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Fome se agrava em Darfur: há alimentos nos mercados, mas os preços os tornam inacessíveis

Os mercados da região sudanesa de Darfur estão abastecidos de grãos, carne e açúcar, mas os preços superam a capacidade de compra das famílias deslocadas, segundo a Al Jazeera Net. O IPC informou em 23 de julho de 2026 que 638 mil pessoas enfrentam fome catastrófica e outros 8,1 milhões estão à beira da fome extrema. O Programa Mundial de Alimentos alerta que seus estoques podem se esgotar até setembro de 2026.

Fome se agrava em Darfur: há alimentos nos mercados, mas os preços os tornam inacessíveis

A fome extrema avança pela região sudanesa de Darfur mesmo em áreas onde os alimentos estão fisicamente disponíveis nos mercados locais, impulsionada pela disparada dos preços, pelo colapso do poder de compra e pela redução dos orçamentos de ajuda humanitária, segundo reportagem da Al Jazeera Net.

Adam Rijal, porta-voz oficial da Coordenação Geral dos Deslocados e Refugiados em Darfur, disse à Al Jazeera Net que os mercados da região estão cheios de produtos alimentícios, “mas os preços são insanos e insuportáveis”. Segundo ele, um morador comum já não consegue comprar uma kayla de milheto nem um ratl de açúcar, e o problema não é a ausência de comida, e sim a ausência de capacidade de compra. Rijal acrescentou que o início da estação chuvosa trouxe o temor de um colapso da produção agrícola por causa da escassez de chuvas.

Níveis de preços nos mercados de Jebel Marra

Rijal citou os seguintes preços nos mercados de Golo e Nertiti, na área de Jebel Marra. A libra sudanesa vale menos de dois centavos de dólar.

  • Uma kayla de sorgo (cerca de 4 quilos): 12.000 libras sudanesas em Golo e 10.000 libras em Nertiti
  • Carne: de 12.000 a 20.000 libras por quilo em Golo, e de 10.000 a 15.000 libras em outras áreas
  • Açúcar: 3.000 libras por ratl, uma medida local de peso
  • Óleo de cozinha: 5.000 libras a garrafa
  • Uma barra de sabão e um ratl de sal: 2.000 libras cada

O gado, por muito tempo a principal fonte de alimento e de renda em dinheiro das famílias de Darfur, perdeu boa parte do valor depois da morte de um grande número de animais por falta de pastagem e de ração, afirmou Rijal, justamente quando os preços da carne dispararam. Um comerciante do mercado de Golo, que pediu para não ser identificado, disse à Al Jazeera Net que a mercadoria está lá, mas as pessoas não compram, porque o custo de levar o produto da origem até o mercado se multiplicou dezenas de vezes. “O comprador quer o preço antigo, e o vendedor não pode vender no prejuízo”, afirmou.

IPC contabiliza 638 mil pessoas em fome catastrófica

Um relatório divulgado em 23 de julho de 2026 pela Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC) alertou que 638 mil pessoas enfrentam atualmente níveis catastróficos de fome, com outros 8,1 milhões à beira da fome extrema. O relatório confirmou que a fome extrema se ampliou para três campos no norte de Darfur — Zamzam, Abu Shouk e Al Salam — além de comunidades deslocadas e residentes nas montanhas Nuba, no Cordofão do Sul.

Jean-Martin Bauer, diretor de análise de segurança alimentar e nutrição do Programa Mundial de Alimentos, disse em declaração à imprensa em 17 de junho de 2026 que uma fome prolongada tomou conta do Sudão, alertando que pessoas estão enfraquecendo e morrendo por falta de comida e de atendimento de saúde.

O canal de ajuda se esgota

Em 14 de julho de 2026, o Programa Mundial de Alimentos alertou que o Sudão corre o risco de voltar a mergulhar em uma fome mais profunda por causa da continuidade da guerra, dos cortes no financiamento da ajuda e do aumento dos custos agrícolas provocado por interrupções ligadas à guerra no estreito de Ormuz. A agência informou ter reduzido o número de beneficiários de 5 milhões um ano antes para cerca de 3,5 milhões e cortado as rações em várias áreas, incluindo Tawila, em Darfur, por causa de um déficit de financiamento de 646 milhões de dólares.

Em atualização divulgada em 24 de julho de 2026, a agência alertou que seus estoques de alimentos podem se esgotar até setembro de 2026 e que o financiamento da ajuda em dinheiro deve acabar em agosto, deixando milhões das pessoas mais vulneráveis sem apoio.

Deslocamentos continuam ampliando a demanda

A Organização Internacional para as Migrações informou em 15 de julho de 2026 que 595 pessoas foram deslocadas da cidade de Kulbus, no oeste de Darfur, entre 10 e 13 de julho, depois de ter afirmado em 2 de julho que mais de 6.000 pessoas haviam fugido de Kulbus e de três aldeias vizinhas após ameaças das Forças de Apoio Rápido. Relatos de campo registraram 544 famílias, mais de 3.000 pessoas, chegando à área de Karnoi, no norte de Darfur, em apenas três dias, por causa da intensificação dos combates em Abu Leiha, Urshi e Umbaru. O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários afirmou em 22 de julho que o número de deslocados pelos combates em Jebel Marra subiu de 38 mil para 73 mil pessoas, e alertou em 28 de julho que o conflito e a violência entre comunidades locais haviam deslocado mais de 20 mil pessoas em poucos dias.

A agência da ONU para refugiados estimava, em 20 de julho, em 938.127 o número de refugiados sudaneses que fugiram para o Chade desde abril de 2023, e aponta pressão sem precedentes sobre os campos no leste do país. No norte de Darfur, a Organização Internacional para as Migrações informou em 21 de julho de 2026 a instalação de 3.000 tendas no sítio de Dabba Naira, na área de Tawila, que sozinha abriga cerca de 665 mil deslocados, a maioria vinda de El Fasher e de regiões próximas. Rijal ressaltou que mulheres e crianças são as mais expostas à desnutrição aguda e que, sem intervenção urgente, a crise se transformará em uma catástrofe de larga escala.

Análise completa do mercado

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