Filipinas supera Vietnã em valor no mercado chinês de bananas
As Filipinas se tornaram o maior fornecedor de bananas da China em valor no primeiro semestre de 2026, enquanto o Vietnã manteve a liderança em volume. Preços menores e qualidade irregular reduziram a receita vietnamita em um mercado anual superior a US$ 1 bilhão.
Filipinas assume a liderança em valor
As Filipinas retomaram no primeiro semestre de 2026 o primeiro lugar entre os fornecedores de bananas da China em valor, superando o Vietnã, que havia se tornado a principal origem em 2024. O Vietnã, porém, permaneceu na liderança em volume físico, evidenciando uma diferença crescente entre a escala dos embarques e o valor unitário.
A China importou 1,15 milhão de toneladas de bananas no valor de US$ 641 milhões no semestre, segundo estatísticas da alfândega chinesa divulgadas pelo Thanh Nien. O volume cresceu 3,3% e o valor aumentou 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. O mercado chinês de bananas importadas movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano.
Quatro origens forneceram mais de 100 mil toneladas cada uma e geraram acima de US$ 100 milhões: Filipinas, Vietnã, Equador e Camboja. O Vietnã embarcou 452 mil toneladas, quase 5% menos que um ano antes. As Filipinas forneceram 291 mil toneladas, enquanto o Equador alcançou 175 mil toneladas, alta de 14,1%. O Camboja ficou na quarta posição com 147 mil toneladas, avanço de quase 11%.
Diferença de preços altera a classificação
Os embarques filipinos atingiram US$ 179 milhões, acima dos US$ 174 milhões do Vietnã. O Equador obteve US$ 134 milhões e o Camboja, US$ 103 milhões. A mudança na liderança refletiu diferenças expressivas nos preços médios de importação, e não o volume embarcado.
O preço médio das bananas importadas pela China foi de US$ 556 por tonelada. A fruta filipina alcançou em média US$ 614 por tonelada, alta de 2%, e a banana cambojana, US$ 698 por tonelada, queda de 0,6%. O preço médio do Vietnã recuou 6,2%, para US$ 385 por tonelada, o menor entre os quatro grandes fornecedores. O Equador registrou o preço mais alto, de US$ 770 por tonelada, aumento de 2,6% sobre o primeiro semestre de 2025.
Qualidade e pós-colheita definem a receita
Dang Phuc Nguyen, secretário-geral da Associação de Frutas e Hortaliças do Vietnã, relacionou o volume e a receita de exportação à qualidade, ao preço, à distribuição e à conservação. Segundo ele, as bananas vietnamitas atendem principalmente ao segmento de massa e ampliaram rapidamente sua participação por meio da concorrência de preços. A fronteira terrestre e as rotas marítimas curtas entre Vietnã e China reduzem os custos de transporte rodoviário e marítimo.
As Filipinas abastecem há décadas mercados asiáticos exigentes, como Japão, Coreia do Sul e China, e possuem marcas globais estabelecidas em redes de supermercados de padrão superior. Grandes fazendas de grupos multinacionais aplicam processos padronizados desde a seleção de variedades e fertilização até a proteção dos frutos e a colheita. A cadeia de frio integrada e o tratamento pós-colheita melhoram a aparência, a vida útil e a uniformidade.
Grandes empresas agrícolas também investiram no Vietnã, mas parte da área continua sob cultivo de pequenos produtores, causando diferenças de qualidade entre lotes. Em julho de 2026, o país tinha mais de 1.200 códigos ativos de áreas de cultivo e 120 códigos de instalações de embalagem para exportação à China. Mais de 1.100 códigos adicionais aguardavam aprovação chinesa. Nguyen afirmou que o setor precisa melhorar variedades, cultivo, colheita, conservação e logística para elevar seu valor.