Frete recorde no Cáspio trava exportações de cevada do Cazaquistão ao Irã
As exportações de cevada do Cazaquistão para o norte do Irã estão estagnadas, após a falta de navios elevar o frete de Aktau ao recorde de 74 dólares por tonelada. Fornecedores redirecionam vendas para China e Ásia Central, enquanto a escassez de vagões e a demanda interna pressionam os preços.
Escassez de navios leva fretes no Cáspio a níveis recordes
As exportações de cevada do Cazaquistão para o Irã estão estagnadas porque uma grave escassez de navios disponíveis elevou os custos de transporte no Mar Cáspio a níveis sem precedentes. A UkrAgroConsult informou, citando a União de Grãos do Cazaquistão, que o frete de Aktau aos portos do norte do Irã subiu mais 4 dólares por tonelada em uma semana, para 74 dólares por tonelada.
A rota alternativa com origem em Astracã continua muito mais cara. A tarifa aumentou 5 dólares por tonelada, para 115 dólares por tonelada. O analista da União de Grãos Evgeny Karabanov afirmou que esses níveis nunca haviam sido registrados em nenhuma das duas rotas.
A alta reduz diretamente a competitividade da cevada cazaque no norte do Irã. O frete representa uma parcela relevante do preço entregue pelo Cáspio, deixando os exportadores diante de três opções: absorver parte do aumento, elevar as ofertas aos compradores iranianos ou adiar os embarques até que haja navios disponíveis a tarifas menores.
Atividade exportadora migra para leste e sul
Enquanto o corredor iraniano está paralisado, as exportações de cevada do Cazaquistão ganham força em direção à China e aos países da Ásia Central. Esses destinos oferecem canais alternativos de venda, mas também concentram mais demanda em ferrovias que já enfrentam falta de equipamentos e congestionamentos.
Os preços de exportação subiram durante a semana nas principais bases comerciais citadas pela UkrAgroConsult. A cevada avançou 3 dólares por tonelada na condição DAP Saryagash e 5 dólares por tonelada tanto em FOB Aktau quanto em DAP Dostyk/Altynkol. A alta em Aktau mostra que os preços se fortaleceram mesmo com o custo do transporte marítimo posterior limitando os negócios com o Irã.
A China pode funcionar como um importante destino alternativo por meio das passagens fronteiriças de Dostyk e Altynkol. Compradores da Ásia Central também podem receber grãos por Saryagash. Esses corredores, porém, não substituem integralmente o papel comercial do norte do Irã, sobretudo para tradings e empresas de logística estruturadas em torno dos embarques pelo Cáspio.
Restrições ferroviárias ampliam a pressão interna
Os preços da cevada também continuaram subindo no mercado interno do Cazaquistão, com a recuperação da demanda de fabricantes de farinha para ração e exportadores. Ao mesmo tempo, uma grave escassez de vagões complica a logística de grãos. A UkrAgroConsult relacionou o problema à imobilização de vagões nas estações de carga e descarga, que reduz a frota disponível mesmo quando existe demanda de exportação.
A combinação de fretes recordes no Cáspio e capacidade ferroviária insuficiente cria restrições em duas etapas da cadeia de abastecimento. Primeiro, os exportadores precisam de vagões para levar a cevada até Aktau ou às passagens terrestres; depois, precisam de navios para transportar a carga a partir do porto no Cáspio. Atrasos e custos maiores podem reduzir as margens comerciais e tornar os prazos de entrega menos previsíveis.
O mercado de trigo do Cazaquistão permanece estável em geral, embora o trigo de quarta e quinta classes tenha encarecido devido à oferta limitada da nova safra e à maior demanda interna. Importadores da Ásia Central continuam comprando trigo cazaque aos preços atuais. A retomada dos embarques de cevada para o Irã dependerá principalmente da disponibilidade de navios e de uma queda do frete em Aktau a partir dos atuais 74 dólares por tonelada para um nível que devolva competitividade ao corredor.