Itália lança incentivos ao hidrogênio de até €400 milhões por ano
A Itália criou um mecanismo nacional de apoio ao hidrogênio renovável e ao bio-hidrogênio, com limite de €400 milhões por ano. Procedimentos competitivos realizados ao menos semestralmente entre 2026 e 2029 abrangerão até 200 mil toneladas de capacidade produtiva anual.
Itália define limites de recursos e capacidade
O Ministério do Meio Ambiente e da Segurança Energética da Itália, MASE, implementou um mecanismo nacional de apoio ao hidrogênio renovável e ao bio-hidrogênio. Anunciada em 10 de agosto de 2026, a medida estabelece um teto anual de €400 milhões para os incentivos e permite apoiar até 200 mil toneladas de capacidade produtiva por ano.
Segundo o La Milano, o programa busca criar um ambiente estável para investimentos na cadeia italiana do hidrogênio. Poderão participar projetos que produzam hidrogênio com fontes e processos compatíveis com as metas de descarbonização. O mecanismo inclui hidrogênio renovável obtido por eletrólise com eletricidade renovável que atenda aos requisitos e bio-hidrogênio produzido a partir de biomassa, biogás ou biometano conforme as regras aplicáveis.
Leilões competitivos seguirão até 2029
Os incentivos serão concedidos por procedimentos públicos competitivos, e não automaticamente a todos os projetos elegíveis. Os produtores apresentarão propostas segundo as condições de cada rodada. A classificação considerará o desconto oferecido em relação ao preço máximo do leilão, favorecendo as usinas que necessitem de menos apoio público para produzir hidrogênio.
O calendário do MASE prevê procedimentos competitivos pelo menos a cada seis meses entre 2026 e 2029. As diferentes janelas darão aos desenvolvedores mais oportunidades para apresentar projetos e permitirão que a capacidade cresça gradualmente. O cronograma plurianual também pretende oferecer maior previsibilidade a empresas e investidores envolvidos em empreendimentos industriais com prazos longos de desenvolvimento e construção.
Indústria e transporte pesado são prioritários
O ministro do Meio Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto, afirmou que a medida oferecerá um instrumento estável e competitivo para ampliar a cadeia italiana do hidrogênio renovável. Ele associou o programa tanto à redução das emissões quanto à segurança energética nacional e à competitividade da indústria italiana. O governo espera que o desenvolvimento da cadeia fortaleça competências tecnológicas e industriais ligadas às unidades de produção, à infraestrutura e aos sistemas de uso do hidrogênio.
Os principais mercados-alvo são a indústria e o transporte pesado, especialmente as atividades em que a eletrificação direta é técnica ou economicamente difícil. O hidrogênio pode atuar como matéria-prima industrial ou vetor energético em processos de alto consumo, enquanto o transporte pesado exige autonomia, capacidade energética e continuidade operacional. Com a competição por preço, o governo pretende direcionar os recursos públicos aos projetos mais eficientes, estimular a inovação e reduzir a diferença de custo entre o hidrogênio de baixas emissões e as alternativas convencionais. A iniciativa também integra o caminho europeu para a neutralidade climática até 2050 e está alinhada ao Pacto Ecológico Europeu e ao pacote legislativo Fit for 55.