Irã pode reduzir importações de carne vermelha com enfraquecimento da moeda
A fraqueza da moeda iraniana e a alta regional dos preços do gado estão eliminando a vantagem da carne importada sobre a produção nacional. A melhora das pastagens e da reprodução dos rebanhos pode sustentar a oferta local, enquanto a perda de poder de compra reduz a demanda.
Carne importada perde vantagem de preço
O Irã pode importar menos carne vermelha neste ano, pois o enfraquecimento de sua moeda e a alta dos preços do gado reduzem a competitividade da oferta estrangeira diante da produção nacional. Rouhollah Zahmatkesh, vice-ministro para Assuntos de Produção Animal do Ministério da Jihad Agrícola, afirmou que as decisões de importação devem considerar preços mundiais, taxa de câmbio, capacidade produtiva interna e mudanças no consumo das famílias.
Segundo a ISNA, alguns importadores alertaram para uma possível escassez de carne vermelha e aumentos de preços durante os meses iranianos de Aban e Azar. Os produtores nacionais argumentam que a melhora das pastagens, o aumento dos nascimentos e a maior incidência de partos gemelares nos rebanhos criaram capacidade para atender a grande parte das necessidades do país. A inflação dificulta as projeções: quanto maior a diferença de preço entre carne vermelha e frango, mais consumidores migram para aves e outras fontes de proteína.
Preços regionais mudam a viabilidade das compras
O gado vivo iraniano pode alcançar cerca de 7 dólares por quilograma em alguns países vizinhos, equivalentes a aproximadamente 1,5 milhão de tomans por quilograma ao câmbio vigente, conforme as informações de mercado citadas por Zahmatkesh. Como o rendimento de carcaça dos ovinos se aproxima de 50% no melhor cenário, a carne resultante pode superar 3 milhões de tomans por quilograma nos mercados de destino. O poder aquisitivo relativamente alto dos países vizinhos também amplia o incentivo para a saída informal de animais do Irã.
As ofertas de alguns tipos de carne ou gado importado estão em torno de 5-5,5 dólares por quilograma. Zahmatkesh afirmou que nem mesmo animais de descarte ou vacas paquistanesas mais velhas custam menos de 5 dólares. Transporte, seguro, armazenagem e distribuição reduzem ainda mais a diferença entre a carne importada e a iraniana. A importação de carne fresca exige logística mais cara, enquanto a congelada encontra demanda menor porque os consumidores iranianos geralmente a consideram de qualidade inferior.
Os consumidores esperam que a carne congelada seja pelo menos 30%-40% mais barata que a fresca, diferença que os importadores não conseguem oferecer com os preços mundiais e o câmbio atuais. O ministério não impôs obstáculos às compras externas, mas muitas empresas concluem que a operação já não proporciona o retorno anterior ou que será difícil vender o produto. As importações ainda podem estabilizar o mercado ao abastecer universidades, instalações militares e outros grandes consumidores, mesmo sem reduzir diretamente os preços no mercado livre.
Importação pode migrar da carne para o gado
Tradicionalmente, o Irã importa cerca de 100.000-150.000 toneladas de carne vermelha por ano. Zahmatkesh afirmou que o país talvez não necessite desse volume neste ano, pois a melhora das pastagens e da produção interna coincide com a queda do consumo provocada pela perda de poder de compra. Para ele, as compras devem acompanhar o déficit real do mercado, em vez de repetir volumes históricos.
Uma proposta prevê importar do Paquistão bovinos próximos do fim do ciclo de engorda, em lugar da compra direta de carne congelada. As fazendas iranianas concluiriam a engorda, manteriam a capacidade nacional em atividade e forneceriam carne fresca ou congelada de acordo com as necessidades dos grandes clientes institucionais. A execução ainda dependerá da viabilidade econômica e dos requisitos sanitários e de quarentena. A necessidade final de importação também deverá considerar o peso dos animais, taxas de nascimento, mortalidade, saída de gado, abates e demanda efetiva, não apenas o tamanho do rebanho.