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Fundos de cobertura montam posição comprada líquida de 177 milhões de barris em gasolina e diesel dos EUA

Até 1 de setembro, os gestores mantinham posição comprada líquida de cerca de 177 milhões de barris nos principais contratos de gasolina e diesel, enquanto seguiam levemente vendidos em petróleo, segundo a Petrochemiha. O diesel nos EUA passou de 5,90 dólares por galão e a gasolina de 4,15 dólares, com estoques de gasolina em nível crítico. Margens recordes de refino do diesel e a temporada de manutenção apontam a capacidade de refino como o verdadeiro gargalo.

Fundos de cobertura montam posição comprada líquida de 177 milhões de barris em gasolina e diesel dos EUA

Os fundos de cobertura haviam acumulado até 1 de setembro uma posição comprada líquida de cerca de 177 milhões de barris nos principais contratos futuros de gasolina e diesel, enquanto sua posição em petróleo permanecia levemente vendida, segundo a publicação setorial Petrochemiha. A divergência entre as duas carteiras indica um deslocamento na restrição percebida pelo mercado: ela não está mais na disponibilidade de petróleo, e sim na capacidade de convertê-lo em combustível acabado.

Os preços dos derivados nos Estados Unidos refletem a mesma pressão. O diesel superou 5,90 dólares por galão e a gasolina, 4,15 dólares por galão, informou a Petrochemiha, com os estoques de gasolina no que a publicação descreve como nível crítico. O volume elevado de exportações e o deslocamento do rendimento das refinarias para diesel e querosene de aviação limitaram a produção de gasolina.

O posicionamento se descola do petróleo

Uma posição comprada líquida de 177 milhões de barris em derivados, combinada com uma carteira vendida em petróleo, é uma aposta nas margens de refino, e não no preço do óleo. Em um mercado com estoques físicos já apertados, a demanda financeira adicional por contratos de derivados torna os movimentos de preço mais rápidos e mais bruscos, amplificando a volatilidade que nasce no sistema físico.

A Petrochemiha associa a virada dos fundos a uma mudança de expectativas. Um conflito prolongado deslocou a hipótese de trabalho do mercado de uma interrupção temporária de oferta para um risco duradouro de escassez. A perturbação das exportações de petróleo e derivados do Oriente Médio e da Rússia reduziu a flexibilidade do sistema global e deixou menos barris alternativos para cobrir uma falha regional. A publicação observa ainda que a importância do estreito de Ormuz já não se limita ao volume de petróleo que passa por ele, pois qualquer interrupção na cadeia regional de produção, refino e exportação pode alcançar mercados tão distantes quanto os Estados Unidos e a Europa.

O gargalo migrou para o downstream

O indicador mais claro é o crack spread do diesel, a diferença entre o preço do petróleo que entra na refinaria e o valor do produto obtido a partir dele. Os patamares muito elevados registrados nos Estados Unidos e na Europa mostram que os compradores aceitam pagar pelo combustível bem mais do que vale o petróleo por trás dele, sinal habitual de falta de capacidade de refino ou de oferta de derivados, e não de escassez absoluta de óleo.

Nos últimos meses, as refinarias redirecionaram parte de sua capacidade para diesel e querosene de aviação a fim de atender à demanda por essas qualidades. A participação relativa da gasolina na cesta de produção caiu e seus estoques ficaram pressionados. Disso decorre um limite rígido: mesmo com mais petróleo disponível, a oferta de gasolina ou diesel só pode subir rapidamente onde houver capacidade de refino ociosa, carga adequada e tempo de operação.

Os Estados Unidos operam hoje menos refinarias do que há algumas décadas. Essa capacidade pode ser suficiente em condições normais, mas diante de uma grande interrupção regional a margem de capacidade disponível para uma reação rápida é limitada.

Temporada de manutenção encontra estoques baixos

As paradas sazonais nos Estados Unidos e em outras regiões chegam em um momento sensível. A redução simultânea de carga em várias plantas não significa paralisação total, mas diminui a produção agregada por várias semanas, justamente quando os estoques já estão baixos. O mercado enfrenta, assim, uma combinação desfavorável de estoques baixos, capacidade de refino restrita, interrupção das exportações, demanda sazonal e pouco tempo para recompor reservas.

A alta do diesel tem efeito econômico mais amplo do que um movimento equivalente na gasolina, porque o diesel alimenta diretamente o transporte rodoviário, a navegação, o maquinário industrial, a mineração, a agricultura e parte da geração elétrica. A firmeza sustentada se transfere para os custos logísticos e, na sequência, para a pressão inflacionária em outros setores.

Indicadores a acompanhar

A Petrochemiha argumenta que o preço do petróleo isoladamente já não mede o mercado e lista as variáveis que devem ser seguidas em paralelo:

  • Estoques de gasolina e diesel nos Estados Unidos e na Europa
  • Crack spreads do diesel e de outros destilados médios
  • Taxas de utilização das refinarias
  • Cronogramas de manutenção das refinarias
  • Exportações e importações de derivados
  • Custo e disponibilidade do transporte marítimo
  • Diferenciais regionais de preços dos derivados

Por essa leitura, um petróleo caminhando para 100 dólares por barril é apenas parte da história. O risco maior é um mercado de derivados muito apertado, no qual nem mesmo uma oferta maior de petróleo fecharia no tempo necessário a lacuna de diesel, gasolina e querosene de aviação. Se as interrupções de oferta persistirem e as paradas começarem conforme o previsto, o diesel e os demais destilados médios devem seguir como o principal ponto de pressão do mercado de energia nos próximos meses.

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