Gana eleva preço do cacau e amplia diferença para a Côte d’Ivoire
Gana pagará 42.400 cedis por tonelada aos produtores de cacau na safra 2026–2027, alta de 2,4% sobre o valor adotado em fevereiro. A diferença maior em relação à Côte d’Ivoire pode incentivar o contrabando e afetar a oferta de dois países responsáveis por mais da metade do cacau mundial.
Gana aumenta pagamento aos produtores
Gana elevou o preço oficial pago aos produtores de cacau para a safra 2026–2027. A medida amplia a diferença em relação à vizinha Côte d’Ivoire e aumenta a preocupação com o contrabando entre fronteiras. Os dois países da África Ocidental respondem juntos por mais da metade da oferta mundial, tornando suas políticas de preços relevantes para processadores, comerciantes e fabricantes de chocolate.
Os agricultores de Gana, segundo maior produtor mundial de cacau, receberão 42.400 cedis por tonelada quando a nova colheita começar em 2 de outubro. O valor é 2,4% superior aos 41.392 cedis por tonelada pagos desde fevereiro, informou o ZDNet Korea com base na Bloomberg e em outros veículos internacionais. Randy Abbey, diretor-executivo do Conselho do Cacau de Gana, afirmou que o novo preço equivale a 71,8% do valor de exportação FOB.
O reajuste atende ao compromisso do governo de repassar aos produtores pelo menos 70% do valor FOB das exportações de cacau. A política estabelece, na prática, um piso para a participação dos agricultores na receita externa, enquanto o sistema estatal de comercialização administra a diferença entre os pagamentos na origem e as vendas internacionais.
Diferença de preços estimula contrabando
A Côte d’Ivoire, maior produtora mundial de cacau, manteve seu preço ao agricultor no início de setembro. Os produtores locais recebem atualmente 2.084 dólares por tonelada. A remuneração superior em Gana cria um forte incentivo para que amêndoas marfinenses atravessem a fronteira em busca de maior retorno.
Esses movimentos podem alterar o local de registro e entrega oficial do cacau, mesmo sem mudança na produção regional. A saída de amêndoas reduziria os volumes disponíveis para compradores licenciados e canais de exportação da Côte d’Ivoire, enquanto elevaria as chegadas a Gana ou a outros mercados vizinhos. Para os comerciantes internacionais, o resultado pode incluir atrasos, dúvidas sobre a origem e menor visibilidade da oferta exportável.
Dados recentes de Gana mostram como os fluxos fronteiriços podem complicar as estatísticas nacionais. O país fixou inicialmente uma meta de produção de 650.000 toneladas para 2025–2026, mas a oferta efetiva superou 750.000 toneladas. Segundo o ZDNet Korea, amêndoas contrabandeadas de países vizinhos contribuíram para esse volume maior.
Futuros reagem aos riscos para a safra
A decisão foi tomada após uma forte reversão no mercado internacional. Os futuros de cacau em Nova York caíram em fevereiro ao menor nível do ano diante do enfraquecimento da demanda global. Gana então reduziu o preço ao produtor em cerca de um terço, para 41.392 cedis por tonelada.
Desde então, os futuros quase dobraram e são negociados em torno de 5.600 dólares por tonelada. Os preços subiram com a expectativa de que doenças e condições climáticas adversas reduzam a produção da África Ocidental em 2026–2027. A região também pode enfrentar um El Niño forte, capaz de provocar enchentes graves ou seca.
O aumento melhora a renda imediata dos agricultores ganeses, mas a diferença para a Côte d’Ivoire pode dificultar a gestão regional da oferta. Se mais cacau marfinense seguir por rotas informais, haverá mudanças no momento e no local em que os volumes ficam disponíveis para exportação, e não apenas nos números da colheita. Processadores e comerciantes enfrentarão riscos adicionais de abastecimento e rastreabilidade, além das ameaças climáticas, das doenças e do consumo mais fraco.