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Filipinas projetam importação recorde de até 5 milhões de toneladas de arroz

Um El Niño intenso pode reduzir a produção filipina de arroz em até 900 mil toneladas em 2026. As importações podem atingir o recorde de 5 milhões de toneladas, com o Vietnã respondendo atualmente por 74% do volume.

Filipinas projetam importação recorde de até 5 milhões de toneladas de arroz

El Niño aumenta a necessidade de importação

As Filipinas podem importar até 5 milhões de toneladas de arroz em 2026 após um El Niño intenso prejudicar a produção doméstica, informou o Thanh Nien, citando a imprensa filipina. O ministro da Agricultura, Francisco Tiu Laurel, declarou em audiência realizada em 1º de setembro que o fenômeno climático pode provocar perdas de até 900 mil toneladas. O governo pretende elevar as compras externas para cobrir o déficit e garantir a segurança alimentar.

Um volume de 5 milhões de toneladas seria um recorde nacional, superando a marca anterior de 4,81 milhões de toneladas registrada em 2024. A estimativa está próxima da previsão feita em junho de 2026 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, de 5,1 milhões a 5,2 milhões de toneladas. Para 2027, as projeções divergem: o USDA prevê avanço para 5,3 milhões de toneladas, enquanto Laurel espera uma redução para cerca de 4 milhões.

Vietnã mantém posição dominante

Dados do Departamento da Indústria Vegetal das Filipinas mostram que as importações de arroz já haviam alcançado 3,46 milhões de toneladas até 13 de agosto. O volume superava os 3,39 milhões de toneladas importados durante todo o ano de 2025, indicando aceleração das compras bem antes do fim de 2026. Para chegar ao limite superior estimado pelo governo, seriam necessárias aproximadamente mais 1,54 milhão de toneladas após 13 de agosto.

O Vietnã forneceu 2,56 milhões de toneladas, equivalentes a 74% das importações filipinas no período informado. A Tailândia apareceu em um distante segundo lugar, com 378.404 toneladas, seguida por Mianmar, com 286.052 toneladas, Paquistão, com 107.485 toneladas, e Camboja, com 87.802 toneladas. Manila tenta diversificar as compras entre fornecedores da ASEAN, mas os dados confirmam que o arroz vietnamita continua central para a estratégia de segurança alimentar do país.

Demanda maior coincide com preços mais fracos no Vietnã

A perspectiva de novas compras filipinas oferece suporte aos produtores e exportadores vietnamitas após a queda expressiva dos preços do arroz em agosto, durante o pico da safra de verão-outono. Os compradores, especialmente os filipinos, haviam adiado pedidos enquanto aguardavam preços menores. Uma necessidade próxima de 5 milhões de toneladas pode trazer essa demanda represada de volta ao mercado, embora a concorrência da Tailândia, de Mianmar, do Paquistão e do Camboja determine quanto do volume restante será atendido pelo Vietnã.

O Ministério da Agricultura e Meio Ambiente do Vietnã estima que o país exportou mais de 6 milhões de toneladas de arroz até agosto de 2026, queda anual de 5%. A receita ficou próxima de 2,9 bilhões de dólares, com redução de 10,7%, enquanto o preço médio de exportação recuou 5,9%, para 481,5 dólares por tonelada. A queda mais intensa da receita em relação ao volume reflete a pressão sobre os preços. A demanda filipina pode absorver a oferta da colheita e estabilizar as vendas, mas o efeito dependerá do calendário de compras, da concorrência e da diferença entre o plano de Manila e a previsão do USDA.

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