Executiva da Gevo diz que a continuidade das políticas é essencial para o crescimento do SAF
Erin Heitkamp, vice-presidente da empresa norte-americana de bioenergia Gevo, disse ao Korea Economic Daily que as altas do preço do petróleo ligadas ao conflito no Oriente Médio aumentaram o interesse pelo combustível sustentável de aviação (SAF). Mas afirmou que só a continuidade das políticas públicas pode atrair os investidores necessários para o mercado crescer. A Gevo produz SAF a partir de matérias-primas como o milho.
Alta do petróleo volta a colocar o combustível sustentável de aviação em foco
A alta dos preços do petróleo impulsionada pelo conflito no Oriente Médio intensificou o interesse pelo combustível sustentável de aviação (SAF), segundo Erin Heitkamp, vice-presidente da empresa norte-americana de bioenergia Gevo. Em entrevista ao jornal sul-coreano Korea Economic Daily publicada no dia 15, Heitkamp afirmou que a escalada do petróleo voltou a atrair atenção para as alternativas ao querosene convencional de origem petrolífera.
O comentário reflete um padrão recorrente no mercado de combustível de aviação: quando o querosene fóssil fica mais caro, a diferença de custo em relação às alternativas mais limpas diminui, e companhias aéreas e compradores de combustível analisam os substitutos com mais atenção. O SAF, que pode ser misturado ao querosene convencional e usado em aeronaves e infraestruturas já existentes, é amplamente visto como a principal opção de curto prazo para reduzir as emissões da aviação.
Por que a continuidade das políticas importa
O argumento central de Heitkamp foi que os preços mais altos do petróleo, por si só, não bastam para construir uma indústria de SAF duradoura. O crescimento do mercado, disse ela, depende da continuidade das políticas públicas. Só quando o apoio político é estável e previsível é que os investidores aparecem, e só então a indústria pode se expandir.
A lógica é clara para quem avalia um projeto de SAF. As plantas de produção são intensivas em capital e seu planejamento, financiamento e construção levam anos. Quem aplica dinheiro num ativo de vida tão longa precisa da certeza de que o arcabouço político que sustenta a demanda e a economia do projeto ainda estará em vigor anos depois. Mudanças frequentes, ou a ameaça delas, elevam o prêmio de risco e podem travar projetos antes da decisão final de investimento. Por isso produtores como a Gevo ligam o ritmo de crescimento do setor menos ao preço diário do petróleo e mais à confiabilidade das regras em torno dele.
Matéria-prima à base de milho
A Gevo produz SAF a partir de matérias-primas como o milho, observou Heitkamp. Usar uma cultura agrícola como matéria-prima liga a economia do combustível tanto aos mercados agrícolas quanto aos energéticos e conecta a política do combustível de aviação à oferta agrícola. Isso também significa que a disponibilidade e o custo da matéria-prima ficam ao lado da política entre os fatores que determinam a rapidez com que a produção pode aumentar.
Um empurrão do petróleo que pode não durar
A entrevista aponta para uma tensão no centro do negócio do SAF. As altas do petróleo provocadas por conflitos podem melhorar rapidamente a economia relativa dos combustíveis alternativos, mas são voláteis e podem se reverter com a mesma rapidez. Um alargamento temporário da diferença de preços não justifica, por si só, o investimento de vários anos necessário para construir nova capacidade. Por isso, vozes do setor como a de Heitkamp apresentam uma política estável e de longo prazo, e não as oscilações de curto prazo do mercado, como o fator decisivo para que a oferta de SAF cresça.
As declarações de Heitkamp foram feitas ao Korea Economic Daily, o que reforça o interesse por esse combustível entre leitores e participantes do setor na Coreia do Sul, à medida que o país e suas companhias aéreas avaliam a própria exposição aos custos do combustível de aviação e às regras de emissões.
Para compradores de combustível, companhias aéreas e produtores, a mensagem é que a trajetória do mercado de SAF será definida menos por um único choque de preços do que por os governos manterem seu apoio tempo suficiente para que novas plantas sejam financiadas e construídas.