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Demanda japonesa por pellets de madeira da Indonésia dispara mais de 500% e acende alerta sobre desmatamento

As compras japonesas de pellets de madeira indonésios cresceram mais de 500%, segundo o veículo indonésio suara.com. A reportagem associa o salto nas exportações ao agravamento do desmatamento na Indonésia e aponta a fraca fiscalização das cadeias de biomassa que abastecem o setor elétrico japonês.

Demanda japonesa por pellets de madeira da Indonésia dispara mais de 500% e acende alerta sobre desmatamento

A demanda japonesa por pellets de madeira indonésios aumentou mais de 500%, e o salto nas exportações vem sendo associado ao agravamento do desmatamento na Indonésia, informou o veículo indonésio suara.com. A reportagem aponta ainda a fraca fiscalização das cadeias de suprimento de biomassa que abastecem de combustível o setor elétrico japonês à medida que os embarques crescem.

Demanda mais que quintuplicada

Segundo a suara.com, as compras japonesas de pellets de madeira indonésios cresceram mais de 500%. Um avanço dessa magnitude não é a expansão gradual de uma rota comercial consolidada, mas a criação de uma nova. Pellets de madeira são combustível lenhoso comprimido queimado em usinas termelétricas, seja em unidades dedicadas de biomassa, seja em cocombustão com carvão, e o Japão está entre os maiores compradores da Ásia.

O crescimento reflete o papel da biomassa na transição energética japonesa. Os pellets são contabilizados como combustível renovável, o que permite que a capacidade térmica existente continue operando enquanto as emissões declaradas dessas usinas caem. Um aumento de volume na escala descrita pela suara.com só pode ser atendido por importações, e a Indonésia se tornou uma das origens que absorvem essa demanda.

Desmatamento entra em foco

O problema central está a montante da fábrica de pellets. A matéria-prima pode ser resíduo de serraria, madeira de desbaste e sobras de processamento, ou podem ser árvores inteiras e madeira de áreas desmatadas. Depois de picado, seco e prensado, o material é idêntico nos dois casos, mas as consequências para a cobertura florestal não são. A suara.com relata que o desmatamento na Indonésia se agravou em paralelo ao salto das exportações para o Japão. Estão sob escrutínio:

  • a velocidade do aumento dos embarques para o Japão;
  • a origem da madeira usada na fabricação dos pellets;
  • a robustez do monitoramento e da certificação ao longo da cadeia, da floresta ao porto.

A fiscalização é o elo fraco

A segunda questão levantada pela suara.com é a qualidade da supervisão. Os pellets são negociados como commodity a granel e, uma vez processada a matéria-prima, a origem não pode ser determinada por inspeção física no porto de embarque. A verificação depende de documentos, registros de cadeia de custódia e esquemas de certificação. Onde esses controles são frágeis, o comprador tem pouca capacidade de separar pellets de resíduo de volumes ligados à derrubada de floresta — e é exatamente nessa distinção que se apoia a credencial ambiental do combustível.

O que está em jogo para o comércio

Para os produtores indonésios, a demanda japonesa é um escoadouro de horizonte longo: as usinas assinam contratos plurianuais de combustível e queimam volumes estáveis depois de entrarem em operação, o que sustenta o investimento em capacidade de peletização e logística portuária. A contrapartida dessa estabilidade é a exposição. Um comércio concentrado em um único mercado de destino se move conforme a política desse mercado, e os critérios de sustentabilidade são definidos pelo importador, não pelo exportador.

Para as elétricas japonesas, o risco não é preço, e sim continuidade de suprimento e a condição da biomassa como combustível em conformidade. Se a ligação com o desmatamento descrita pela suara.com ganhar tração entre reguladores ou nas áreas de compliance dos próprios compradores, regras mais rígidas de origem atingiriam primeiro os fornecedores incapazes de documentar a matéria-prima. Isso redistribuiria volumes entre produtores indonésios em vez de encerrar o comércio: ganhariam operadores integrados com fluxos de resíduo verificáveis, e sairiam as fábricas menores que mais cresceram durante o salto. Disso também depende quanto do atual crescimento exportador é duradouro e quanto se sustenta apenas porque a demanda correu à frente da fiscalização.

Análise completa do mercado

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