Meta de 80% de autossuficiência em arroz da Malásia esbarra em fertilizantes e baixa produtividade
A autossuficiência em arroz da Malásia caiu de 62,1% em 2020 para 52,9% em 2024, enquanto o governo pretende elevá-la a 80%. Representantes dos produtores afirmam que atrasos de fertilizantes, produtividade de apenas quatro a cinco toneladas por hectare e problemas de água, sementes e preços ameaçam a meta.
Autossuficiência caiu para menos de 60%
O plano da Malásia de elevar a autossuficiência em arroz para 80% enfrenta dúvidas de organizações de produtores. Segundo elas, o país precisa resolver primeiro a escassez de insumos essenciais e as persistentes limitações à produção. O ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Datuk Seri Mohamad Sabu, afirmou que a Malásia ainda está longe de um nível confortável de segurança alimentar, especialmente em arroz e carne. A autossuficiência atual em arroz permanece abaixo de 60%, de acordo com o Utusan Malaysia.
Mohd. Shazwan Suban, presidente da Suara Tani Malaysia, informou que o índice caiu de 62,1% em 2020 para 52,9% em 2024. A tendência amplia a distância entre a produção doméstica atual e a meta governamental de 80%. Representantes dos agricultores avaliam que a fixação de um objetivo nacional terá pouco efeito se as propriedades não receberem fertilizantes e sementes de qualidade no prazo, não tiverem água suficiente e não obtiverem um preço de compra viável pelo arroz em casca.
Atraso dos fertilizantes ameaça a safra atual
A preocupação imediata é a distribuição do fertilizante composto suplementar Baja Padi 3. Apenas cerca de 137.560 sacos, ou 22% dos 616.015 necessários, haviam sido entregues aos agricultores, segundo o Utusan Malaysia. Mohd. Shazwan disse que algumas plantas de arroz já tinham mais de 80 dias. Novos atrasos, portanto, podem prejudicar ainda mais o desenvolvimento da cultura, enquanto os custos de produção continuam subindo.
Cerca de 38.000 agricultores que aguardam fertilizantes para aproximadamente 78.117 hectares enfrentam perdas estimadas em RM1,3 milhão por dia. Outro cálculo citado pelo jornal considera perdas próximas de RM25 por agricultor ao dia e abrange 52.000 hectares de arrozais com plantas entre 31 e 75 dias. A Autoridade de Desenvolvimento Agrícola de Muda, MADA, afirmou em 18 de agosto que entregaria os 478.455 sacos restantes necessários aos 38.000 produtores antes do encerramento do período de fornecimento, em 1º de outubro.
A escassez mostra como falhas operacionais podem comprometer a política nacional de produção. O fertilizante aplicado tarde demais pode não gerar o aumento de produtividade pretendido durante os estágios críticos de crescimento. Para os agricultores, o problema reúne risco de perdas na colheita e custos crescentes. Para beneficiadores e compradores, uma safra menor reduziria o volume de arroz em casca doméstico disponível para processamento.
Produtividade e condições agrícolas limitam a expansão
O agricultor Zaidi Nasir, de 40 anos, disse que a produtividade atual é de apenas quatro a cinco toneladas por hectare. Na sua avaliação, melhor infraestrutura, entrega pontual de fertilizantes e sementes de arroz de maior qualidade permitiriam elevar a produção. Representantes do setor também apontam o abastecimento suficiente de água e preços de compra economicamente viáveis para o arroz em casca como condições necessárias para manter o cultivo e ampliar a oferta nacional.
Abdul Rashid Yob, presidente da Organização da Irmandade dos Produtores de Arroz da Malásia, também considera irrealista uma taxa de 80% enquanto problemas recorrentes nas propriedades, inclusive atrasos de fertilizantes, permanecerem sem solução. Ele afirmou, porém, que a meta é tecnicamente possível e lembrou que a Malásia alcançou até 90% de autossuficiência por volta de 1990, durante a época do Conselho Nacional de Arroz em Casca e Arroz.
Execução determinará a dependência das importações
A comparação histórica indica que 80% não estão necessariamente além do potencial produtivo da Malásia, mas as condições atuais são bastante diferentes. Avançar de 52,9% para 80% exigiria tanto maior produtividade quanto cultivo estável nas áreas de arroz existentes. As informações disponíveis não determinam quanta área, investimento ou produção adicional seria necessária, mas mostram que os agricultores enfrentam dificuldades para obter insumos até mesmo para a safra atual.
Enquanto distribuição de fertilizantes, irrigação, qualidade das sementes, infraestrutura e preços ao produtor não forem tratados em conjunto, a oferta doméstica poderá continuar abaixo da ambição oficial. A Malásia seguiria dependendo do arroz importado para cobrir a diferença entre produção e consumo, mantendo os compradores expostos às condições externas de oferta. O prazo de 1º de outubro será, portanto, um primeiro teste da capacidade do governo e dos órgãos agrícolas de converter a meta de autossuficiência em apoio pontual às propriedades.