Índia avalia ampliar investimento estrangeiro em plantações de banana
A Índia consulta o setor sobre a ampliação das regras de investimento estrangeiro direto em plantações, possivelmente incluindo a banana. A proposta pode apoiar a meta de elevar as exportações de US$377,5 milhões em 2024-25 para US$1 bilhão nos próximos anos.
Governo revisa regras de investimento em plantações
A Índia avalia liberalizar as normas de investimento estrangeiro direto na agricultura de plantação e incluir mais culturas comerciais, entre elas a banana. Segundo o Mathrubhumi, o Ministério do Comércio e da Indústria está consultando as partes interessadas, mas o alcance e o cronograma de uma eventual mudança ainda não foram definidos.
O regime atual permite 100% de IED pela rota automática no chá, incluindo suas plantações, assim como no café, na borracha, no cardamomo e nas plantações de palma de óleo e oliveira. O investimento estrangeiro direto não é autorizado em outros setores ou atividades de plantação. A inclusão da banana representaria, portanto, uma ampliação relevante das categorias agrícolas abertas ao capital externo.
A análise busca determinar se o capital estrangeiro pode fortalecer a produção, a infraestrutura pós-colheita, o processamento, a armazenagem e as cadeias ligadas à exportação. Para um produto perecível, o valor comercial depende especialmente da regularidade da qualidade, do manuseio cuidadoso e do acesso rápido aos mercados externos.
Grande produção, mas participação exportadora limitada
A Índia é a maior produtora mundial de banana, com volume anual superior a 30 milhões de toneladas. O país responde por cerca de 26,45% da produção global, segundo o Mathrubhumi, mas detém apenas aproximadamente 1% das exportações mundiais. Essa diferença coloca a infraestrutura exportadora e o acesso a mercados, e não apenas a produção primária, no centro do debate.
As exportações indianas de banana alcançaram US$377,5 milhões em 2024-25, aproximadamente 30% acima do ano anterior. O governo pretende elevar o valor para US$1 bilhão nos próximos anos. Para atingir a meta, será necessário ampliar os destinos e investir nos sistemas que conectam as propriedades rurais aos portos e compradores estrangeiros.
Os mercados atuais incluem Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Omã, Uzbequistão, Arábia Saudita, Nepal, Catar, Kuwait, Bahrein, Afeganistão e Maldivas. Estados Unidos, Rússia, Japão, Alemanha, China, Países Baixos, Reino Unido e França também foram identificados como destinos com potencial significativo. O acesso pode depender das exigências de qualidade dos compradores e da capacidade dos fornecedores indianos de entregar fruta padronizada com regularidade.
Investimentos devem alcançar regiões produtoras concentradas
Andhra Pradesh é o maior estado produtor de banana da Índia, seguido por Maharashtra, Karnataka, Tamil Nadu e Uttar Pradesh. Juntos, os cinco responderam por cerca de 67% da produção nacional em 2022-23. Novos investimentos em plantações e infraestrutura associada podem, por isso, se concentrar nessas regiões produtoras já estabelecidas.
A Índia recebeu US$295,23 milhões em IED em atividades relacionadas a chá e café entre abril de 2000 e março de 2026, enquanto os produtos de borracha atraíram US$3,93 bilhões no mesmo período, informou o Mathrubhumi. Os dados mostram o capital já direcionado aos segmentos permitidos, mas não indicam quanto a banana poderia atrair. Até a conclusão das consultas e a publicação das regras formais, a abertura continuará sendo uma opção de política, e não uma medida aprovada.