HSBC prevê desequilíbrio no mercado de petróleo até meados de 2027
O HSBC prevê que as tensões geopolíticas e os fluxos limitados pelo Estreito de Ormuz mantenham o mercado mundial de petróleo desequilibrado pelo menos até meados de 2027. O banco elevou para US$ 90 por barril sua projeção do Brent em 2026, enquanto a continuidade do conflito poderia levar a cotação para perto de US$ 120.
Ormuz continua sendo a principal restrição
O mercado mundial de petróleo pode não voltar ao equilíbrio até pelo menos meados de 2027 devido à persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio, segundo avaliação do HSBC publicada pela Media Indonesia. O cenário-base do banco considera um entendimento frágil entre Estados Unidos e Irã. Novos fracassos nas negociações e incertezas sobre a segurança e o seguro do transporte marítimo, porém, podem continuar limitando a movimentação de petróleo bruto.
O fluxo pelo Estreito de Ormuz é a variável central dessa projeção. O HSBC espera que o volume aumente dos atuais 6 milhões de barris por dia para 8 milhões até o fim do ano e 9,5 milhões em meados de 2027. Mesmo nesse patamar, o movimento continuaria muito abaixo dos 19 milhões a 20 milhões de barris por dia anteriores ao conflito.
Essa diferença aponta para uma recuperação lenta, e não para uma normalização rápida da oferta. O estreito é uma rota essencial para os produtores do Golfo, e a redução do fluxo pode afetar tanto a disponibilidade de petróleo quanto o custo de entrega para refinarias e importadores fora da região. As ameaças à segurança também podem diminuir a capacidade de frete e endurecer as condições de seguro, mesmo que parte das cargas físicas continue circulando.
HSBC eleva projeção para o Brent
Diante da perspectiva de oferta mais apertada, o HSBC elevou sua projeção do Brent em 2026 de US$ 80 para US$ 90 por barril. A projeção destacada pela Media Indonesia também indicou que o Brent pode se aproximar de US$ 120 por barril caso o conflito provoque uma interrupção grave e duradoura. A diferença entre a estimativa-base do banco e esse nível mais alto mostra quanto os preços dependem da segurança das rotas marítimas e da duração de um eventual entendimento entre Estados Unidos e Irã.
Para os produtores, um período prolongado de oferta restrita pode sustentar os preços realizados, embora o benefício seja desigual se as rotas de exportação permanecerem limitadas. Refinarias e países importadores de petróleo enfrentariam matérias-primas mais caras e maior incerteza sobre os prazos de entrega. Os operadores teriam de considerar não apenas o volume disponível, mas também o risco de empresas de transporte, seguradoras ou armadores reduzirem suas operações em águas expostas.
Escalada militar amplia o risco de abastecimento
A ANZ Research informou que as Forças Armadas dos Estados Unidos destruíram cinco petroleiros iranianos em resposta a uma tentativa de ataque com míssil balístico contra um navio de guerra da Marinha americana. Um alto funcionário iraniano afirmou que o país estava preparado para uma guerra mais intensa e aumentaria os ataques de retaliação caso os Estados Unidos continuassem atingindo o território e a infraestrutura do Irã. A Media Indonesia também relatou fortes altas do Brent e do WTI depois de ataques dos Estados Unidos e da Arábia Saudita contra forças ligadas ao Irã no Iraque e em meio às tensões no Mar Vermelho.
A perspectiva, portanto, depende de mais do que a capacidade nominal de produção. O ritmo de recuperação do tráfego em Ormuz, o custo e a disponibilidade do seguro marítimo e o risco de novos ataques determinarão quanto petróleo pode chegar aos compradores de forma confiável. Os 9,5 milhões de barris por dia projetados pelo HSBC para meados de 2027 ainda representariam aproximadamente metade do fluxo anterior ao conflito. Sem melhora suficiente na segurança para fechar essa diferença, produtores, refinarias, companhias de navegação e importadores continuarão operando com logística restrita e um prêmio geopolítico relevante.