Futuros do algodão atingem máxima de 28 meses com riscos para a oferta global
Os futuros do algodão na ICE subiram para 89,30 centavos por libra, o maior nível em 28 meses. Estimativas do USDA citadas pelo Ekonomi Gazetesi indicam consumo de 122,9 milhões de fardos e produção de 117,6 milhões.
Consumo supera a produção
Os futuros do algodão na ICE subiram na semana passada para 89,30 centavos por libra, o maior nível em 28 meses, segundo o Ekonomi Gazetesi. Os preços avançaram 8,93% no mês e 32,94% em relação ao ano anterior. A alta reflete tanto as compras de fundos especulativos quanto o receio de uma nova deterioração do equilíbrio mundial entre oferta e demanda.
As estimativas de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, citadas pela publicação, apontam consumo global de 122,9 milhões de fardos, o maior volume em seis anos. A produção deve recuar para 117,6 milhões de fardos. O consumo ficaria, portanto, 5,3 milhões de fardos acima da oferta, criando a possibilidade de um déficit relevante e de uma redução mais rápida dos estoques mundiais.
Essa diferença afeta toda a cadeia têxtil. Os produtores de algodão podem se beneficiar de preços mais altos, mas fiações, fabricantes de fios e empresas de vestuário terão custos maiores com matéria-prima. Comerciantes e importadores também precisarão administrar mais volatilidade enquanto o mercado reage às condições das lavouras e à demanda física.
Lavouras dos EUA e área de Xinjiang geram preocupação
O clima é a principal fonte de incerteza para a produção. Nos Estados Unidos, a parcela do algodão classificado como bom ou excelente caiu de 46% duas semanas antes para 40% na semana seguinte e depois para 38% nos dados mais recentes. A seca e as altas temperaturas em áreas produtoras importantes aumentam o risco de perdas de produtividade e de uma colheita menor.
A expectativa de fortalecimento das condições de El Niño até setembro mantém o risco climático no centro das atenções. A China acrescenta outra preocupação: a área plantada com algodão em Xinjiang teria sido reduzida em mais de 10%. Como a região é central para a produção chinesa, uma contração significativa pode limitar a disponibilidade interna e elevar a procura por fibra estrangeira se a produtividade não compensar a perda.
Os indicadores comerciais também sustentam a perspectiva de preços firmes. Os compromissos de exportação dos Estados Unidos alcançaram 4,235 milhões de fardos, enquanto as importações do Vietnã devem subir para 8 milhões, informou o Ekonomi Gazetesi. Grandes mercados de processamento têxtil podem, assim, absorver mais oferta exportável mesmo com a piora das expectativas de produção.
Posições dos fundos ampliam o movimento
Os fundos aumentaram a posição líquida comprada para 78.668 contratos, dando impulso adicional à alta. Esse posicionamento pode acelerar os ganhos quando cresce a preocupação com a oferta, mas também deixa o mercado vulnerável à realização de lucros. Uma redução rápida das posições compradas pode provocar uma correção forte mesmo que os fundamentos continuem apertados.
Os riscos para a demanda permanecem. A baixa utilização da capacidade têxtil na China e na Turquia pode limitar o consumo de algodão. Uma desaceleração mundial dos gastos com roupas também enfraqueceria as projeções mais favoráveis. A concorrência do poliéster depende dos preços da energia: custos elevados encarecem as fibras sintéticas e favorecem o algodão, enquanto petróleo mais barato devolve vantagem de preço ao poliéster.
Mercado mira 90 a 92 centavos por libra
Analistas citados pelo Ekonomi Gazetesi apontam uma faixa-alvo de 90 a 92 centavos por libra para o último trimestre do ano. Os preços podem superar esse intervalo se as colheitas dos Estados Unidos e da China decepcionarem, os estoques globais caírem mais rapidamente e a demanda física continuar firme. Os futuros de março a maio de 2027 já são negociados entre 90,40 e 91,35 centavos por libra, indicando que o mercado não considera necessariamente temporário o ambiente de preços elevados.