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Insolvências da moda italiana subiram 19% em 2025, aponta a Allianz Trade

As insolvências do setor têxtil e de vestuário da Itália cresceram 19% em 2025, com aumento também no número e no valor dos sinistros, segundo análise da Allianz Trade. O setor faturou 58,39 bilhões de euros e vendeu quase 37 bilhões no exterior, mas a necessidade de capital de giro aumenta. Os tecidos técnicos e industriais para defesa, saúde, automotivo e construção aparecem como a demanda mais estável.

Insolvências da moda italiana subiram 19% em 2025, aponta a Allianz Trade

As insolvências da indústria têxtil e de vestuário da Itália aumentaram 19% em 2025, enquanto cresceram também o número e o valor dos sinistros do seguro de crédito, segundo análise da Allianz Trade divulgada no dia de abertura da Semana de Moda de Milão 2026. O relatório, noticiado pelo Be Bankers com base em material distribuído pela agência Agi, descreve um setor que entra em uma fase de maior seleção e maturidade, com pressão crescente sobre margens e liquidez e uma distância cada vez maior entre as empresas que transformam vendas em caixa e as que não conseguem.

A deterioração atinge um setor que continua sendo um dos pilares da indústria italiana. Os números citados para 2025 são:

  • faturamento de 58,39 bilhões de euros;
  • mais de 37 mil empresas;
  • cerca de 372 mil empregados, aproximadamente 9,5% da mão de obra da indústria de transformação;
  • vendas externas de quase 37 bilhões de euros, com propensão a exportar acima de 63%.

Força exportadora diante de um mercado mais lento

A exportação segue como um dos principais pontos fortes do setor: com propensão a exportar superior a 63%, quase dois terços da produção são vendidos fora da Itália. Essa dependência funciona nos dois sentidos. Segundo a Allianz Trade, o forte crescimento dos dois anos seguintes à pandemia deu lugar a um cenário mais complexo, com desaceleração da demanda internacional e sinais de menor dinamismo no mercado de luxo.

Ao mesmo tempo, cresce a concorrência das plataformas digitais de baixo custo, do ultra-fast fashion e do mercado de usados. Os consumidores compram com menos frequência e valorizam cada vez mais qualidade, durabilidade e sustentabilidade. No plano global, a seguradora associa a pressão às tensões comerciais ligadas a guerras e tarifas, que estão redesenhando as cadeias de fornecimento têxteis, enquanto a alta dos custos de produção se transfere para as margens e os prazos de pagamento e, ao final, para as insolvências.

Caixa, e não faturamento, separa as empresas

Em um mercado que se tornou mais seletivo, a gestão financeira ganha peso. A Allianz Trade registra aumento da necessidade de capital de giro e maior dificuldade em converter rapidamente o faturamento em liquidez. Os sinais de deterioração também aparecem nos indicadores de risco de crédito, ao lado do aumento do número e do valor dos sinistros no setor.

“Na fase atual não basta crescer em faturamento. Do ponto de vista do risco de crédito, observamos uma diferença crescente entre empresas que conseguem transformar receita em liquidez e empresas que, mesmo mantendo volumes significativos, mostram maior tensão no capital de giro. A gestão das cobranças, dos estoques e da concentração da carteira de clientes tornou-se um fator determinante de resiliência”, explica Andrea Resteghini, credit underwriter da Allianz Trade.

Tecidos técnicos com demanda mais estável

As perspectivas mais favoráveis dizem respeito aos tecidos técnicos e industriais destinados a setores como defesa, saúde, automotivo e construção, nos quais a demanda é mais estável do que na moda tradicional. A Allianz Trade aponta a inteligência artificial, os tecidos técnicos e a sustentabilidade como as principais alavancas de desenvolvimento do setor.

Sustentabilidade, rastreabilidade e circularidade tornam-se cada vez mais relevantes tanto para a competitividade das empresas quanto para o acesso a mercados. Para fornecedores e compradores da cadeia, a consequência prática dos números de 2025 é um ambiente de crédito mais rígido: com sinistros em alta em frequência e valor, seguradoras e bancos passam a diferenciar as empresas pela capacidade de gerar caixa, e não pelas vendas declaradas, e a concentração em poucos clientes é precificada como risco próprio.

Análise completa do mercado

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