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Índia destina 50 bilhões de rupias a marcas nacionais de smartphones

O governo da Índia planeja destinar cerca de 50 bilhões de rupias dentro de um programa de fabricação de celulares de 625 bilhões de rupias para ajudar a construir cerca de três marcas nacionais fortes de smartphones. A participação de mercado das marcas indianas caiu de cerca de 45% em 2014 para perto de 1% em 2025, enquanto os fabricantes chineses já superam 73%.

Índia destina 50 bilhões de rupias a marcas nacionais de smartphones

O governo da Índia planeja destinar cerca de 50 bilhões de rupias dentro de um programa de fabricação de celulares de 625 bilhões de rupias, para ajudar a construir cerca de três marcas nacionais fortes de smartphones, segundo o Business Standard. A medida vem após um colapso praticamente total da participação de mercado das marcas indianas na última década, enquanto fabricantes chineses consolidavam o domínio do setor.

De 45% a 1%: o colapso das marcas indianas

Em 2014, marcas indianas de smartphones, incluindo Micromax, Karbonn, Lava e Intex, detinham juntas uma participação de mercado de cerca de 45%, enquanto as empresas chinesas respondiam por aproximadamente 9%, segundo o Business Standard. Até 2025, a participação das marcas indianas havia caído para cerca de 1%, enquanto a dos fabricantes chineses havia subido para mais de 73%.

Por volta de 2014, empresas indianas importavam telefones 3G fabricados na China, colocavam sua própria marca e os vendiam na Índia a preços baixos, ganhando participação por meio de redes de distribuição fortes e preços competitivos. O mercado mudou abruptamente depois que a Reliance Jio lançou seu serviço 4G em 2016. As empresas indianas ficaram com grandes estoques de telefones 3G cuja demanda despencou, por não terem previsto a tempo a mudança para o 4G, enquanto empresas chinesas como Xiaomi, Vivo e Oppo entraram com telefones 4G com câmeras melhores e recursos mais modernos, apoiadas por orçamentos maiores para pesquisa, design e distribuição. Até 2017, a participação das marcas indianas havia caído para 16%, enquanto as empresas chinesas controlavam mais de 55% do mercado.

Condições do programa e primeiros interessados

Para se qualificar ao novo esquema de incentivos, as empresas precisam ter faturamento anual de pelo menos 10 bilhões de rupias, cidadãos indianos devem deter pelo menos 51% de participação acionária, e as patentes relacionadas a celulares devem estar registradas na Índia em nome da empresa. As empresas participantes também devem estabelecer um centro de pesquisa e desenvolvimento na Índia, condição obrigatória para acessar o benefício.

  • Incentivo de até 5% sobre o crescimento anual incremental das vendas
  • Incentivo de até 1,5% para a compra local de componentes essenciais, como baterias e módulos de câmera
  • Incentivo de até 3% para a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento na Índia

No total, as empresas poderiam receber incentivos de até 9,5% das vendas. Até agora, pelo menos três empresas demonstraram interesse: Lava International, NextQuantum Shift Technologies e a empresa de eletrônicos Mivi, de Hyderabad. A NextQuantum, que opera a marca AI Plus, já vendeu mais de 1 milhão de telefones e pretende alcançar entre 3% e 4% do mercado de smartphones no atual ano fiscal. A empresa planeja elevar seu preço médio de venda de 13.500 para 15.000 rupias até o Diwali, já investiu 6 milhões de dólares em pesquisa e pretende aumentar o investimento total para cerca de 3,5 bilhões de rupias até o próximo ano, incluindo a contratação de cerca de 80 especialistas estrangeiros e 300 engenheiros.

A oportunidade abaixo de 15.000 rupias

Segundo o Business Standard, a maior oportunidade para as marcas indianas está nos smartphones vendidos por menos de 15.000 rupias, segmento que representa cerca de 51% de todos os smartphones vendidos no país. O aumento no preço dos chips de memória e a redução das margens têm levado grandes fabricantes globais a concentrar esforços em aparelhos mais caros, abrindo espaço que marcas como Bolt, AI Plus e Mivi vêm buscando ocupar. A Mivi lançou seu primeiro celular 5G a 11.999 rupias, afirmando que o design foi desenvolvido por sua própria equipe e que pretende futuramente fabricar localmente, embora tenha classificado o requisito mínimo de faturamento de 10 bilhões de rupias como difícil de cumprir para empresas mais novas.

Analistas citados pelo Business Standard afirmam que construir marcas duradouras exigirá que as empresas indianas avancem gradualmente para as faixas de 15.000 a 25.000 rupias e acima, categorias que exigem câmeras, chips, software e design melhores, em vez de depender apenas de preços baixos.

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