Iémen planeja silos estratégicos de trigo e desembaraço mais rápido
O governo do Iémen planeja silos e armazéns estratégicos nas províncias libertadas, além de procedimentos aduaneiros mais simples para bens essenciais. As medidas procuram proteger o mercado de cereais, dependente de importações, contra atrasos marítimos e custos maiores de frete e seguro.
Governo busca ampliar as reservas alimentares
O governo do Iémen prepara a construção de silos e armazéns estratégicos nas províncias libertadas para reforçar os estoques de trigo e bens essenciais. O plano combina nova infraestrutura de armazenagem com procedimentos de importação mais simples e pretende proteger melhor o mercado interno contra interrupções nas cadeias internacionais de abastecimento.
Segundo o Asharq Al-Awsat, as instalações deverão ser desenvolvidas em parceria com o setor privado e com o apoio de parceiros de desenvolvimento. O governo não divulgou a capacidade planejada, o custo das obras nem o cronograma. As autoridades afirmam que o objetivo é manter reservas capazes de cobrir as necessidades internas por períodos mais longos quando as importações atrasarem ou forem interrompidas.
Riscos no mar Vermelho elevam o custo de chegada
O Iémen depende fortemente das importações para atender à procura por cereais, deixando os preços do trigo e da farinha expostos a perturbações no comércio marítimo. Os riscos à navegação no mar Vermelho e no golfo de Áden podem aumentar os custos de frete e seguro ou atrasar a chegada dos navios. Essas despesas podem ser repassadas diretamente aos preços dos bens essenciais num mercado que já enfrenta dificuldades económicas e humanitárias acumuladas.
As propostas foram discutidas pelo vice-ministro da Indústria e Comércio, Salem Al-Wali; pelo presidente da Autoridade Aduaneira, Abdul Hakim Al-Qubati; pelo vice-presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria, Abu Bakr Baabid; e por representantes privados. A reunião analisou formas de remover obstáculos às importações, acelerar a entrada e o desembaraço de mercadorias e melhorar a coordenação entre órgãos públicos e empresas.
Balcão único e procedimentos digitais unificados
As medidas acordadas incluem desenvolver um sistema de balcão único, ligar os órgãos relevantes por uma plataforma digital unificada, corrigir procedimentos fronteiriços duplicados e taxas ilegais e acelerar a destinação de terrenos para silos e armazéns. Al-Wali disse que a redução do tempo de desembaraço deve diminuir custos adicionais sem comprometer a receita pública, a fiscalização e os direitos dos consumidores. A autoridade aduaneira informou que a facilitação continuará sujeita às leis e normas vigentes.
O setor privado pediu a redução de taxas sobrepostas, procedimentos e encargos operacionais que aumentam o custo das importações e, no fim, os preços ao consumidor. A política combina, portanto, reserva física e reforma administrativa: a armazenagem cria uma proteção durante atrasos marítimos, enquanto o desembaraço mais rápido reduz o custo e o tempo necessários para colocar no mercado a carga já recebida.
Normas para farinha entram no plano alimentar
Outra reunião governamental, com autoridades das áreas de indústria, saúde, agricultura, pesca e informação, analisou a qualidade e o valor nutricional da farinha. Fontes oficiais disseram que um comité avaliará critérios de qualidade, especificações técnicas e requisitos de armazenagem adequada com base nas normas da Organização Iemenita de Normalização, Metrologia e Controlo de Qualidade.
A eficácia da estratégia dependerá de detalhes ainda não especificados, incluindo a capacidade dos silos, o financiamento, as localizações e as datas de conclusão. Mesmo assim, a direção está definida: o Iémen procura combinar reservas maiores de trigo, armazenagem mais segura, fiscalização dos produtos e administração mais simples das importações para limitar a transmissão dos choques globais de transporte à disponibilidade e aos preços internos dos alimentos.