Maior safra de girassol na Turquia pode reduzir preço do óleo a partir de novembro
A produção turca de girassol deve crescer cerca de 16% em 2026, para 2,3 milhões de toneladas, enquanto representantes do setor veem potencial para mais de 2,5 milhões. A produtividade maior e a redução da tarifa de importação podem aliviar os custos das processadoras, mas o impacto no varejo deve ficar mais claro apenas em novembro.
Chuvas melhores elevam a previsão de produção
A nova safra de girassol da Turquia aumenta a expectativa de redução dos custos de matéria-prima para os fabricantes de óleo comestível, embora não seja prevista uma queda imediata nos supermercados. Segundo o Mavi Kocaeli, a colheita começou em Adana em julho e está avançando pela Trácia e por outras regiões produtoras. A primeira estimativa agrícola de 2026 do Instituto de Estatística da Turquia, TÜİK, projeta uma produção de 2,3 milhões de toneladas, cerca de 16% acima do ano passado. Representantes do setor acreditam que o volume final pode superar 2,5 milhões de toneladas.
A melhora ocorre depois da seca da temporada anterior. As chuvas mais favoráveis deste ano reduziram o estresse hídrico e elevaram as expectativas de produtividade, principalmente na Trácia, principal região turca de cultivo de girassol. Hüseyin Arabacı, presidente da Câmara de Agricultura de Edirne, afirmou que as precipitações reduziram o risco de seca e trouxeram resultados positivos tanto para a produtividade quanto para a qualidade.
Edirne mostra a dimensão da recuperação esperada. A produtividade média deve subir de 140 quilogramas por decare para 217 quilogramas, enquanto a área plantada chegou a 1,261 milhão de decares. Com isso, a produção da província deve aumentar de 173 mil para 252 mil toneladas. Em partes de Kırklareli, a produtividade teria alcançado aproximadamente o dobro do nível do ano passado, acompanhada por avanços na qualidade e no teor de óleo.
Ganhos regionais ampliam a oferta
As perspectivas também melhoraram nos arredores de Istambul. Produtores de Silivri, Çatalca, Arnavutköy e Büyükçekmece esperam um crescimento de 20% a 25% no volume colhido. Esses ganhos regionais devem fornecer mais sementes nacionais às esmagadoras e aliviar parte da pressão provocada pela fraca safra anterior.
A oferta maior, porém, não gera automaticamente preços menores no varejo. A Karadenizbirlik fixou o preço preliminar de compra do girassol oleaginoso da temporada de 2026 em 34 mil liras turcas por tonelada, alta de 17,2% em relação ao ano passado. Seu diretor-geral, Ünal Erarslan, informou que o volume colhido por decare subiu para mais do dobro da temporada anterior. A combinação de maior produção com um preço de aquisição mais alto melhora a disponibilidade para as processadoras, mas limita a redução de custos que poderia resultar do aumento da oferta.
Política de importação adiciona oferta com defasagem
O Ministério do Comércio da Turquia também reduziu de 20% para 12% a tarifa de importação sobre sementes de girassol oleaginoso, com vigência a partir de 1º de outubro de 2026. O governo criou ainda uma cota tarifária de 1,25 milhão de toneladas de sementes com imposto zero, para uso entre 11 de janeiro e 31 de maio de 2027. Como alternativa, a medida permite importar 500 mil toneladas de óleo bruto com tarifa de 20%.
O acesso à cota exige a compra de girassol nacional entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. A condição apoia os produtores locais e permite que as processadoras tenham acesso a importações mais baratas em uma etapa posterior da temporada comercial. Também pode estimular as fábricas a garantir sementes turcas durante a colheita, em vez de adiar as compras à espera de importações sem tarifa.
O Mavi Kocaeli informa que nem a safra maior nem a redução da tarifa para 12% devem chegar rapidamente às prateleiras. A nova produção precisa ser entregue, esmagada, refinada e distribuída, enquanto o avanço da colheita deverá confirmar o volume e a qualidade da oferta. Representantes do setor esperam que o alívio dos custos e a queda do preço do óleo de girassol fiquem mais visíveis a partir de novembro. O efeito final no varejo dependerá de como o preço de compra mais alto, o maior rendimento de óleo e os custos menores de importação serão repassados pelas processadoras e distribuidoras.
Análise completa do mercado