FEFAC: perdas com as ondas de calor devem elevar as importações de milho da UE acima de 26 milhões de toneladas
Ondas de calor sucessivas e seca provocaram perdas severas em forragens e culturas de verão na UE, e a associação da indústria de rações FEFAC prevê necessidade adicional de importação de milho acima de 7 milhões de toneladas. O total importado pelo bloco passaria de 26 milhões de toneladas, com Ucrânia, Estados Unidos e Brasil como principais origens.
Ondas de calor sucessivas e a seca na Europa causaram perdas severas em forragens grosseiras e culturas de verão, e a associação europeia da indústria de rações FEFAC estima agora que a necessidade adicional de importação de milho do bloco na nova safra comercial ultrapasse 7 milhões de toneladas, elevando as importações totais da UE para além de 26 milhões de toneladas, segundo o agronews.gr.
As associações nacionais que integram a FEFAC confirmaram impactos adversos relevantes das ondas de calor repetidas em vários Estados-membros, na Europa Central, do Sul e do Sudeste, assim como em regiões produtoras importantes do noroeste europeu. A avaliação coincide com as conclusões do relatório MARS de monitoramento de safras do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia, divulgado dias antes, e com uma primeira estimativa de impacto da organização agrícola e cooperativa Copa-Cogeca. A FEFAC considera a situação mais grave do que a última grande onda de calor registrada na UE, em 2018.
A pecuária de corte e leite sente primeiro
Os efeitos mais sérios na cadeia de suprimento estão na falta de forragens grosseiras e culturas de verão, que atinge sobretudo o rebanho bovino. Os pecuaristas já recorrem à silagem e à forragem reservadas para o inverno, o que aumenta o risco de falta de alimento adiante na temporada. A queda expressiva esperada na produção de milho da UE vai ampliar a pressão nos próximos meses, reduzindo a disponibilidade tanto de silagem de milho quanto de milho em grão no mercado europeu.
Necessidade de importação e logística
A UE convive com um déficit estrutural de milho. Os especialistas de mercado da FEFAC calculam a necessidade adicional de importação da nova safra comercial em mais de 7 milhões de toneladas, levando o total do bloco acima de 26 milhões de toneladas, tendo Ucrânia, Estados Unidos e Brasil como principais origens. A federação também pede acesso facilitado a grãos forrageiros de outros países terceiros para diversificar as fontes de suprimento.
O transporte é a segunda restrição. Os níveis persistentemente baixos das principais hidrovias interiores obrigam a deslocar volumes expressivos de matérias-primas por rodovia e ferrovia, o que encarece o frete. A FEFAC pede derrogações nacionais temporárias nas jornadas de condução dos caminhões de ração e a elevação da carga máxima permitida no transporte transfronteiriço de ração para 44 toneladas. Já existem derrogações nacionais, mas atualmente elas não se aplicam aos transportes transfronteiriços para regiões atingidas pela seca. Também são solicitadas ajudas estatais adicionais para reduzir o custo do combustível na cadeia.
Fibra, proteína e a regra antidesmatamento
O acesso ampliado a culturas e coprodutos importados ricos em fibra é apontado como essencial para os ruminantes, de modo a compensar a perda de forragem: farelo de palmiste (PKE), polpa de beterraba açucareira e grãos de destilaria. No caso do PKE, a data de aplicação em vigor do regulamento antidesmatamento da UE (EUDR), 31 de dezembro de 2026, reduziria fortemente a disponibilidade de mercado; as importações do bloco somam hoje 2 milhões de toneladas por ano.
Uma colheita menor de forragem também amplia o déficit europeu de proteína para ração, inclusive de matérias-primas orgânicas, e eleva a demanda por produtos de soja importados. A avaliação mais recente da FEFAC sobre as perturbações comerciais ligadas ao EUDR aponta custo direto adicional superior a 1 bilhão de euros em 2027 na compra de produtos de soja para ração, sem garantia de disponibilidade suficiente para cobrir a demanda de importação esperada da UE, que foi de 35 milhões de toneladas em 2025. A FEFAC classifica isso como economicamente inviável para os pecuaristas do bloco diante da queda de preços da maior parte dos produtos de origem animal.
Medidas pedidas a Bruxelas
A FEFAC quer a reativação de todo o conjunto de medidas europeias de gestão de crise criadas em 2022, no período dos efeitos combinados da COVID e da invasão russa da Ucrânia. Entre as ações de curto prazo estão:
- trânsito sem obstáculos e acesso ao mercado para grãos forrageiros originários da Ucrânia;
- derrogações nacionais temporárias para limites máximos de resíduos (LMR) baseados em risco em grãos importados destinados exclusivamente a ração, mediante avaliação da EFSA, como ocorreu em 2022;
- suspensão do EUDR para o farelo de palmiste, a fim de assegurar em 2027 o acesso a uma fonte alternativa essencial de fibra para ruminantes;
- simplificação acelerada e menor carga administrativa do EUDR para produtos de soja usados em ração;
- prorrogação das derrogações temporárias da UE para fontes de proteína em ração orgânica e para forragens.
No médio e longo prazo, a FEFAC pede que a UE acelere os trabalhos de resiliência da produção interna de grãos forrageiros e forragens previstos no Plano de Ação da UE para Proteínas, publicado recentemente, incluindo o melhoramento de sementes de culturas tolerantes à seca com a tecnologia NGT. A entidade também defende investimentos direcionados por meio do Fundo Europeu de Competitividade (ECF) em transporte, logística e infraestrutura, inclusive capacidade de armazenagem, o que reduziria o custo de levar grãos e forragens das regiões superavitárias da UE para as deficitárias.