Nova logística chinesa amplia concorrência para a mandioca do Vietnã
A China importou do Vietnã cerca de 1,27 milhão de toneladas de mandioca e derivados, no valor de mais de US$ 429 milhões, no primeiro trimestre de 2026. Novos projetos de processamento e logística sustentarão a demanda, mas facilitarão o acesso de fornecedores do Camboja, Laos e Tailândia ao interior chinês.
Vietnã continua muito dependente da demanda chinesa
A China importou do Vietnã cerca de 1,27 milhão de toneladas de mandioca e produtos derivados, no valor de mais de US$ 429 milhões, no primeiro trimestre de 2026, segundo o Dân Việt. As cargas representaram mais de 95% do volume total exportado pelo setor vietnamita, evidenciando sua dependência do maior comprador.
A demanda chinesa não vem apenas da indústria alimentícia. O amido de mandioca também é usado em ração animal, biocombustíveis, produtos químicos e biomateriais. O cultivo doméstico concentra-se em Guangxi, Yunnan, Guangdong e Hainan, mas o clima, a disponibilidade de terras e o retorno econômico limitam a expansão de grandes áreas produtoras.
O mercado mundial também cresce. A Mordor Intelligence prevê que o mercado global de amido de mandioca aumentará de cerca de US$ 5,93 bilhões em 2026 para US$ 8,06 bilhões em 2031, com crescimento médio anual superior a 6%. A Ásia-Pacífico deverá continuar como a maior região e a de crescimento mais rápido, com a China entre os principais motores da demanda.
Processamento e corredores avançam para o interior
A China está construindo infraestrutura para assegurar matérias-primas e processar mais mandioca no país. Em Huaihua, na província de Hunan, as autoridades promovem um grande centro industrial de amido de mandioca, com a meta de formar uma indústria de aproximadamente 100 bilhões de yuans. O complexo planejado poderá consumir até 1 milhão de toneladas de amido por ano.
Chongqing também se consolida como centro de distribuição. Sua infraestrutura está ligada ao Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo, que conecta o oeste chinês à ASEAN por ferrovias, rodovias e portos. Até o fim de 2024, mais de 120 mil toneladas de amido de mandioca haviam passado pelo corredor.
A ferrovia China-Laos permite que o amido laosiano chegue a Chongqing em cerca de 5 dias. O transporte mais rápido amplia as opções de compra dos processadores chineses e reduz a vantagem geográfica dos fornecedores próximos às rotas fronteiriças e portuárias tradicionais.
Camboja e Tailândia aumentam a pressão competitiva
Empresas estatais chinesas avançam com planos para comprar até 1 milhão de toneladas de mandioca no Camboja e estudam investimentos em unidades locais de processamento, informou o Dân Việt. A China já havia assinado um contrato para adquirir 500 mil toneladas de chips secos de mandioca cambojana em 2025-2026.
A Tailândia também tenta ampliar sua participação. Empresas tailandesas obtiveram pedidos previstos de mais de US$ 63 milhões durante um programa de promoção comercial realizado em Chongqing em 2026. O país também havia negociado a venda à China de cerca de 1,68 milhão de toneladas de mandioca fresca destinada à produção de ração.
O Vietnã mantém vantagens como proximidade, capacidade de processamento consolidada e relações comerciais antigas com compradores chineses. No entanto, a melhoria do transporte regional torna a concorrência mais direta. Qualidade uniforme, rastreabilidade, entregas confiáveis e capacidade para atender grandes pedidos ganharão mais peso do que a distância.
Para processadores e exportadores vietnamitas, a oportunidade dependerá tanto do desempenho da cadeia de suprimentos quanto do volume embarcado. Os novos centros no interior da China podem sustentar a demanda por anos, mas também facilitarão a troca entre fornecedores do Vietnã, Laos, Camboja e Tailândia. Proteger a posição vietnamita exigirá passar da venda de matéria-prima para parcerias confiáveis e produtos de maior valor agregado.