Gripe aviária e lenta reposição dos plantéis elevaram em 22% o preço dos ovos na Espanha
Os ovos registraram em 2025 a maior alta entre os alimentos na Espanha, de 22%. A Andalucía Información atribui o avanço principalmente à gripe aviária de alta patogenicidade, à redução do plantel de poedeiras e aos meses necessários para recuperar a produção.
Ovos lideram a alta dos alimentos na Espanha
O preço dos ovos aumentou 22% na Espanha em 2025, a maior elevação entre todos os alimentos no ano, segundo a Andalucía Información. O fenômeno, chamado de “ovoinflação”, agravou a pressão sobre o orçamento das famílias. Leite e pão também ficaram consideravelmente mais caros nos últimos anos, enquanto muitos salários permaneceram inalterados.
Os ovos têm efeito particularmente visível sobre a percepção da inflação porque são um produto básico e comprado com frequência. Qualquer aumento aparece rapidamente no caixa do supermercado. A Andalucía Información relata que os consumidores passaram a acompanhar os preços com mais atenção e a procurar promoções para economizar nas compras rotineiras.
Gripe aviária reduz a oferta física
O principal fator foi a disseminação global da gripe aviária de alta patogenicidade. A doença levou ao abate de milhões de galinhas poedeiras na Europa e nas Américas, reduzindo diretamente a produção. Com menos aves, uma quantidade menor de ovos entrou nos canais habituais de distribuição, deixando o mercado com pouca margem para atender à demanda sem elevar os preços.
O choque de oferta não pode ser revertido imediatamente. As granjas precisam de meses para substituir as aves abatidas e recuperar a produção, criando lacunas de abastecimento mesmo depois do episódio sanitário inicial. Esse atraso explica por que a pressão sobre os preços pode persistir, em vez de se limitar a um pico passageiro. Os volumes anteriores só voltarão às classificadoras, aos varejistas e à alimentação fora do lar quando as novas aves atingirem a fase produtiva.
Várias pressões limitam a resposta do setor
A Andalucía Información também aponta fatores geopolíticos e regulatórios como causas subjacentes do desequilíbrio. A publicação não quantifica separadamente seus efeitos, mas os apresenta como restrições que reduziram a capacidade de reação do setor. A gripe aviária atuou como acelerador imediato: provocou abates em grande escala, cortou a produção e prolongou o impacto devido ao tempo necessário para repor os plantéis.
Para os produtores, a questão central é a capacidade biológica, não uma interrupção temporária na logística do varejo. Cada poedeira perdida representa produção indisponível até que a ave substituta amadureça. Classificadoras e varejistas passam a disputar um volume menor, enquanto compradores competem pela oferta limitada. A alta de 22% reflete essa escassez física e as demais pressões presentes na cadeia produtiva.
Consumidores ajustam suas compras
O impacto vai além das granjas e da distribuição. Quando os ovos sobem mais que outros alimentos, as famílias ficam mais atentas às promoções e podem mudar o local ou a forma de compra. O efeito é especialmente relevante porque se trata de um produto cotidiano, e não ocasional. O contato repetido com o preço mais alto reforça a percepção de que toda a cesta de alimentos está menos acessível.
Um alívio no curto prazo depende da recuperação da capacidade de postura e da ausência de novas perdas sanitárias. Como a recomposição leva meses, a oferta não consegue reagir rapidamente aos preços elevados. Até que as granjas restabeleçam seus plantéis e volumes, o mercado espanhol continuará exposto à disponibilidade restrita, à maior concorrência entre compradores e à pressão adicional sobre os gastos das famílias com alimentação.