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Gás caro na Europa aumenta a competitividade da geração elétrica a carvão

O gás europeu acima de 75 euros/MWh melhora a viabilidade da geração a carvão mesmo após a inclusão do custo do carbono. Segundo a WNP, a troca de gás por carvão pode acelerar perto do inverno, enquanto a Europa recompõe estoques e disputa o GNL escasso com a Ásia.

Gás caro na Europa aumenta a competitividade da geração elétrica a carvão

Gás permanece acima de 75 euros/MWh

Os preços elevados do gás estão alterando a economia dos combustíveis na geração elétrica europeia e tornando as usinas a carvão mais competitivas, mesmo após a inclusão dos custos de carbono. Jakub Szkopek, analista da Erste Securities, disse à WNP que o gás europeu permanece atualmente acima de 75 euros/MWh e havia superado 80 euros/MWh nas duas semanas anteriores.

A Europa está recompondo os estoques antes do inverno, com os armazenamentos 72% cheios. A região também precisa competir com compradores asiáticos em um mercado apertado de gás natural liquefeito. A Qatar Energy, responsável por cerca de 17% da produção mundial, prorrogou a força maior até o quarto trimestre de 2026, segundo Szkopek. Bancos de investimento não descartam que o gás europeu alcance 100 euros/MWh antes do inverno.

A alta está elevando os preços europeus da eletricidade e os custos das indústrias intensivas em energia. A WNP informa que alguns produtores de fertilizantes podem ter de reduzir temporariamente a produção, mostrando como a pressão no mercado de combustíveis pode avançar das empresas de energia para as cadeias industriais.

Geração a carvão pode crescer perto do inverno

Após a inclusão do custo das licenças de emissão de CO2, o gás está agora cerca de 40% mais caro que o carvão por unidade de energia na Europa, afirmou Szkopek. Essa diferença reduz a atratividade comercial das usinas a gás e incentiva o maior uso de instalações movidas a hulha e linhito.

As projeções citadas pela WNP indicam que a troca de gás por carvão pode atingir o pico mais perto do inverno. Na Alemanha, a geração a carvão pode se aproximar dos limites máximos permitidos pelas regras atuais. A mudança apoiaria a demanda por carvão térmico e a utilização das usinas disponíveis, mas também aumentaria as emissões do setor elétrico em relação à geração a gás.

O aquecimento urbano da Polônia apresenta uma reação semelhante. Arkadiusz Siekaniec, vice-presidente do Sindicato dos Mineiros da Polônia, disse à WNP que os operadores capazes de usar carvão estão fazendo isso porque os preços atuais do gás aumentariam os custos para empresas e consumidores. Ele também argumentou que o fornecimento doméstico de carvão pode reforçar a segurança energética quando a disponibilidade de gás é incerta.

Disputa pelo GNL vai além da Europa

A Ásia acrescenta pressão ao equilíbrio dos combustíveis. Nas últimas semanas, a China determinou que os produtores aumentassem a extração de carvão para garantir o abastecimento da geração elétrica doméstica. Isso mostra que o maior mercado consumidor de energia do mundo também usa o carvão como proteção contra os riscos do mercado de gás.

O crescimento esperado das exportações de GNL dos Estados Unidos pode coincidir com uma alta expressiva do consumo interno de gás. A onda de construção de centros de dados, relacionada pela WNP ao programa de inteligência artificial do presidente Donald Trump, deverá depender principalmente da geração a gás. Estima-se que a demanda norte-americana de gás para produzir eletricidade aumente cerca de 50% na próxima década.

Atender a essa demanda exigirá mais perfurações em formações geológicas profundas e tecnicamente difíceis, elevando os custos de produção e possivelmente os preços do gás. A Wood Mackenzie espera que o equilíbrio mundial entre oferta e demanda de GNL permaneça estruturalmente apertado até 2029, pois a capacidade adicional de liquefação pode não compensar totalmente o crescimento simultâneo da demanda na Ásia e na Europa. Os preços à vista do GNL devem ficar muito acima dos padrões anteriores a 2022, mesmo que as interrupções no estreito de Ormuz diminuam parcialmente. O carvão continuará, portanto, economicamente atraente onde houver usinas disponíveis.

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