas como fonte de proteína e de outros insumos passaram a representar parte importante do crescimento.
Os dois números abrangem períodos e definições de produto diferentes. As mais de 23 mil toneladas correspondem especificamente a ração e aditivos enviados por Voronezh até 10 de julho. Já as cerca de 87 mil toneladas incluem um conjunto mais amplo de fornecimentos russos, como soja e sementes de girassol, entre janeiro e maio. Portanto, os dados são complementares, mas não podem ser comparados diretamente como totais equivalentes.
Demanda pecuária altera a disputa entre fornecedores
A Agroexport relacionou o aumento à atividade das indústrias marroquinas de leite e carne vermelha, que exigem volumes maiores de ingredientes proteicos e ração composta de qualidade. Para pecuaristas e operadores de laticínios, uma base mais ampla de fornecedores pode melhorar o acesso a insumos e reduzir a dependência das origens tradicionais. A ração também representa uma parcela importante do custo doméstico da carne e dos produtos lácteos.
Segundo a Febrayer, os fornecedores russos disputam fatias historicamente atendidas pela Ucrânia e pelos países da UE. A publicação atribuiu a mudança aos preços competitivos e à estabilidade das cadeias russas de abastecimento. Porém, não foram apresentados preços comparáveis nem participações de mercado, o que impede medir quanto negócio os fornecedores europeus efetivamente perderam.
Preços internos continuam sendo o teste decisivo
Marrocos busca conter a inflação da carne e dos produtos lácteos, e uma ração competitiva pode ajudar os pecuaristas a controlar os custos de produção. O aumento das compras russas oferece outra alternativa a importadores e processadores. O impacto nos preços ao consumidor dependerá do custo de cada produto, do frete, do câmbio e da transmissão da redução dos custos ao longo da cadeia pecuária.
Para os exportadores russos, o crescimento abre espaço para avançar no norte da África com ração e oleaginosas. Para fornecedores europeus e ucranianos, os volumes indicam uma concorrência mais intensa em Marrocos. A continuidade do acesso ao mercado dependerá de preço, confiabilidade das entregas e cumprimento dos requisitos sanitários e técnicos marroquinos.
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