PTPN inicia projeto-piloto de soja em 1.000 hectares para reduzir dependência da Indonésia de importações
A PTPN IV PalmCo iniciou o plantio experimental de soja em 1.000 hectares distribuídos por 20 locais, usando áreas que aguardam o replantio de palma de óleo. O projeto avaliará se o modelo pode ganhar escala num mercado em que as importações corresponderam a 97% do déficit médio de soja dos últimos cinco anos.
Plantio começa em 20 locais
O grupo estatal de plantações PTPN lançou um projeto-piloto para cultivar soja em 1.000 hectares, com o objetivo de apoiar a segurança alimentar nacional e reduzir a dependência da Indonésia de importações. O programa é executado pela PT Perkebunan Nusantara IV PalmCo, subholding da PTPN III, em 20 locais nas áreas operacionais do grupo.
O primeiro plantio foi centralizado na plantação Adolina Estate Regional 2, na regência de Serdang Bedagai, em Sumatra do Norte. A VIVA informou que o local foi conectado pela internet a equipes regionais que realizaram a mesma atividade em outras seis províncias, indicando presença em sete províncias. Já o Tribunnews relatou plantio simultâneo em seis províncias em 28 de agosto de 2026. As duas publicações apontam uma área inicial total de 1.000 hectares.
Soja ocupará áreas antes do replantio da palma
Toda a terra destinada ao projeto está em zonas de replantio ou conversão de palma de óleo da PTPN. Segundo Jatmiko K. Santosa, presidente-diretor da PTPN IV PalmCo, a empresa pretende cultivar soja durante um intervalo de aproximadamente seis meses antes que as palmeiras sejam plantadas novamente. A estratégia permite utilizar temporariamente as áreas disponíveis sem substituir de forma permanente a principal cultura da companhia.
O piloto também representa uma nova cultura para a empresa. Jatmiko afirmou que a PTPN IV nunca havia plantado soja e, por isso, começaria com 1.000 hectares. Uma expansão dependerá do sucesso do teste e da comprovação de sua viabilidade operacional e econômica. A Danantara orientou a companhia a manter cautela nos investimentos antes de avançar para uma área substancialmente maior.
Importações dominam a oferta de soja na Indonésia
A Indonésia importou 2,56 milhões de toneladas de soja em 2025, segundo dados da Agência Central de Estatística citados pelo Tribunnews. Cerca de 90% das compras vieram dos Estados Unidos, enquanto o restante teve origem em países como Brasil, Argentina e Canadá. A produção doméstica continua insuficiente para atender à demanda.
Jatmiko afirmou que o déficit médio de soja da Indonésia nos últimos cinco anos foi de 2,5 milhões de toneladas anuais, com as importações representando 97%. Diante dessa escala, o programa de 1.000 hectares é um teste agronômico e comercial, e não um substituto imediato para os volumes importados. As fontes não informaram a produtividade esperada, os custos de produção, as variedades de sementes, os acordos de compra nem o prazo para decidir sobre a expansão.
Escala determinará o efeito sobre o comércio
O Ministério da Agricultura apresentou o plantio como parte do programa nacional de autossuficiência alimentar. Arief Muliawan, representante da Direção-Geral de Culturas Alimentares, afirmou que a iniciativa poderá servir de exemplo para outras empresas indonésias se for bem-sucedida. O apoio do governo cria uma possível rota para replicar o modelo, mas nenhuma empresa adicional ou meta futura de área foi identificada.
Para processadores e importadores de soja, o cenário de oferta no curto prazo permanece praticamente inalterado. Uma redução relevante da dependência importadora exigiria que o modelo avançasse muito além de 1.000 hectares e entregasse produtividade consistente no curto intervalo entre os ciclos da palma. O principal valor do piloto será gerar dados práticos sobre a capacidade dessas áreas de produzir soja em escala suficiente e a custos aceitáveis antes que a PTPN comprometa mais capital.