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Déficit de 15% na monção reduz em 1,6 milhão de hectares a área de arroz na Índia

Um déficit de chuvas da monção de 15% reduziu em 1,6 milhão de hectares a área semeada de arroz na Índia, com Karnataka e Telangana como os estados mais atingidos. A inflação de alimentos no varejo está perto de 6% e o arroz fino subiu até 50% em alguns mercados do sul. O país mantém 60 milhões de toneladas de arroz em estoque regulador, mas o uso do grão da FCI para etanol pode ser revisto.

Déficit de 15% na monção reduz em 1,6 milhão de hectares a área de arroz na Índia

Um déficit de chuvas da monção de 15% desorganizou a safra kharif na Índia: a área semeada com arroz caiu 1,6 milhão de hectares e os preços do cereal subiram, segundo reportagem do Whalesbook. O veículo afirma que a falta de chuva já aparece na inflação de alimentos no varejo e pode levar o governo a rever suas decisões sobre o programa de mistura de etanol, com efeitos diretos sobre as usinas de açúcar e as empresas de bens de consumo (FMCG).

Perdas de plantio concentradas no sul

O Whalesbook cita dados que mostram queda de 1,6 milhão de hectares na área de arroz, com Karnataka e Telangana entre os estados mais atingidos. A falta de chuva também alcançou o cinturão cerealista do norte: Punjab registrou déficit de 39% e Haryana, de 22%.

  • Déficit de chuvas da monção: 15%
  • Redução da área de arroz: 1,6 milhão de hectares
  • Déficit de chuvas: Punjab 39%, Haryana 22%
  • Estoque regulador de arroz: 60 milhões de toneladas

O arroz kharif é semeado com a monção e depende de chuva no tempo certo para o transplante, quando as lavouras precisam de lâmina d'água. Onde há irrigação por canais e poços tubulares, parte da lacuna é coberta, mas isso transfere o custo para energia e água subterrânea e não recupera a área que nunca foi plantada. O que se perde nessa fase não se compensa depois, porque a janela de transplante é definida pelo calendário e pela disponibilidade de água. A reportagem não quantifica a queda esperada da produção e liga a alta dos preços diretamente à área menor.

Preços andam à frente da inflação oficial

A inflação de alimentos no varejo já está perto de 6%, segundo a reportagem, e as variedades de arroz fino subiram até 50% em alguns mercados do sul. São altas ligadas a variedades e regiões específicas, não a todo o país, mas definem o patamar de custo de compra para beneficiadoras, tradings e compradores de alimentos embalados.

O sinal de preço não chega a todos os produtores. O Whalesbook observa que agricultores de regiões como o Rajastão não recebem preços justos por leguminosas e oleaginosas, o que segura a renda no campo mesmo com os cereais em alta. Nos distritos mais secos, leguminosas e oleaginosas são a principal alternativa ao arroz na safra kharif, de modo que preços fracos eliminam o colchão que costuma amortecer um ano ruim de arroz. A reportagem aponta essa combinação como risco para o consumo, já que a demanda rural depende do preço efetivamente recebido, e não das cotações de mercado.

A mistura de etanol vira a variável decisiva

A Índia mantém um estoque regulador de 60 milhões de toneladas de arroz, descrito pela reportagem como proteção contra escassez, mas não como garantia contra inflação. Um volume expressivo do arroz da Food Corporation of India (FCI) vai hoje para a produção de etanol. Se o governo priorizar a segurança alimentar, esse fornecimento de matéria-prima às produtoras de etanol pode ser interrompido de forma abrupta, alerta o Whalesbook.

É aí que está o ponto de decisão para dois grupos de empresas. Destilarias e usinas de açúcar que operam linhas à base de grãos ao lado da capacidade de cana enfrentariam um problema de matéria-prima se as cotas da FCI forem cortadas. As fabricantes de bens de consumo, que compram arroz, farinha e outros derivados de grãos, têm o problema inverso: custo de insumo mais alto e margem comprimida. Nenhum dos dois lados terá visibilidade antes da decisão oficial. A reportagem recomenda que investidores dos setores de açúcar e de bens de consumo acompanhem de perto as decisões do governo, já que o momento e a dimensão de qualquer mudança vão determinar quanto do aumento de custo chega ao consumidor.

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