← Voltar às notícias

Gana e Costa do Marfim avaliam uma "OPEP do cacau" para influenciar preços

Gana e Costa do Marfim, que juntas respondem por mais de 60% da produção mundial de cacau, discutem maior coordenação de preços e vendas para ganhar peso nos mercados internacionais. Os dois produtores podem reativar uma aliança apelidada de "OPEP do cacau", para a qual Camarões e Nigéria foram convidados.

Gana e Costa do Marfim avaliam uma "OPEP do cacau" para influenciar preços

Gana e Costa do Marfim, que juntas respondem por mais de 60% da produção mundial de cacau, discutem uma cooperação mais estreita em preços e vendas para ganhar maior influência sobre os preços internacionais do cacau, segundo a Business Africa. Os dois produtores da África Ocidental estudam reativar uma aliança frequentemente apelidada de "OPEP do cacau".

As conversas ocorrem após uma forte queda dos preços do cacau em relação ao recorde histórico atingido em 2024. Para importadores, processadores e fabricantes de chocolate, uma coordenação mais estreita das duas origens dominantes mudaria a forma como o mercado físico é abastecido e precificado.

O que a aliança coordenaria

Os objetivos declarados são harmonizar os preços na porteira pagos aos produtores, coordenar os calendários de colheita e comercialização e reforçar o poder de negociação dos dois países frente aos compradores internacionais. Alinhar quando e como as safras chegam ao mercado lhes daria mais controle sobre os fluxos de oferta.

Camarões e Nigéria também foram convidados a aderir à iniciativa regional, o que ampliaria a fatia do bloco na oferta mundial para além dos dois principais produtores.

A África cultiva o grão, outros captam o valor

A África produz a maior parte do cacau mundial, mas a transformação industrial, as marcas de chocolate e as redes de distribuição continuam controladas em grande parte fora do continente. Max Koffi, fundador da Equal Trade Alliance, disse à Business Africa que o desafio central para os produtores é captar uma parcela maior do valor gerado pelo cacau.

Na estrutura atual, os países africanos exportam sobretudo grãos crus e deixam as etapas de maior margem — moagem, fabricação e criação de marcas — aos compradores estrangeiros. Isso deixa as nações produtoras expostas às oscilações do preço da matéria-prima, como mostra a queda desde o pico de 2024.

Construir uma cadeia de valor na origem

Segundo a análise apresentada pela Business Africa, o verdadeiro objetivo é desenvolver uma cadeia de valor integrada na África: transformar os grãos em manteiga e pó de cacau, fabricar chocolate, criar marcas locais e elevar o padrão das exportações.

  • Transformar os grãos em manteiga e pó em vez de exportá-los crus
  • Fabricar chocolate acabado no continente
  • Criar marcas locais e melhorar a composição das exportações

Essa estratégia, aponta a reportagem, elevaria o valor agregado, criaria mais empregos industriais e reduziria a dependência das exportações de matérias-primas. Avance ou não a aliança de preços, o fundo é o mesmo: as duas origens dominantes querem reter em casa uma parcela maior da margem do cacau, em vez de exportá-la junto com os grãos.

Análise completa do mercado

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, fornecer conteúdo personalizado e analisar nosso tráfego. Ao clicar em "Aceitar tudo", você consente com o uso de cookies. Você pode gerenciar suas preferências ou saber mais em nossa Política de privacidade.