Incerteza regulatória e disputa por capital global travam o upstream de petróleo e gás da Indonésia
O potencial de petróleo e gás da Indonésia não se converte automaticamente em investimento: investidores cobram segurança regulatória, licenciamento ágil e prazos curtos entre descoberta e início de produção. Analistas e empresas como bp e ExxonMobil afirmam que os projetos disputam capital global em retorno, risco e certeza de execução.
O setor de exploração e produção de petróleo e gás da Indonésia continua atraindo o interesse de companhias internacionais, mas reservas no subsolo não bastam para garantir capital, segundo reportagem do Jejak Kata. Os investidores querem segurança quanto à regulação e ao licenciamento, além da garantia de que o projeto vai produzir conforme a economicidade usada na aprovação.
Pri Agung Rakhmanto, especialista em petróleo e gás da Universitas Trisakti e fundador do ReforMiner Institute, afirmou na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, que a competitividade do investimento em upstream é definida por dois tipos de risco.
Dois tipos de risco
- Risco de subsolo — a incerteza de encontrar e desenvolver reservas.
- Risco de superfície — política, burocracia, infraestrutura e previsibilidade de mercado.
“Do lado do risco de subsolo, estamos entre os três ou quatro primeiros da Ásia-Pacífico”, disse Pri Agung. O potencial de recursos do país é grande, acrescentou, mas precisa ser sustentado por um ambiente de investimento capaz de competir com outros países da região. Segurança política, rumo econômico, regulação e licenciamento entram nos cálculos dos investidores.
Companhias internacionais como Eni, Petronas e Mubadala ainda veem a Indonésia como destino potencial de investimento, informou o Jejak Kata. O desafio é transformar esse interesse em decisões de investimento e em projetos que de fato andem. A questão não é apenas encontrar petróleo, mas com que rapidez ele pode ser produzido.
Da descoberta ao início da produção
Pri Agung destacou o intervalo entre a descoberta e o início da produção. Quanto maior a lacuna, maior a pressão sobre a economicidade do projeto e sobre a percepção dos investidores.
“Quanto mais demorado o caminho da descoberta até a produção, mais negativo é o sinal e menor o valor econômico do projeto para o investidor”, afirmou. O governo adotou uma série de melhorias fiscais, mas a disputa por capital global não respeita fronteiras, e os projetos indonésios são comparados a alternativas em outros países. Por isso o sucesso da política não pode ser medido apenas pelo valor do investimento que entra, mas também pelo aumento de reservas, produção e lifting.
Operadoras apostam na parceria
Kathy Wu, presidente regional da bp para a Ásia-Pacífico, disse que a parceria estratégica com o governo é parte importante da construção da confiança do investidor. Para ela, projetos na Indonésia precisam ser competitivos em taxa de retorno, risco, certeza de execução e concretização dos resultados do investimento.
Wade Floyd, presidente da ExxonMobil Indonesia, expressou visão semelhante ao citar os 128 anos da companhia na Indonésia, incluindo a participação no desenvolvimento do campo Banyu Urip, no bloco Cepu. “Nossa longa história foi construída sobre parceria e colaboração”, disse Floyd.
Projetos sob acompanhamento
Projetos estratégicos como Abadi Masela e North Hub/Geng North–Gehem, além da exploração conduzida pelos contratados de contratos de cooperação (KKKS), fazem parte da agenda de desenvolvimento do upstream. Esses projetos exigem acompanhamento em cada etapa para que os planos de investimento não fiquem no papel.
O tema esteve entre os assuntos discutidos no FOREK Hulu Migas 2026, fórum que reúne governo, indústria, investidores e demais interessados para tratar do fortalecimento do ecossistema de investimento.
A competitividade do upstream não se sustenta em uma única política. Modelos de contrato, incentivos fiscais, tecnologia, infraestrutura, previsibilidade de mercado e velocidade de decisão estão interligados. A medida final não é o capital aplicado, e sim as reservas e a produção adicionadas, o lifting mais alto, a receita pública crescente e um benefício econômico mais amplo. Para governo e indústria, a tarefa é encurtar a distância entre potencial e produção: na disputa por capital global, reservas ainda enterradas não são, por si só, motivo para o investidor esperar.