Licenciamentos de automóveis na Itália sobem 9,9% em setembro e BYD mais que dobra as vendas
A Itália licenciou 139.356 automóveis novos em setembro de 2026, alta de 9,9% em um ano, com 1.268.964 unidades nos nove primeiros meses. A Stellantis elevou sua participação a 27,8% com a Leapmotor incluída, enquanto a BYD mais que dobrou os registros, para 5.161 carros e 3,8% do mercado. A associação de concessionárias Federauto afirma que o volume é sustentado por locadoras e concessionárias, não por clientes particulares.
O mercado italiano de automóveis novos manteve a sequência de crescimento em setembro de 2026, com 139.356 carros de passeio licenciados, 9,9% mais do que no mesmo mês de 2025, segundo dados do Ministério dos Transportes divulgados pelo Corriere della Sera e pelo SoldiOnline. Nos nove primeiros meses, os licenciamentos chegaram a 1.268.964 unidades, alta de 8,7% em um ano.
As leituras sobre o ritmo do mês divergem. O Quattroruote calcula alta de 10,2% em setembro, depois de 3,2% em agosto, enquanto o Teleborsa, publicado no site financeiro do Repubblica, descreve um mercado que cresce em ritmo mais lento do que antes. Dentro do total, apenas o segmento de carros de passeio avançou 9,7%, de acordo com os números citados pelo Corriere della Sera.
Stellantis cresce acima do mercado
A Stellantis, incluída a marca da joint venture Leapmotor, licenciou 38.704 carros em setembro, alta de 12,6% que elevou sua participação de 27,1% para 27,8%. Em nove meses, o grupo somou 379.936 licenciamentos, 13,9% mais, com participação de 29,9% contra 28,6% um ano antes.
Sem a Leapmotor o quadro é mais estreito. Pelos dados da Dataforce, as vendas da Stellantis subiram 7,5% em setembro, com participação de 26,2%. Nos nove meses, os volumes sem a Leapmotor cresceram 6,2% e a fatia ficou em 27,7%, 0,7 ponto abaixo do mesmo período de 2025 — ou seja, as marcas próprias do grupo cresceram menos do que o mercado italiano.
A Fiat segue como marca líder, com 15.876 licenciamentos em setembro, 11,4% de participação e alta de 1,7%; em nove meses acumulou 144.464 unidades, 1,8% mais, também com 11,4%. O modelo mais vendido do mês foi o Fiat Pandina, com 10.401 licenciamentos e 7,5% do mercado, seguido por Jeep Avenger, Peugeot 3008, Fiat Grande Panda e Citroën C3 na segunda, terceira, sexta e nona posições. O Quattroruote apontou um Peugeot como a surpresa do ranking de setembro. Antonella Bruno, diretora-geral da Stellantis Italia, afirmou que os resultados «reafirmam a força das nossas marcas».
BYD dobra volumes e Leapmotor se multiplica
A BYD licenciou 5.161 carros na Itália em setembro, alta de 108,9% em um ano, com 3,8% de participação. Foi o quinto mês consecutivo da marca entre as dez maiores do país e o maior crescimento anual entre todas as marcas no mês. De janeiro a setembro, o grupo chinês registrou 41.697 automóveis contra 14.875 um ano antes, avanço de 180,3% e fatia de 3,3%.
A BYD também lidera o segmento NEV — elétricos a bateria mais híbridos plug-in — com 5.161 registros e 19,8% de participação em setembro, mais que dobrando o volume do ano anterior; no acumulado, detém 18,7% do mercado NEV com 41.697 unidades. Os licenciamentos de híbridos plug-in superaram pela primeira vez os dos híbridos convencionais, mudança que favorece marcas com linha plug-in ampla.
- Leapmotor: 2.200 licenciamentos em setembro, alta de 453%, equivalentes a 1,6% de todos os carros de passeio e 2,1% do canal de particulares.
- O Leapmotor T03 continua entre os elétricos mais procurados da Itália, enquanto o B03X, lançado há poucas semanas, já é o modelo elétrico mais vendido do segmento B-SUV.
- BYD na locação de longo prazo: 1.406 licenciamentos em setembro, alta de 56,7%, com 4,6% do canal; 7.116 unidades em nove meses, 68% mais, e fatia de 2,6%.
- O ritmo da BYD em nove meses, de 180,3%, contrasta com os 8,7% do mercado italiano como um todo.
Concessionárias questionam a composição do crescimento
Massimo Artusi, presidente da associação de concessionárias Federauto, considerou positivo o aumento dos licenciamentos, mas observou que uma análise atenta dos canais de venda «revela uma heterogeneidade de fundo marcada por condições conjunturais» que se alternam ou se somam de mês para mês, deixando o resultado mensal com pouco valor para uma análise de perspectiva.
Segundo Artusi, o volume é sustentado sobretudo por locadoras e concessionárias, e não por compradores particulares, que adquirem um carro «somente se apoiados por incentivos relevantes». Ele comparou essa estrutura de canais a um emplastro provisório sobre um mal-estar que impede o mercado de recuperar sua previsibilidade e estabilidade normais.