Importações de fruta da Indonésia sobem 31,9% para 411.156 toneladas e China fica com 85,6%
A Indonésia importou 411.156 toneladas de fruta nos cinco primeiros meses de 2026, alta de 31,9% na comparação anual, com o valor subindo de US$ 644,5 milhões para US$ 819 milhões. Peras, tangerinas, maçãs e uvas responderam por 96,7% do volume, e a China por 85,6% das principais categorias. Os embarques australianos de pera caíram para 61 toneladas e as maçãs americanas para 5.819 toneladas.
As importações de fruta da Indonésia cresceram 31,9% na comparação anual, para 411.156 toneladas, nos cinco primeiros meses de 2026, enquanto a conta subiu de US$ 644,5 milhões no mesmo período de 2025 para US$ 819 milhões, segundo o Mashable Indonesia. Em moeda local, o valor foi estimado em cerca de 14,5 trilhões de rupias.
O valor avançou menos que o volume — cerca de 27% contra 31,9% —, o que significa queda no preço médio por quilo na chegada. O motor foi a fruta fresca barata, sobretudo da China, cuja produção está em recuperação. As categorias premium, como uva, frutas de caroço e berries, mantêm um mercado à parte, sustentado por qualidade e apresentação, não por preço.
Quatro frutas sustentam o mercado
Peras, tangerinas, maçãs e uvas somaram, no início de 2026, 96,7% do volume importado e 95,3% do valor. O crescimento se concentrou nas três mais baratas: pera com alta de 50,2%, tangerina de 35,4% e maçã de 29,1%. A uva, a mais cara das quatro, não teve avanço comparável.
Os preços CIF explicam o padrão:
- Pera: US$ 1,48 por quilo
- Tangerina: US$ 1,73 por quilo
- Maçã: US$ 2,02 por quilo
No conjunto das principais categorias de fruta importada, a China concentrou 85,6% do mercado. A capacidade de embarcar volumes muito grandes a preços baixos encaixa em uma base de consumo indonésia em expansão e bastante sensível a preço.
Pera e maçã: concorrentes empurrados para fora
A pera foi a linha de maior crescimento no mercado indonésio: alta de 50,2%, de 94.293 toneladas no ano anterior para 141.596 toneladas. Cerca de 97% desse volume veio da China. A África do Sul embarcou 4.000 toneladas de pera Packham, enquanto os embarques australianos desabaram para 61 toneladas.
As importações de maçã subiram 29,1%, para 94.322 toneladas, das quais 87.249 toneladas vieram da China. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar com 5.819 toneladas, abaixo do ano anterior, e os fornecedores do hemisfério sul, Nova Zelândia e África do Sul, também perderam volume.
A tangerina avançou 35,4%, para 118.376 toneladas. A China embarcou 107.990 toneladas e o Paquistão se firmou com 10.337 toneladas, a única origem nova relevante na categoria.
Cítricos se dividem, uva segue disputada
A importação de laranja subiu para 8.898 toneladas, com avanço chinês e recuo de Estados Unidos e Egito. O limão seguiu no sentido oposto, caindo de 3.091 para 1.962 toneladas, com os embarques chineses quase pela metade.
A uva permanece a única categoria grande sem domínio chinês. A Austrália lidera com cerca de 27.000 toneladas e 62,8% de participação, apoiada em qualidade, sabor e credenciais de segurança de alimentos valorizadas pela classe média indonésia, que compra cada vez mais por calibre da baga, doçura, crocância e embalagem, e não apenas por preço. Ainda assim, a fatia chinesa em uva subiu para 27,4%, com melhora rápida de qualidade e preços bem mais competitivos.
Categorias de nicho
As linhas premium menores mostram a mesma pressão competitiva em volumes reduzidos:
- Kiwi, 2.005 toneladas: Nova Zelândia 935 toneladas, China 805 toneladas
- Ameixa, 498 toneladas e em alta no ano: Austrália 398 toneladas, à frente da África do Sul
- Pêssego e nectarina, 52 toneladas, leve alta, com liderança australiana
- Morango, 268 toneladas: Coreia do Sul 245 toneladas
O Mashable Indonesia atribui o salto à expansão da base de consumidores em busca de fruta fresca acessível, atendida por uma produção chinesa em recuperação. Para fornecedores fora da China, os números apontam um mercado partido em dois: um andar de volume na faixa de US$ 1,50 a US$ 2,00 por quilo e outro premium, bem menor, em que origem, variedade e apresentação ainda sustentam margem.