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Exportações de vinho italiano caem 6,2% no primeiro semestre de 2026, com recuo de 14,1% nos Estados Unidos

As exportações de vinho italiano caíram 6,2% em valor no primeiro semestre de 2026, para pouco mais de 3,6 bilhões de euros, com queda de 4% em volume, segundo o Observatório da Unione italiana vini com base em dados do Istat. Os Estados Unidos, principal destino, recuaram 14,1%, para 849 milhões de euros, enquanto China, Mercosul e Rússia cresceram. Os espumantes resistiram com alta de 0,4%, contra queda de 8,9% dos vinhos tranquilos engarrafados.

Exportações de vinho italiano caem 6,2% no primeiro semestre de 2026, com recuo de 14,1% nos Estados Unidos

As exportações de vinho italiano caíram 6,2% em valor no primeiro semestre de 2026, para pouco mais de 3,6 bilhões de euros, enquanto os volumes recuaram 4%. Os dados são do Observatório da Unione italiana vini (UIV), com base em estatísticas do Istat. Cerca de uma em cada duas garrafas de vinho italiano é vendida no exterior, o que faz do resultado semestral uma medida direta da saúde comercial do setor.

O Il Sole 24 Ore informou que, em junho de 2026, nove dos dez principais destinos do vinho italiano estavam em terreno negativo. Os preços médios de exportação caíram 2,3%, sinal de que os produtores cederam nas tabelas para defender espaço nas gôndolas e participação de mercado. Segundo o jornal, o esforço não deu resultado: a redução de preços não conteve a queda nem em valor nem em volume.

Estados Unidos puxam o semestre para baixo

Os Estados Unidos fecharam o semestre em 849 milhões de euros, queda de 14,1%, e seguem como o maior mercado externo do vinho italiano apesar do recuo. O preço médio de exportação para o mercado americano caiu 7,8%, movimento que o Il Sole 24 Ore atribui às tentativas das empresas italianas de absorver o impacto das tarifas em seu principal destino.

Os outros dois grandes mercados europeus também perderam terreno. A Alemanha recuou 6,8%, para 534 milhões de euros, e o Reino Unido 6,6%, para 346 milhões. O Gustoblog apontou que a demanda nessas praças tradicionais ficou mais seletiva e a concorrência internacional mais agressiva, levando vários produtores italianos a cortar tabelas como medida defensiva.

China, Mercosul e Rússia na contramão

Os sinais na contramão mais claros vieram da Ásia e da América do Sul. A China cresceu 19,8%, o Brasil 8,2% e todo o bloco do Mercosul 18,4%. A Rússia foi a única exceção entre os dez maiores destinos, com vendas 15,7% maiores; o Il Sole 24 Ore destacou o papel do hub letão nesse fluxo. Nenhum desses avanços foi suficiente para compensar a contração dos mercados que sustentam há anos a maior parte da exportação italiana.

  • Estados Unidos: -14,1%, para 849 milhões de euros
  • Alemanha: -6,8%, para 534 milhões de euros
  • Reino Unido: -6,6%, para 346 milhões de euros
  • China: +19,8%; Brasil: +8,2%; Mercosul: +18,4%
  • Rússia: +15,7%, único destino do top 10 em alta

O presidente da UIV, Lamberto Frescobaldi, associou o resultado a uma mudança mais ampla do consumo internacional. “O vinho italiano, como os demais grandes países produtores, paga por uma queda estrutural da demanda em nível global, agravada por fatores conjunturais ligados ao poder de compra e às tensões geopolíticas”, afirmou. “Estamos convencidos da necessidade de enfrentar essas dificuldades por meio de uma reorganização sistêmica do nosso setor, conscientes do valor socioeconômico que ele representa.”

Espumantes resistem, vinhos tranquilos recuam

Por categoria, os espumantes foram os mais resistentes e encerraram o semestre com alta de 0,4%, enquanto os vinhos tranquilos engarrafados caíram 8,9%. O Gustoblog observou que a demanda por espumantes se mostra mais estável graças a ocasiões de consumo mais amplas e a uma presença consolidada na gastronomia internacional e no grande varejo.

O recorte regional segue a mesma divisão. Entre as três maiores regiões exportadoras da Itália, o Vêneto perdeu 8,4% e a Toscana 7,4%, enquanto o Piemonte voltou ao segundo lugar com alta de 2,4% nas vendas externas, sustentada pela forte recuperação do Asti Spumante após um 2025 fraco.

Dados do verão e resposta do governo

O Observatório da UIV indicou que o choque de mercado dos últimos doze meses pode se atenuar levemente, salvo agravamento das tensões internacionais. Os dados provisórios de julho e agosto nas praças fora da União Europeia apontam para uma possível retomada, com recuperação de dois dígitos nos Estados Unidos em relação a um período de 2025 muito fraco. A UIV ressaltou que são números preliminares, dependentes das tarifas e da evolução geopolítica.

Os dados foram divulgados pouco depois de o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, participar em Barolo do corte simbólico do primeiro cacho de Nebbiolo da safra de 2026, conforme relatou o italiaatavola.net. Ele pediu ao setor que atravesse esta fase com medidas voltadas às necessidades das empresas e maior atenção aos mercados asiáticos, que ofereceram os sinais mais animadores do semestre.

Análise completa do mercado

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