Guerra no Irã Interrompe Mercado Global de Commodities; Banco Mundial Alerta para Choque Inflacionário
Um relatório do Banco Mundial mostra que a guerra no Irã está provocando um salto projetado de 24% nos preços de energia este ano e empurrando fertilizantes, alumínio, cobre e estanho para máximas de vários anos ou recordes históricos, à medida que o fechamento do Estreito de Ormuz interrompe o comércio marítimo. O banco alerta que os riscos permanecem inclinados para preços ainda mais altos, enquanto relatórios separados apontam para o aumento dos custos de resinas e o primeiro aumento nos preços de fábrica da China em três anos.
A interrupção se espalha muito além do petróleo
Um relatório do Banco Mundial divulgado no mês passado detalha como a guerra no Irã está gerando pressão inflacionária e prejudicando o crescimento global muito além dos mercados de energia, atingindo alimentos, metais industriais, produtos químicos, plásticos e fertilizantes, de acordo com a análise das conclusões feita pelo World Socialist Web Site. A interrupção está centrada no fechamento do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento que, segundo estimativas do Financial Times, é responsável por 50% do comércio marítimo mundial de enxofre, 34% do petróleo bruto, 29% do gás liquefeito de petróleo, 19% do gás natural liquefeito, 19% dos produtos refinados de petróleo, 13% dos produtos químicos, incluindo fertilizantes, e 10% do alumínio.
Preços de energia e fertilizantes disparam
O Banco Mundial agora projeta que seu índice de preços de energia subirá 24% este ano, cerca de 40% acima do que era esperado em janeiro. Essa projeção-base parte do pressuposto de que a fase mais aguda da interrupção no fornecimento diminuiria até maio, uma premissa que o próprio relatório classifica como cada vez mais instável, dado que os preços do petróleo voltaram a subir no final de abril, ultrapassando brevemente os US$ 120 por barril. O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, afirmou que a guerra está atingindo a economia global "em ondas cumulativas: primeiro por meio de preços de energia mais altos, depois preços de alimentos mais altos e, por fim, inflação mais alta, o que elevará as taxas de juros e tornará a dívida ainda mais cara."
O índice de fertilizantes do banco atingiu, em março, o maior patamar desde 2022, seu segundo maior salto em uma década, impulsionado principalmente por um aumento de 50% nos preços da ureia, à medida que as exportações marítimas do Oriente Médio ficam paralisadas. Os metais básicos, já com oferta apertada antes da guerra, pioraram ainda mais: a produção e os embarques de alumínio foram diretamente afetados, enquanto o fornecimento de ácido sulfúrico, um insumo-chave para a produção, foi reduzido. Os preços do alumínio subiram 10%, o segundo maior aumento em dez anos, e o banco espera que alumínio, cobre e estanho atinjam máximas históricas, marcando o terceiro ano consecutivo de alta de preços.
Efeitos mais amplos nos mercados
- A PlasticsToday relata que os preços de resinas commodities estão subindo à medida que a guerra interrompe as cadeias de suprimento petroquímicas globais.
- O South China Morning Post relata que os preços na saída de fábrica da China subiram pela primeira vez em três anos, à medida que o conflito se reflete nos custos dos insumos industriais.
- A Trafigura estima uma perda cumulativa de 1,5 bilhão de barris na produção de petróleo do Golfo, equivalente a 5% da oferta global anual, e a trading alerta que esse número pode dobrar.
- Compradores asiáticos dependentes do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz estão reduzindo suas reservas, com a Coreia do Sul diminuindo gradualmente as liberações estratégicas e as reservas do Japão com previsão de esgotamento ainda este mês, segundo a Economist.
Bancos centrais e os países mais pobres, os mais expostos
Até agora, os bancos centrais mantiveram as taxas de juros estáveis. O Federal Reserve dos EUA manteve as taxas inalteradas em sua última reunião, embora três membros tenham discordado, pressionando para retirar do comunicado a linguagem que sugeria viés para futuros cortes. O Banco Central Europeu também manteve as taxas, mas a inflação por lá subiu para 3% no mês passado, um patamar que pode forçar uma mudança de política. O Banco Mundial alertou que condições financeiras mais restritivas, combinadas com tensões comerciais e incerteza política, correm o risco de enfraquecer amplamente a demanda.
O Banco Mundial estima que um conflito prolongado, mantendo o petróleo acima de US$ 100 por barril, poderia empurrar até 45 milhões de pessoas a mais para a insegurança alimentar aguda este ano. O banco também alertou que o aumento dos custos dos fertilizantes provavelmente reduzirá seu uso entre agricultores incapazes de absorver o aumento de preços, ameaçando a produtividade das colheitas em futuras safras. O banco afirmou que os riscos para suas projeções de preços de commodities permanecem "marcadamente inclinados para preços mais altos", citando a possibilidade de que as interrupções no fornecimento do Oriente Médio possam se mostrar mais severas e duradouras do que o presumido.