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Setor de azeitona do Irã avalia pacto nacional diante da escassez de água

A indústria de azeitona do Irã avalia um pacto nacional para coordenar política hídrica, pesquisa, investimento industrial, qualidade e desenvolvimento de mercados. Pressão climática, falta de divisas, equipamentos antigos e baixo poder de negociação dos produtores afetam toda a cadeia.

Setor de azeitona do Irã avalia pacto nacional diante da escassez de água

Pressão atinge toda a cadeia da azeitona

A indústria de azeitona do Irã avalia um marco nacional de coordenação enquanto a escassez de água, as mudanças climáticas e as restrições comerciais pressionam produtores, processadores e exportadores. Segundo a Mehr News, o proposto “Pacto Nacional da Indústria da Azeitona” reuniria governo, universidades, empresas privadas, agricultores, processadores e associações setoriais em torno de um roteiro comum de longo prazo.

Os problemas vão dos olivais ao varejo. Aumentam os custos de fertilizantes, pesticidas, água, mão de obra e outros insumos, mas os produtores consideram insuficientes os preços recebidos. A inflação e a perda do poder de compra fazem o consumidor tratar o azeite cada vez mais como um produto caro ou de luxo. Intermediários e grandes comerciantes capturam parte da margem, deixando o agricultor com baixo retorno e o comprador com preços finais elevados.

Disponibilidade de água definirá a expansão

Mahmoud Houshyarfard, integrante do Centro de Pesquisa Agrícola e de Recursos Naturais de Gilan, disse à Mehr News que a gestão dos recursos hídricos é o maior obstáculo à expansão do setor. Embora a azeitona gere alto valor agregado, novos olivais não deveriam ser implantados sem avaliação da capacidade hídrica de cada região. A expansão no noroeste e em áreas semiáridas pode entrar em conflito com a política nacional de gestão da água.

O pacto distinguiria as regiões capazes de sustentar a produção daquelas onde novos plantios deveriam ser limitados ou direcionados a modelos de menor consumo de água. Isso exige estudos climáticos, econômicos e hídricos detalhados. Mudanças no regime de chuvas e secas mais longas podem reduzir a colheita e enfraquecer as economias rurais. Se o cultivo deixar de ser viável, a migração dos agricultores poderá alterar a estrutura econômica e social das áreas produtoras.

Processamento moderno, rastreabilidade e exportação

O processamento enfrenta outro gargalo. Investidores interessados em equipamentos modernos de extração e embalagem esbarram na falta de divisas e nas dificuldades para importar máquinas. O pacto propõe políticas cambiais e financiamento adequados para aproximar a qualidade dos padrões internacionais. Instituições científicas pesquisariam variedades adaptadas ao clima, mudas melhoradas, irrigação eficiente e tecnologia local, enquanto as normas de produção, extração e embalagem seriam atualizadas regularmente.

O plano também prevê unidades regionais modernas capazes de processar a azeitona logo após a colheita, além de treinamento em poda científica, nutrição das árvores, manejo de pragas e práticas pós-colheita. O manejo integrado e o controle biológico reduziriam a dependência de pesticidas químicos perigosos. Pequenos agricultores poderiam formar consórcios de exportação para reunir, processar, embalar e vender a produção sob uma marca comum, fortalecendo sua posição diante dos intermediários.

Confiança do mercado continua decisiva

Os exportadores enfrentam tarifas, forte concorrência dos grandes produtores, restrições comerciais e pouco reconhecimento das marcas iranianas. O marco aponta os países da Eurásia e os mercados do Golfo como prioridades para uma diplomacia comercial mais ativa e para apoio jurídico e comercial. Também propõe rastreabilidade por códigos QR, com informações sobre o olival, a região, a data da colheita, o processo de extração e as especificações do produto.

Plataformas de compra direta poderiam reduzir a distância entre agricultores e consumidores. Houshyarfard alertou, porém, que o pacto pode ficar no papel sem um mecanismo claro de execução. Iniciativas anteriores frequentemente tratavam separadamente o cultivo, a exportação ou o processamento. A nova proposta parte do princípio de que elevar a produção não basta se capacidade industrial, qualidade, acesso a mercados e política hídrica não avançarem em conjunto.

Análise completa do mercado

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