Geração Z sustenta diamantes naturais nos EUA enquanto a De Beers reduz a oferta
A geração Z responde por 23% do valor da procura norte-americana de diamantes naturais, apesar de representar 18% da população, segundo dados da De Beers citados pelo 20minutos.es. A alta da joalharia contrasta com a queda do diamante bruto e a concorrência das pedras de laboratório.
Geração Z ganha peso na procura norte-americana
A procura por diamantes naturais mostra sinais de recuperação nos Estados Unidos, embora o setor enfrente a concorrência das pedras produzidas em laboratório e um cenário macroeconómico incerto. Segundo o mais recente Diamond Report do De Beers Group, citado pelo 20minutos.es, a geração Z já representa 23% do valor total da procura norte-americana de diamantes naturais, apesar de corresponder a apenas 18% da população.
A geração Z compra diamantes para mais ocasiões do que qualquer outro grupo, com uma média de 1,83 compras por ano, contra 1,7 no conjunto do mercado. Os anéis de noivado continuam a ser o principal motor da procura, mas os consumidores mais jovens também associam diamantes a conquistas pessoais. O gasto médio chegou a 4.080 dólares por peça, quase o dobro do registado entre os «baby boomers». Esse avanço ocorre num mercado em alta: o preço médio das joias com diamantes naturais subiu 25% em 2025, para 4.063 dólares por peça, apoiado pela compra de pedras maiores.
Pedras naturais mantêm a maior parte do valor
O estudo da De Beers concluiu que os diamantes naturais continuam a ser o produto de joalharia de luxo mais desejado, à frente dos diamantes de laboratório, de outras pedras preciosas e das joias apenas em ouro. As vendas de diamantes cultivados aumentam em volume, mas a sua participação no valor de mercado entre joalheiros independentes permanece em 15%, contra 85% dos diamantes naturais. As pedras sintéticas estão, portanto, a conquistar espaço em unidades sem igualar o valor gerado pelo produto extraído.
O relatório também identificou uma desaceleração da procura por diamantes de laboratório a partir de 3 quilates. Segundo o artigo, os consumidores podem considerar as pedras sintéticas maiores excessivamente grandes. Esse limite é relevante para joalheiros e processadores, porque a concorrência dos produtos cultivados é mais forte nas categorias sensíveis ao preço. Os diamantes naturais preservam uma vantagem em valor, mas precisam defendê-la à medida que a queda dos preços dos sintéticos facilita o acesso a pedras cada vez maiores.
Queda do bruto leva à contenção da produção
Os produtores estão a restringir a oferta perante a deterioração da economia do diamante bruto. A produção da De Beers aumentou 88% no segundo trimestre de 2026, porque trabalhos de manutenção no Botsuana tinham reduzido a base comparável do ano anterior. Ainda assim, o 20minutos.es descreve a tendência geral da produção mundial como descendente. As empresas procuram alinhar a oferta disponível com a procura real e limitar uma nova pressão sobre os preços.
O preço médio do diamante bruto da De Beers caiu 32% no primeiro semestre, para 105 dólares por quilate. A descida refletiu uma maior proporção de artigos de menor valor nas vendas e a pressão dos diamantes de laboratório nos segmentos sensíveis ao preço. O índice médio de preços do bruto da empresa recuou 16%. Perante a fraqueza do mercado, minas estão a fechar em várias regiões produtoras. A De Beers anunciou uma pausa de dois anos na produção de Venetia, na África do Sul, e suspendeu o projeto de expansão Tuzo Phase 3 na mina Gahcho Kué, no Canadá. O aumento do consumo nos Estados Unidos apoia mineradoras, lapidadores e comerciantes, mas a combinação de joias mais caras com diamantes brutos mais baratos mostra que a recuperação ainda não percorreu toda a cadeia de abastecimento.