Indonésia planeja ampliar produção de alumínio diante de disrupções causadas pela guerra com o Irã
A Indonésia pretende elevar a produção de alumínio de cerca de 1 milhão de toneladas em 2025 para 14,5 milhões em 2030. A expansão pode envolver 32 usinas cativas a carvão, ampliando os riscos de emissões e de esgotamento da bauxita.
Disrupções no Oriente Médio elevam os preços
A Indonésia busca ampliar a produção de alumínio enquanto a guerra com o Irã afeta a oferta global e eleva os preços, segundo reportagem do detikcom. Produtores do Sudeste Asiático podem capturar parte do mercado normalmente abastecido pelo Oriente Médio, responsável por cerca de 9% da produção mundial. A Fastmarkets prevê que a produção regional cairá 44% neste ano em relação a 2025.
A escassez de energia levou a Emirates Global Aluminium a cancelar vários acordos, enquanto a Qatar Aluminium Ltd. reduziu a produção. Ataques iranianos também danificaram instalações da Aluminium Bahrain. Antes da guerra, o alumínio era negociado entre 3.150 e 3.250 dólares por tonelada. O preço chegou a 3.780 dólares em junho e agora está próximo de 3.400 dólares.
Andy Farida, da Fastmarkets, afirmou que a incerteza sobre o fornecimento está levando usuários finais a buscar alternativas e acelerando a entrada da Indonésia no mapa dos fornecedores. A oportunidade é relevante para fundições e investidores, mas seu aproveitamento exigirá expansão excepcionalmente rápida da mineração, do refino, da geração elétrica e da capacidade de metal primário.
Metas de produção exigem nova geração elétrica
Segundo o Centre for Research on Energy and Clean Air, a Indonésia pretende quadruplicar a produção de alumina para 32,5 milhões de toneladas até o fim da década. A produção de alumínio deve subir de cerca de 1 milhão de toneladas em 2025 para 14,5 milhões em 2030. A cadeia começa com a extração de bauxita, segue pelo refino em alumina e termina na fundição do alumínio, etapa que consome grandes volumes de eletricidade.
O CREA identificou 32 projetos de geração a carvão fora da rede em estudo especificamente para abastecer fundições de alumínio. Essas usinas cativas podem permitir o início mais rápido dos projetos do que instalações hidrelétricas, que exigem mais tempo e custos maiores, segundo Putra Adhiguna, do Energy Shift Institute. A estratégia, porém, contraria o compromisso da Indonésia de reduzir o uso de carvão.
As informações públicas sobre as emissões dessas usinas continuam limitadas, segundo Syahdiva Moezbar, do CREA. O World Economic Forum estima que a indústria do alumínio já responda por cerca de 2% das emissões globais anuais de gases de efeito estufa, equivalentes a aproximadamente 1,1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Muhammad Al Amin, da WALHI, também alertou que novas usinas cativas podem agravar a névoa tóxica em cidades do Sudeste Asiático, incluindo Jacarta.
Capital chinês sustenta a expansão
Empresas chinesas investiram em cerca de três quartos dos projetos de alumínio planejados na Indonésia. O CREA estima os atuais investimentos chineses no setor entre 5,5 bilhões e 6 bilhões de dólares e prevê que cheguem a 30 bilhões de dólares em 2030. Adhiguna relacionou a expansão das empresas chinesas na Indonésia às restrições à produção doméstica de alumínio adotadas pela China em 2017.
A Indonésia classifica alumínio e níquel como minerais de transição porque podem ser usados em tecnologias como baterias de veículos elétricos e painéis solares. Grupos ambientais questionam essa classificação quando o processamento depende do carvão e o uso final dos metais permanece incerto. A disponibilidade de recursos é outra limitação: o CREA estima que as reservas indonésias de bauxita podem se esgotar em menos de 12 anos se todos os projetos planejados estiverem operando em 2030. Produtores e investidores terão de equilibrar a oportunidade gerada pelos preços elevados com riscos de longo prazo ligados a combustível, emissões e matérias-primas.