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Envio do dossiê nuclear iraniano ao Conselho de Segurança eleva o risco para uma indústria automotiva já fragilizada

O envio do dossiê nuclear do Irã ao Conselho de Segurança atinge um mercado automotivo que já operava com escassez de divisas, inflação, comércio exterior desorganizado e problemas de suprimento de peças. O veículo iraniano Asbe Bokhar afirma que a medida, por si só, não implica novas sanções, mas o nível de risco político e comercial do país subiu. O resultado provável são custos de produção maiores, oferta mais restrita e um mercado real menor.

Envio do dossiê nuclear iraniano ao Conselho de Segurança eleva o risco para uma indústria automotiva já fragilizada

O envio do dossiê nuclear do Irã ao Conselho de Segurança chegou a um mercado automotivo que já operava sob várias restrições simultâneas: escassez de divisas, inflação, comércio exterior desorganizado, alta dos custos de transporte e dificuldade persistente para obter componentes. Segundo o veículo especializado iraniano Asbe Bokhar, a intensificação da pressão política pode levar os problemas de produção e importação de veículos a uma nova fase.

A Asbe Bokhar ressalta que o envio não significa, por si só, a imposição imediata de novas sanções nem o início de uma crise militar. Sua mensagem econômica é mais estreita, mas clara: o nível de risco político e comercial do Irã subiu. Para um setor que já enfrenta queda da produção, aperto de liquidez, dificuldade de acesso a divisas e interrupções no suprimento de peças, essa não é uma boa notícia.

As divisas são o principal canal de transmissão

A publicação aponta as divisas como a principal via pela qual a pressão política chega ao mercado automotivo. O problema não é apenas um dólar mais caro; mais relevante é que o acesso às divisas fica mais difícil e os recursos disponíveis, mais limitados.

Se as receitas petrolíferas caírem e o acesso às fontes de divisas se estreitar, o Estado terá de priorizar a alocação. Apesar de seu peso econômico, a indústria automotiva não pode supor que estará sempre no topo dessa lista, escreve a Asbe Bokhar.

A nacionalização da produção protege apenas em parte. Mesmo os modelos com alto conteúdo local seguem ligados ao comércio exterior por meio de:

  • componentes eletrônicos;
  • matérias-primas específicas;
  • equipamentos de produção e máquinas;
  • peças especializadas.

Por isso, uma crise de câmbio aparece, mais cedo ou mais tarde, na fábrica.

Primeiro as montadoras de kits, depois os fabricantes de peças

As grandes fabricantes nacionais dependem menos de importação direta do que as unidades de montagem, mas não estão imunes. Qualquer interrupção no suprimento de componentes pode desacelerar a produção, aumentar o número de veículos incompletos ou parar linhas temporariamente. O choque não atinge um setor saudável: a produção já vinha caindo, de modo que a pressão recai sobre uma indústria já trincada. O resultado provável são custos de produção maiores e oferta menor, combinação que no fim amplia a pressão sobre os preços.

As empresas de montagem devem estar entre as primeiras a sentir o aumento da pressão externa. A dependência de kits CKD importados, motores, caixas de câmbio, equipamentos eletrônicos e outros conjuntos trazidos do exterior transfere as restrições cambiais e comerciais diretamente para suas linhas de produção.

Os amplos laços comerciais com a China também não garantem imunidade total, observa a reportagem. Comprar a mercadoria é uma questão; transferir o dinheiro, contratar seguro e transporte e encontrar contrapartes dispostas a assumir o risco da operação é outra. Sob sanções, a distância entre «podemos comprar» e «podemos importar» pode aumentar.

Os fabricantes de autopeças talvez sejam o elo mais importante dessa cadeia. Enfrentam ao mesmo tempo a alta das matérias-primas, o aumento dos custos de produção, a falta de liquidez e problemas cambiais. Se as montadoras ainda atrasarem o pagamento do que devem aos fornecedores, a pressão dobra.

Preços de anúncio em alta, mercado real mais fino

O segmento de veículos importados será naturalmente mais sensível. Quanto mais limitados os recursos em divisas e maior o risco do comércio exterior, maior a probabilidade de desaceleração das importações. Menos importação significa oferta mais estreita e, num mercado com expectativas de inflação altas, oferta mais estreita normalmente se traduz em preços maiores. Nessas condições, até carros estrangeiros usados podem absorver parte da demanda de investimento como ativo alternativo.

A Asbe Bokhar alerta contra a suposição de que maior risco político signifique automaticamente um mercado automotivo mais forte. A demanda especulativa pode subir no curto prazo, mas, se a crise se prolongar, a queda do poder de compra das famílias será o efeito dominante. Os preços podem subir enquanto o número de negócios cai: preços pedidos e anúncios sobem, ao mesmo tempo que o mercado real afunda numa recessão mais profunda.

O efeito do envio do dossiê não deve, portanto, ser analisado separadamente das outras pressões já existentes — menores receitas petrolíferas, restrições ao comércio marítimo, custos maiores de frete e seguro, inflação, saltos cambiais e problemas de transferência de recursos. Se a tensão política diminuir, parte desse risco pode recuar. Se a pressão aumentar, avalia o veículo, o problema deixa de ser o simples encarecimento dos carros e se torna uma crise de oferta, produção e fornecimento de peças, com o perigo maior sendo a perda de poder de compra e um mercado real menor.

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