Adoção do E10 na Guatemala abre mercado para o etanol dos Estados Unidos
A Guatemala começou a vender gasolina comum com 10% de etanol em 22 de agosto de 2026, criando demanda por biocombustível nacional e importado. O país estima precisar de 22,98 milhões de galões em 2026, e produtores americanos veem espaço para ampliar os embarques marítimos.
Venda de E10 começa após preparação da cadeia de abastecimento
A Guatemala começou a vender gasolina comum misturada com 10% de etanol, conhecida como E10, em 22 de agosto de 2026. O lançamento ocorreu após uma fase de operação técnica da cadeia de abastecimento, entre 30 de junho e 21 de agosto. O Ministério de Energia e Minas (MEM) informou que a distribuição avançaria gradualmente e estimou que a mistura chegaria aos postos de todo o país em cerca de cinco dias.
A exigência de mistura cria uma necessidade imediata de etanol nacional e importado. O MEM estima que a Guatemala precisará de aproximadamente 22,98 milhões de galões em 2026 para abastecer o mercado de gasolina comum com E10. Em 18 de agosto, havia cerca de 7,41 milhões de galões disponíveis, enquanto um sexto navio era descarregado no Porto Santo Tomás de Castilla. O Prensa Libre informou que o país já havia recebido suas primeiras cargas de etanol.
Setor de milho dos EUA busca ampliar embarques
Representantes da Associação de Produtores de Milho de Iowa veem o lançamento como uma oportunidade para os fabricantes americanos de etanol. Stu Swanson, integrante do conselho da entidade, afirmou que a ampla capacidade do Meio-Oeste pode atender ao crescimento da demanda guatemalteca. Ele não detalhou a logística das primeiras cargas, mas apontou o transporte marítimo como a opção natural. O Canadá é um destino mais fácil devido à proximidade e às regras de mistura, enquanto a Guatemala dependeria principalmente de embarques por mar.
O possível comércio de etanol se apoia em uma relação agrícola já consolidada. Segundo dados da Associação de Grãos e Bioprodutos dos Estados Unidos, a Guatemala esteve entre os dez maiores mercados do milho americano em volume entre 2024 e 2025. Os Estados Unidos enviaram 1.871.924 toneladas métricas de milho, avaliadas em cerca de US$ 380,9 milhões. Produtos de grãos em diferentes formas totalizaram 2.298.497 toneladas métricas, no valor aproximado de US$ 862 milhões. Swanson disse que autoridades dos dois países discutiram a continuidade do fornecimento, mas nenhum volume futuro foi divulgado.
Importações podem coexistir com a produção nacional
A Guatemala pretende atender à demanda de E10 combinando produção interna e importações. O etanol local é fabricado com cana-de-açúcar, enquanto a maior parte do produto americano vem do milho. Swanson afirmou que os fornecedores dos EUA querem complementar um mercado em expansão, e não substituir a produção existente na Guatemala. A divisão dependerá do custo do importado entregue, da capacidade das usinas nacionais de fornecer etanol combustível e do ritmo de crescimento do consumo com a nova mistura.
O efeito sobre os preços continua incerto. Swanson afirmou que, nos Estados Unidos, a passagem do E10 para o E15 pode gerar diferença de cerca de US$ 0,10 a US$ 0,15 por galão, com economia maior perto das usinas do Meio-Oeste devido ao menor custo de transporte. Esses valores não indicam uma redução equivalente na Guatemala. O ministro Erwin Barrios estimou que a adição de 10% de etanol pode reduzir o preço guatemalteco entre Q0,50 e Q1,50 por galão, em parte porque a parcela de etanol não paga o imposto nacional sobre a distribuição de petróleo. Para os produtores americanos, a medida cria um possível canal de venda na América Central; para os fornecedores guatemaltecos, estabelece uma necessidade recorrente de compra ligada aos volumes de mistura, à logística marítima e à disponibilidade nacional.