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Impostos maiores e novas restrições transformam o tabaco na Polônia

A Polônia continua entre os principais processadores e exportadores de tabaco da UE, apesar da forte retração do cultivo nacional. O aumento dos impostos especiais, as restrições propostas aos sachês de nicotina e os investimentos em produtos sem fumaça estão mudando o setor.

Impostos maiores e novas restrições transformam o tabaco na Polônia

A cadeia de valor do tabaco polonês entra em nova fase

A Polônia continua sendo um dos principais produtores, processadores e exportadores de tabaco da União Europeia, mas sua base doméstica de matérias-primas está encolhendo. Dados da Comissão Europeia colocam o país entre os cinco membros da UE com maior área cultivada. Os números do Centro Nacional de Apoio à Agricultura, KOWR, mostram ao mesmo tempo uma queda contínua no número de propriedades e na produção.

Em 2018, cerca de 4,9 mil propriedades polonesas cultivavam tabaco em aproximadamente 10 mil hectares. Até novembro de 2025, esse número havia caído mais de 33%, para cerca de 3,3 mil. A produção anual de tabaco em rama recuou de mais de 30 mil toneladas para aproximadamente 20 mil toneladas. Em 2025, o cultivo estava concentrado nas regiões de Lublin, Subcarpácia, Pequena Polônia, Podláquia e Santa Cruz.

Exportações seguem fortes apesar da menor produção doméstica

Os produtos de tabaco continuam entre as principais exportações agroalimentares polonesas. Segundo o KOWR, as vendas externas atingiram €2,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta anual de 6,5%, e representaram 10% do valor exportado pelo setor. Ficaram à frente apenas carnes, produtos cárneos e animais vivos, com €6,3 bilhões e 22%, e grãos e produtos processados, com €3,2 bilhões e 11%. O tabaco superou os €2,6 bilhões registrados conjuntamente por frutas e hortaliças.

O KOWR atribui a redução do cultivo principalmente ao menor apoio da UE no âmbito da Política Agrícola Comum e às medidas da Organização Mundial da Saúde para limitar o consumo e o plantio de tabaco. Secas e granizo também reduzem a produtividade, enquanto agricultores mais jovens demonstram menos interesse por uma cultura intensiva em mão de obra. A maioria das grandes empresas reduziu as compras diretas de produtores poloneses. A Philip Morris International é uma exceção: trabalha com cerca de 800 propriedades e comprou mais de 40 mil toneladas desde 2012.

Alta dos impostos enfrenta objetivos fiscais e sanitários

O cronograma polonês de impostos especiais para 2026–2027 aumenta a carga sobre diversas categorias. Desde janeiro de 2026, a alíquota dos cigarros subiu 20%, para 414 zlótis por 1.000 unidades. O imposto aumentou 30% para o tabaco de fumar e 20% para o tabaco aquecido. Os líquidos de cigarros eletrônicos terão alta de 50% em 2026 e outra de 25% em 2027. A obrigação de utilizar selos fiscais também deverá abranger mais produtos de nicotina.

O Ministério das Finanças espera que o preço médio do maço de cigarros chegue a cerca de 23,85 zlótis em 2026 e a 26–27 zlótis após o aumento de 2027. Segundo o ministério, as mudanças pretendem reduzir o consumo de tabaco e nicotina, especialmente entre jovens, diminuir a diferença de preços em relação a outros mercados da UE e elevar a arrecadação. Os cigarros poloneses continuam entre os mais baratos do bloco.

A receita já ficou abaixo das expectativas oficiais. Os impostos especiais sobre o tabaco renderam 33,5 bilhões de zlótis em 2025, ante a meta de 37 bilhões do Ministério das Finanças, deixando uma diferença de 3,5 bilhões. Ao mesmo tempo, uma proposta do Ministério da Saúde enviada ao Parlamento proibiria, na prática, a maioria dos sachês de nicotina. Permaneceriam apenas os produtos com sabor de tabaco, atualmente uma parcela marginal das vendas. A medida poderia reduzir a futura arrecadação em vários bilhões de zlótis nos anos seguintes.

Investimentos migram para produtos sem fumaça

Outra proposta da Comissão Europeia destinaria 15% da arrecadação nacional com impostos sobre o tabaco ao orçamento da UE. Bruxelas estima que o mecanismo poderia gerar cerca de €7,2 bilhões por ano em todo o bloco. Para a Polônia, isso poderia reduzir as receitas do orçamento nacional em aproximadamente 4,5 bilhões de zlótis anuais.

A indústria continua sendo uma grande contribuinte e fonte de investimento industrial. A PMI pagou cerca de 17 bilhões de zlótis ao orçamento polonês em 2024 e aproximadamente 65 bilhões entre 2020 e 2024. O imposto de renda corporativo pago em 2025 chegou a cerca de 280 milhões de zlótis. Desde a compra de uma participação na fábrica de Cracóvia por US$227 milhões em 1996, a empresa investiu mais de 30 bilhões de zlótis na Polônia. Suas operações estão associadas a cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos.

A unidade de Cracóvia mostra a nova direção do setor. Depois de se tornar um centro de exportação em 2004–2005, ela desenvolveu atividades de produção, serviços empresariais e tecnologia. A PMI afirma agora que está migrando gradualmente dos cigarros para produtos sem fumaça. Para agricultores, fabricantes e distribuidores, o mercado passa a ser determinado ao mesmo tempo por uma safra doméstica menor, impostos mais altos, regras mais rígidas e investimentos em alternativas aos cigarros combustíveis.

Análise completa do mercado

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